A Petrobras (PETR3; PETR4) arrematou 21 blocos nos leilões da Oferta Permanente da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) por R$ 3,2 bilhões a serem pagos até 30 de dezembro deste ano.
As áreas foram ofertadas nos regimes de partilha de produção e de concessão. Os dois certames realizados pela ANP movimentaram R$ 3,5 bilhões em bônus. A Petrobras respondeu por R$ 3,2 bilhões desse montante e arrematou 21 dos 59 blocos vendidos.
A estatal também fez o maior lance do leilão, ofertando R$ 754,2 milhões por um bloco na Bacia de Campos, valor cerca de 21.000% superior ao bônus mínimo de R$ 3,5 milhões estabelecido pela ANP.
Petrobras leva dois blocos na partilha
No 4º Ciclo de Oferta Permanente de Partilha de Produção, a Petrobras adquiriu os blocos Azurita, na Bacia de Campos, e Cruzeiro do Sul, na Bacia de Santos. A estatal terá 100% de participação nos dois blocos e será a operadora das áreas.
Em Azurita, a Petrobras ofereceu 30% de excedente em óleo para a União e pagará R$ 98,365 milhões em bônus de assinatura. No bloco Cruzeiro do Sul, a oferta de excedente em óleo foi de 15,27%, com bônus de R$ 134,035 milhões. Juntos, os dois blocos representam R$ 232,4 milhões em bônus.
No regime de partilha, a empresa vencedora fica com parte do petróleo excedente produzido pela área, após o cumprimento das regras previstas no contrato e a recuperação dos custos e investimentos autorizados.
Bacia de Campos concentra maior parte dos investimentos
A maior parte dos blocos adquiridos pela Petrobras está no 6º Ciclo de Oferta Permanente de Concessão. A estatal arrematou 12 blocos na Bacia de Campos, todos com 100% de participação e operação da companhia. São eles:
- C-M-111
- C-M-159
- C-M-113
- C-M-115
- C-M-161
- C-M-163
- C-M-165
- C-M-214
- C-M-216
- C-M-281
- C-M-283
- C-M-352
O bônus referente à participação da Petrobras nessas áreas soma R$ 2,966 bilhões. O Programa Exploratório Mínimo (PEM), que estabelece as atividades que precisam ser realizadas durante a fase de exploração, totaliza 4.003 unidades de trabalho (UTs).
A companhia também arrematou sete blocos na Bacia do Ceará, na condição de operadora, com 70% de participação. A QatarEnergy Brasil ficou com os 30% restantes. Os blocos são CE-M-471, CE-M-473, CE-M-475, CE-M-477, CE-M-537, CE-M-539 e CE-M-665.
Nessas áreas, o bônus correspondente à participação da Petrobras é de R$ 19,922 milhões, enquanto o PEM totaliza 780 UTs. Somando os 12 blocos de Campos e os sete do Ceará, a Petrobras desembolsará R$ 2,986 bilhões em bônus no ciclo de concessão.
Estratégia busca áreas próximas a operações
A escolha dos blocos também ocorre em um contexto de busca por áreas próximas a operações existentes. Segundo o presidente da Pré-Sal Petróleo (PPSA), Luís Fernando Paroli, a proximidade com ativos em produção pode permitir o aproveitamento de infraestrutura já instalada.
“Hoje, como a gente não tem mais aqueles grandes campos, as pessoas que estão próximas, que já têm um FPSO funcionando, como aconteceu por exemplo com a Prio, que comprou as duas áreas que estão do lado de ativos dela, porque ela sabe que aquilo tem um potencial”, afirmou.
Prio, Equinor e Aguila também arremataram áreas
Além da Petrobras, outras empresas participaram dos leilões. A Prio arrematou os blocos Magnetita e Hematita, enquanto a Equinor ficou com Rubi e, em parceria com a Galp, levou Rodocrosita.
A Aguila Energia adquiriu 12 blocos terrestres e desembolsou R$ 2,09 milhões.
Segundo o Broadcast, os leilões podem ter sido os últimos realizados pela ANP no Rio de Janeiro. Um acordo firmado entre a agência e a B3 em abril prevê a realização dos próximos certames de áreas de petróleo e gás natural da União em São Paulo a partir de 2027.










