As bolsas asiáticas encerraram o pregão desta quinta-feira (8) em queda generalizada, em meio à forte alta do petróleo e à permanência das tensões no Oriente Médio. A commodity avançou quase 4%, renovando as preocupações com a inflação e com o impacto do choque energético sobre os juros e os mercados de renda fixa.
A alta ocorre em meio às incertezas sobre a oferta global de petróleo, com Estados Unidos e Irã ainda sem um acordo para encerrar a guerra. Segundo reportagem publicada na quarta-feira (7) pela revista The Atlantic, que citou dois funcionários não identificados, a Casa Branca teria pedido ao Pentágono que elaborasse opções de ataque contra o Irã antes das eleições de meio de mandato, em novembro.
Os temores sobre o fornecimento da commodity também são impulsionados após ataques de houthis do Iêmen, apoiados pelo Irã, contra alvos na Arábia Saudita.
No início da sessão, o petróleo Brent, referência internacional, subia pouco menos de 4%, cotado a US$ 104,18 por barril, enquanto o WTI, referência nos Estados Unidos, avançava 3,9%, a US$ 91,70.
Bolsas da Ásia fecham em queda
Na Coreia do Sul, o Kospi registrou a maior queda da região, de 2,62%, aos 6.625,93 pontos, em dia de sessão mais curta antes de um feriado. As ações das gigantes de chips Samsung Electronics e SK Hynix recuaram 2,4% cada, contribuindo para a queda do índice.
No Japão, o Nikkei caiu 1,42%, aos 69.042,11 pontos, enquanto em Hong Kong, o Hang Seng recuou 1,43%, para 23.785,70 pontos e em Taiwan, o Taiex teve baixa de 0,99%, aos 49.313,44 pontos.
Na China continental, os mercados retomaram as negociações após uma semana de feriado e também terminaram o pregão no campo negativo. O Xangai Composto caiu 0,79%, aos 3.811,90 pontos, enquanto o Shenzhen Composto recuou 1,63%, para 2.365,35 pontos.
Na Oceania, o S&P/ASX 200, principal índice acionário da Austrália, fechou em baixa de 0,77%, aos 8.660,90 pontos.
Alta do petróleo pressiona juros globais
A disparada do petróleo eleva os rendimentos dos títulos soberanos e dificulta a condução da política monetária pelos principais bancos centrais. Desde o início do conflito no Oriente Médio, no fim de fevereiro, o Federal Reserve (Fed) e o Banco do Japão (BoJ) elevaram os juros uma vez cada. O Banco Central Europeu (BCE), por sua vez, anunciou dois aumentos.
A alta dos rendimentos dos títulos também pesa sobre as ações nesta manhã. Com os juros maiores, empresas e consumidores enfrentam custos mais elevados para contratar empréstimos.
Nos Estados Unidos, os juros dos títulos do Tesouro dispararam à medida que o choque energético global provocado pela guerra com o Irã elevou os preços. Ao mesmo tempo, a dívida nacional americana continuou crescendo. O rendimento do Treasury de dez anos estava em torno de 5,32%, após atingir 5,36% na quarta-feira, no maior nível desde 2002.










