Os mercados globais amanhecem em queda nesta quinta-feira (8), pressionados pela alta do petróleo e pelo aumento das expectativas de juros nos Estados Unidos, com o Brent superando US$ 103 por barril, ampliando a aversão ao risco e pesando sobre títulos e ações.
O movimento ganhou força após uma reportagem da revista The Atlantic divulgar que o presidente dos EUA, Donald Trump, estaria considerando novos ataques ao Irã antes das eleições legislativas de meio de mandato. A mudança nas expectativas provocou uma nova onda de vendas nos mercados de renda fixa e variável. Os rendimentos dos títulos acompanharam o movimento. A taxa do Treasury de 10 anos avançou quatro pontos-base, para 5,32%, enquanto o prêmio do título francês de 10 anos sobre o alemão subiu para 140 pontos-base.
A pressão sobre o petróleo também reacende as preocupações com a inflação, após o Federal Reserve (Fed) elevar os juros na última reunião. A ata divulgada nesta quarta-feira (7) mostrou que a maioria dos dirigentes considera adequada uma nova alta até o fim do ano, como forma de acelerar a convergência da inflação para a meta de 2%. O documento também registrou uma discussão sobre a taxa neutra de juros, com vários dirigentes avaliaram que a taxa atual não é restritiva ou é apenas levemente restritiva.
Em discurso no Fórum Econômico de Istambul nesta quinta-feira, Christopher Waller reforçou a possibilidade de novas altas, mas deixou aberta a possibilidade de uma pausa em outubro. Segundo o dirigente, se os indicadores confirmarem o cenário esperado, novos aumentos serão necessários para levar a inflação à meta, mas não necessariamente em reuniões consecutivas.
Waller afirmou ainda que o mercado de trabalho permanece estável, enquanto a inflação continua elevada e sem progresso suficiente. O dirigente destacou a preocupação de que uma aceleração dos preços faça consumidores e empresas revisarem para cima suas expectativas de inflação. Com esse cenário, segundo informações da Bloomberg, os mercados já precificam cerca de 20% de chance de uma nova alta dos juros ainda neste mês e incorporam uma elevação até dezembro.
Brasil: Escala 6×1 e pesquisas eleitorais movimentam o mercado
No mercado doméstico, a atenção está voltada para a tramitação da PEC que prevê o fim da escala 6×1 no Senado e para a possibilidade de antecipação de sua votação antes do segundo turno das eleições. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, afirmou que, caso seja apresentado requerimento para quebrar o interstício após o primeiro turno ou estabelecer um calendário especial, seguirá o regimento e submeterá a decisão ao plenário.
Pelas regras da Casa, a votação em primeiro turno exige cinco sessões de discussão. A terceira está prevista para hoje. Para o segundo turno, são necessárias outras três sessões — justamente o intervalo que o governo busca reduzir. O campo governista trabalha para levar a PEC ao plenário na próxima quarta-feira (14), com votação em dois turnos. O cronograma, porém, ainda não está definido, e Alcolumbre não confirmou uma data para a apreciação da proposta.
Do outro lado, Flávio Bolsonaro e seus aliados articulam formas de retardar a tramitação. Uma das possibilidades é apresentar alterações no texto que obriguem a PEC a retornar à Câmara, dificultando sua aprovação antes do dia 25, data da eleição.
A oposição avalia que o adiamento reduziria o potencial eleitoral da proposta. Indicada para negociar com Alcolumbre a postergação da votação, a senadora Tereza Cristina (PP) esteve com o presidente do Senado na noite de ontem, mas afirmou que nada foi decidido.
Flávio Bolsonaro classifica a PEC como a “nova promessa de picanha que não ajuda ninguém” e defendeu uma proposta alternativa, baseada na flexibilização da jornada e na redução do salário proporcionalmente às menores horas trabalhadas.
Depois do avanço da Bolsa associado ao “efeito Flávio” após o primeiro turno, o mercado acompanha nesta quinta-feira a divulgação das primeiras pesquisas de intenção de voto para o segundo turno. A pesquisa PoderData, divulgada há pouco, aponta Flávio Bolsonaro com 53% dos votos válidos, contra 47% de Lula, com margem de erro de 1,8 ponto percentual.
O Datafolha também divulga sua pesquisa nesta quinta-feira, às 18h45, colocando os números eleitorais novamente no radar dos investidores.
