O cafeicultor inicia a adubação da safra 2027/28 com poder de compra reduzido frente aos fertilizantes, segundo levantamento do Cepea divulgado nesta quarta-feira (7). O retorno das chuvas na maior parte das regiões produtoras abriu a janela de aplicação, mas a paridade entre o que o produtor recebe pelo grão e o que paga pelo adubo piorou justamente no momento em que o calendário exige decisões de compra.
Conforme publicou o Portal das Commodities, boa parte dos insumos destinados à etapa atual já foi adquirida, o que limita o efeito imediato da piora na relação de troca sobre as entregas contratadas. A atenção se volta para a segunda aplicação, prevista para o fim deste ano e o começo de 2027. É nessa parcela da demanda que o produtor ainda pode rever o volume, caso a paridade siga desfavorável.
Caixa apertado faz cafeicultor adiar encomendas
O ciclo começa quando o caixa da lavoura ainda depende da comercialização da safra anterior. O adubo precisa ser comprado antes de a nova colheita gerar receita, o que torna a defasagem entre receita e custo um fator de peso no planejamento. Se a relação de troca continuar ruim, a tendência apontada pelo Cepea é de compras menores ou escalonadas, com adiamento de parte das encomendas.
O movimento tem efeito em cadeia. Menos adubo aplicado tende a reduzir o potencial produtivo da lavoura, ao mesmo tempo em que alivia temporariamente o custo por hectare. Para a indústria de fertilizantes, o resultado seria uma demanda interna mais fraca no primeiro trimestre, período em que tradicionalmente se concentram os embarques de insumos para a safra seguinte.
No mercado futuro de café, o sinal é de cautela. Um investimento menor na nutrição das plantas pode limitar a oferta esperada para 2027/28 e sustentar prêmios em contratos com vencimento mais distante. O desfecho, porém, depende da evolução da relação de troca nos próximos meses e da confirmação do regime de chuvas nas principais regiões produtoras.










