Por Priscila Almeida*
O mercado de trabalho brasileiro vive um momento positivo. A taxa de desemprego está em um dos menores níveis da série histórica, enquanto o número de pessoas ocupadas segue elevado. Ao mesmo tempo, o endividamento das famílias continua alto.
À primeira vista, os dois movimentos parecem contraditórios. Afinal, se mais gente está trabalhando, por que tantas famílias ainda enfrentam dificuldade para fechar as contas?
Ter emprego não significa ter dinheiro sobrando
A explicação começa por uma diferença simples: ter renda não é o mesmo que ter folga no orçamento.
Mesmo com salário entrando todos os meses, muitas famílias carregam parcelas, empréstimos, financiamentos e contas acumuladas. Parte da renda já chega comprometida antes mesmo de o mês começar.
Além disso, o crédito ainda é caro. Isso faz com que parcelamentos e empréstimos pesem mais no orçamento e demorem mais para ser quitados. Por isso, uma pessoa pode estar empregada e, ainda assim, sentir que o dinheiro não acompanha as despesas.
O peso é maior para quem ganha menos
Os números também mostram que essa situação não é igual para todos. Entre as famílias que recebem até três salários-mínimos, 85,1% estavam endividadas em agosto. Nesse mesmo grupo, 38,8% tinham contas em atraso e 18,3% afirmavam não ter condições de quitar essas pendências. Portal do Comércio.
Ao mesmo tempo, a procura por crédito continua crescendo. No acumulado de 12 meses até agosto, a busca dos brasileiros por crédito aumentou 16,5%, e o maior avanço ocorreu justamente entre consumidores que recebem de um a dois salários-mínimos: 41%. Serasa Experian.
Emprego forte e endividamento podem andar juntos
Os dois indicadores mostram partes diferentes da economia. O desemprego ajuda a entender quantas pessoas estão trabalhando. Já o endividamento mostra como essa renda está sendo usada e quanto dela já está comprometida.
Por isso, não existe necessariamente uma contradição. Mais pessoas podem estar empregadas enquanto muitas famílias ainda lidam com dívidas antigas, crédito caro e pouco espaço no orçamento. No fim, o cenário mostra que ter trabalho é fundamental, mas não significa automaticamente ter estabilidade financeira.
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*Priscila Almeida é head do setor educacional da Atom Educacional.