Manchetes desta manhã
- Infraestrutura e energia devem liderar fusões e aquisições no país (Valor)
- Governo da Bahia autoriza venda de ações de estatal de gás um dia após eleição (Folha)
- Juros altos no mundo redesenham mapa de risco global e ameaçam emergentes (Estadão)
- Governo Lula avalia antecipar leilão para compra de dívidas do novo Desenrola (O Globo)
Mercado global opera sob pressão do petróleo
Em Nova York, os índices futuros operam em queda nesta quinta-feira (8), com a alta dos preços do petróleo provocando uma nova rodada de vendas de títulos e ações, ofuscando a notícia sobre o lucro recorde da fabricante de chips Samsung Electronics Co.
Os rendimentos dos títulos soberanos também pressionam os mercados, com o yield do Treasury de 10 anos avançando quatro pontos-base, para 5,32%.
Na Ásia, os mercados encerraram o pregão em baixa, pressionados pela alta do petróleo, pelos rendimentos dos títulos e pela realização em ações de tecnologia.
As tensões no Oriente Médio aumentaram os temores sobre inflação e oferta de petróleo, enquanto a ata do Fed reforçou a perspectiva de uma nova alta de juros ainda neste ano. Na China, o dia foi de perdas no retorno do feriado.
As bolsas da Europa também operam em queda nesta, pressionadas pelos temores fiscais, sobretudo na França, e pela nova alta do petróleo, que avança mais de 4% em meio às tensões no Oriente Médio.
O movimento amplia os riscos inflacionários, enquanto bancos lideram as perdas pelo segundo dia seguido e os rendimentos dos títulos da zona do euro sobem.
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Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: -0,55%
- FTSE 100: -0,37%
- CAC 40: -0,84%
- Nikkei 225: -0,37%
- Shanghai SE Comp: -0,79%
- Hang Seng: -1,43%
- Ouro (jun): +0,16%, a US$ por 4.147,17 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): +0,20%, aos 102,44 pontos
- Bitcoin: -1,49% a US$ 82.493,3
Commodities
- Petróleo: os contratos futuros voltam a disparar nesta quinta-feira, com o Brent acima de US$ 105 por barril, após relatos de que Donald Trump pode atacar o Irã antes das eleições de meio de mandato, no início de novembro. A alta também ocorre após novos ataques a embarcações no Estreito de Ormuz e a interrupção da produção de petróleo por produtores do Golfo do México devido a um furacão.
Para o Citi, o mercado continua precificando “escassez, fragilidade da oferta e risco geopolítico”, e a recuperação dos fluxos relatados em Ormuz não deve ser interpretada como sinal de um mercado bem abastecido.
Há pouco, o Brent para dezembro ganhava 5,13%, a US$ 105,34 e o WTI para novembro subia 5,02%, a US$ 92,71. - Minério de ferro: fechou em queda de 3,12% em Dalian, na China, cotado a US$ 101,80/ton.
Cenário internacional destaca tensão com Irã e juros dos EUA
Na geopolítica, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou ontem que não pretende mais buscar um acordo com o Irã, após reportagens indicarem que as Forças Armadas americanas se preparam para possíveis ataques contra o país. O cenário mantém o petróleo em níveis elevados, mesmo com as exportações de petróleo bruto do Golfo Pérsico já de volta aos patamares anteriores à guerra, segundo a Kpler. O Irã, por sua vez, continua sem exportar petróleo devido ao bloqueio americano.
No radar do Federal Reserve, Christopher Waller defendeu novas altas de juros para acelerar a convergência da inflação à meta de 2%, mas destacou que existe “alguma flexibilidade” para definir o momento dos aumentos, que não precisam ocorrer em reuniões consecutivas.
A avaliação tem como base o núcleo do índice de preços de gastos com consumo pessoal (PCE), que avançou 3% nos 12 meses até agosto, acima da meta e, segundo Waller, ainda sem apresentar progresso suficiente. Ao longo do dia, também estão previstos discursos de Neel Kashkari, presidente do Fed de Minneapolis, e Alberto Musalem, presidente do Fed de St. Louis.
Na Europa, a França anunciou a liberação de 10 milhões de barris de diesel de suas reservas estratégicas para tentar conter os preços nos postos, em meio a protestos de grande escala contra a falta de recursos para a educação.
O ambiente segue pressionado pela alta da energia. O presidente do Banco da França, Emmanuel Moulin, afirmou nesta quinta-feira que a inflação europeia é “100%” causada pela energia e que o choque geopolítico começa a se transformar em um choque financeiro.
Membro do conselho do Banco Central Europeu (BCE), Moulin destacou ainda uma “forte correlação” entre os preços do petróleo, os juros americanos de longo prazo e as taxas europeias.










