A dívida pública do Brasil deve seguir em trajetória de alta nos próximos anos e alcançar 100% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2027, em meio a um cenário de fragilidade fiscal, segundo projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgadas nesta quarta-feira (15).
Neste ano, a dívida deve fechar em 96,5% do PIB e avançar ano a ano até atingir 106,5% do PIB em 2031, horizonte mais longo das projeções da instituição. As estimativas constam no relatório Monitor Fiscal, que avalia a situação das contas públicas de diversos países.
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Os dados do FMI, no entanto, diferem dos números divulgados pelo governo brasileiro. Pela metodologia nacional, a dívida bruta fechou 2025 em 78,7% do PIB e avançou para 79,2% do PIB em fevereiro, segundo o Banco Central (BC). Nos cálculos do FMI, o Brasil fechou o último ano com dívida de 93,3% do PIB.
A diferença ocorre porque o FMI inclui na conta os títulos do Tesouro Nacional que estão na carteira do Banco Central, o que não é considerado na metodologia brasileira.
Projeções do FMI pioraram em relação ao cenário anterior
As estimativas atuais representam uma revisão negativa frente ao relatório anterior emitido pelo FMI. Em outubro, o Fundo projetava que a dívida brasileira encerraria este ano em 95% do PIB e sequer chegaria a 100% nos anos seguintes.
Naquele cenário, a previsão era de dívida de 97% do PIB em 2027 e estabilidade próxima de 98% do PIB a partir de 2028.
Também houve mudança relevante nas projeções fiscais. Antes, o FMI estimava um déficit primário de 0,4% do PIB em 2026, seguido de superávit de 0,3% em 2027 e avanço até 1,4% do PIB em 2030.
Agora, a projeção é de déficit primário de 0,5% do PIB neste ano, com leve melhora para 0,1% em 2027 e avanço gradual até 0,6% do PIB em cinco anos.
Resultado fiscal mais fraco pressiona dívida
A piora nas projeções do FMI está relacionada à expectativa de resultados fiscais mais fracos. O resultado primário (diferença entre receitas e despesas do governo, sem considerar os juros) deve permanecer negativo ou próximo do equilíbrio nos próximos anos.
Já o resultado nominal, que inclui os gastos com juros da dívida, também tende a seguir pressionado. Esse conjunto de fatores contribui para o aumento contínuo do endividamento.
Dívida pública do Brasil é uma das maiores entre países emergentes
Além das projeções, o Monitor Fiscal revela que o nível de dívida do Brasil também supera a média dos países emergentes, estimada em 78,9% do PIB neste ano. Entre os 36 países analisados, o Brasil aparece com a quarta maior projeção de endividamento.
O país fica atrás apenas de Bahrein (152,4% do PIB), Ucrânia (122,6% do PIB) e China (106,9% do PIB), segundo o relatório.
O FMI destaca que, enquanto o Brasil deve manter déficits elevados, outros emergentes, como Argentina e Índia, tendem a reduzir ou estabilizar suas dívidas. Esse movimento é atribuído ao crescimento nominal mais forte e a processos de consolidação fiscal nessas economias.
Dinâmica global
O relatório também aponta que, nas últimas duas décadas, países emergentes conseguiram construir estruturas econômicas mais resilientes, capazes de absorver choques — como os observados durante a pandemia e os efeitos recentes associados ao choque de petróleo decorrente da guerra no Irã.
Entre os fatores citados estão a adoção de bancos centrais independentes, regimes de metas de inflação, fortalecimento das regras fiscais e o desenvolvimento de mercados de dívida em moeda local, reduzindo a dependência de financiamento externo.
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FMI alerta para reforço do marco fiscal
Apesar desses avanços, o Fundo alerta que muitos países ainda precisarão reforçar suas políticas fiscais, com maior adesão a metas de equilíbrio estrutural.
No caso do Brasil, o FMI recomenda fortalecer o arcabouço fiscal com âncoras de médio prazo mais rígidas, com o objetivo de aumentar a credibilidade e garantir a sustentabilidade da dívida pública.
“As âncoras fiscais de médio prazo precisarão ser reforçadas para conter as pressões pró-cíclicas”, afirmou o FMI











