Os produtores dos Estados Unidos aceleraram a retirada de soja e milho do campo na última semana, mas as lavouras ainda em desenvolvimento apresentam qualidade inferior à observada no mesmo período de 2025, segundo o relatório Crop Progress, do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
Os dados divulgados nesta segunda-feira (28), por meio do Serviço Nacional de Estatísticas Agrícolas (NASS), servem de referência para acompanhar de perto o mercado de soja e milho.
O documento combina duas informações sensíveis para o setor: o percentual já colhido e a proporção de áreas classificadas como boas ou excelentes. O ritmo de campo supera o habitual para a época, ao mesmo tempo em que as condições das plantações ficam atrás das registradas na safra anterior.
Efeito ambíguo sobre a oferta de soja e milho
O avanço mais rápido da colheita tende a ampliar a disponibilidade de curto prazo e pode pressionar as cotações futuras negociadas em Chicago. Já a piora na qualidade das áreas remanescentes levanta dúvidas sobre o potencial produtivo final da safra norte-americana, fator que costuma dar suporte aos preços.
Soja e milho são as duas principais culturas em área plantada nos Estados Unidos e têm peso decisivo na formação dos preços internacionais. Revisões nas expectativas de oferta norte-americana repercutem nas bolsas de Chicago e, por consequência, nos prêmios de exportação pagos a produtores brasileiros e argentinos.
A qualidade abaixo da registrada em 2025 ocorre em um momento de atenção redobrada à demanda internacional, especialmente da China, principal compradora de soja dos EUA. Nas últimas semanas, produtores norte-americanos têm pressionado por compromissos chineses de importação em meio às negociações comerciais entre Washington e Pequim, tema que adiciona volatilidade ao mercado.
Para o setor, o dado do USDA reforça a necessidade de acompanhar tanto o percentual colhido quanto a evolução das condições das lavouras nas próximas semanas. Um ritmo acelerado de colheita tende a pressionar os contratos de curto prazo, enquanto uma deterioração adicional da qualidade pode reverter esse movimento e sustentar as cotações. A leitura combinada dos dois indicadores será determinante para o posicionamento dos fundos na reta final da safra norte-americana.










