A B3 (B3SA3), operadora da principal bolsa de valores do Brasil, confirmou nesta terça-feira (19) a eleição de Christian George Egan para a presidência da companhia, concluindo o processo de sucessão iniciado após o anúncio da saída de Gilson Finkelsztain do comando da Bolsa brasileira.
Em fato relevante divulgado ao mercado, a B3 declarou que a escolha foi conduzida pelo conselho de administração “em linha com as práticas de governança da companhia e com sua estratégia de longo prazo”. A data de posse ainda não foi informada.
- Confira todos os dados operacionais da B3 e o fato relevante completo no Monitor Valores, clicando aqui!
Egan havia sido anunciado há apenas dois meses como chefe da área corporate e de banco de investimento do Santander Brasil. Como reação do mercado ao anúncio, às 10h41 (horário de Brasília), as ações da B3 (B3SA3) caíam 4,31%, cotadas a R$ 16.
Mudança ocorre em meio à reorganização no topo de grandes bancos
Egan assumirá o posto atualmente ocupado por Gilson Finkelsztain, que permanecerá na presidência da B3 até o fim do primeiro semestre para conduzir a transição considerada organizada pela companhia.
A saída do atual CEO já havia sido comunicada pela companhia em março. Na ocasião, a B3 informou que a decisão havia sido tomada em comum acordo com o conselho de administração.
A movimentação acontece em paralelo a mudanças relevantes no setor bancário brasileiro. Finkelsztain deve assumir a presidência do Santander Brasil no lugar de Mario Leão, executivo que permaneceu 11 anos no banco, sendo cinco deles como CEO.
No ano passado, Finkelsztain chegou a ser indicado para o conselho de administração do Santander Brasil, mas abriu mão da nomeação. Além da trajetória na B3, o executivo acumula passagens por instituições como Citibank, J.P. Morgan e pelo próprio Santander Brasil, onde atuou entre 2011 e 2013.
Nome de Christian Egan avança após divisões no conselho da Bolsa
A nomeação de Christian Egan contrariou parte das expectativas do mercado financeiro. Nos bastidores, Luiz Masagão, atual vice-presidente de produtos e clientes da B3, era apontado como o nome mais provável para assumir a presidência da operadora da Bolsa.
Segundo informações publicadas pelo Valor, a discussão sobre a sucessão provocou divisões dentro do conselho da companhia. Parte dos conselheiros defendia a promoção de Masagão, enquanto outro grupo demonstrava resistência ao nome do executivo. Entre os integrantes que se opunham à escolha estaria o presidente do conselho da B3, Caio Ibrahim David.
O próprio Ibrahim David chegou a ser citado nas discussões internas sobre a sucessão. A hipótese, no entanto, perdeu força. Segundo fontes ouvidas pelo Valor, apesar da extensa experiência no mercado financeiro, havia dúvidas sobre sua preparação técnica para assumir a presidência executiva da bolsa.
As mesmas fontes também apontaram possível conflito de interesses em uma eventual análise do nome de Ibrahim David pelo conselho, já que ele próprio preside o colegiado.
Bettamio também era candidato à cadeira, mas declinou
Outro executivo considerado durante o processo foi Alexandre Bettamio, que vive em Nova York há 12 anos e retornará ao Brasil para assumir o cargo de co-chair global de corporate e investment banking do Bank of America (BofA).
De acordo com fontes citadas pelo Valor, Bettamio chegou a receber convite para comandar a B3, mas recusou a proposta.
As informações apontam ainda que o executivo era visto como o nome preferido de Caio Ibrahim David após a desistência de sua própria candidatura e vinha sendo defendido pelo presidente do conselho como alternativa à promoção de Masagão.
Com a negativa de Bettamio, parte dos conselheiros que rejeitavam a indicação de Masagão passou a enxergar Christian Egan como uma solução intermediária para liderar a Bolsa.
- Os bastidores do mercado direto no seu e-mail! Assine grátis e receba análises que fazem a diferença no seu bolso.
Passagem pelo Itaú aproximou Egan da B3
Christian Egan e Caio Ibrahim David trabalharam juntos no Itaú e no Itaú BBA, braço de investimentos do banco.
Egan permaneceu 11 anos no grupo e, nos quatro anos mais recentes, ocupou o cargo de chefe global de markets e treasury. No mesmo período, Ibrahim David exerceu funções como vice-presidente executivo do Itaú e presidente do Itaú BBA.











