O Comitê de Política Monetária (Copom) deve anunciar às 18h30 desta quarta-feira (29), um corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros, a Selic, levando os juros para 14,5% ao ano. A decisão já é amplamente esperada pelo mercado, após sinalização do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, do início de um processo de calibração diante do nível elevado dos juros.
A decisão ocorre em um ambiente que soma inflação ainda pressionada, atividade resiliente e aumento das incertezas externas. Por isso, mais do que ao comunicado em si, o mercado volta suas atenções para o tom da comunicação, com o choque recente nos preços de energia e o agravamento das tensões geopolíticas como pano de fundo para qualquer sinalização de flexibilização da política monetária no curto prazo.
- Investir sem estratégia custa caro! Garanta aqui seu plano personalizado grátis e leve seus investimentos ao próximo nível.
Nesse contexto, especialistas afirmam que o corte da Selic deve ter efeito limitado e sem alterações no cenário econômico no curto prazo. Para o advogado tributarista e especialista em investimentos, André Peniche, o movimento [de ajuste dos juros] tem caráter mais simbólico neste momento:
“A redução de 0,25 ponto percentual na Selic tem um caráter mais sinalizador do que transformacional neste momento. O nível da taxa ainda permanece significativamente restritivo em termos reais, o que mantém o crédito caro e a economia em ritmo moderado”, avalia
Além disso, o especialista destaca que há uma defasagem natural da política monetária, de forma que os efeitos dos juros levem meses para se refletir na atividade econômica.
Corte dos juros não terá impacto imediato sobre a economia
Peniche avalia que a recente redução de 0,25 ponto percentual marcou o início de um possível ciclo de flexibilização monetária, mas sem impacto relevante imediato sobre a economia. Isso porque, mesmo após o corte, os juros permanecem em patamar elevado, mantendo o crédito caro e limitando uma retomada mais consistente do consumo e dos investimentos.
Agora, o movimento é interpretado pelo mercado como um sinal inicial de mudança de direção, mas ainda sem impacto imediato sobre a dinâmica econômica. O contexto reforça a postura cautelosa do Banco Central, que segue atento a fatores internos e externos.
No Brasil, ressalta o especialista, as incertezas fiscais ainda pressionam as expectativas de inflação, que, de acordo com o Boletim Focus do Banco Central, estão projetadas em torno de 4,86% para 2026, conforme atualização nesta segunda-feira (27).
Renda fixa segue dominante nas carteiras de investimento
Peniche explica que, apesar do início do ciclo de queda, a renda fixa continua como principal escolha dos investidores. Isso porque o nível ainda elevado dos juros garante retornos reais atrativos, acima da inflação, em produtos como Tesouro Direto, CDBs e crédito privado, que mantém uma relação risco-retorno favorável frente a ativos mais voláteis.
Nesse cenário, a migração para outras classes de ativos tende a ocorrer de forma gradual, acompanhando o ritmo dos cortes de juros. Para os investidores, o momento exige uma estratégia mais equilibrada.
“Não se trata mais de escolher entre risco e segurança, mas de construir uma carteira equilibrada. A renda fixa continua sendo uma base importante de proteção e retorno, mas é fundamental começar a incorporar ativos que tragam diversificação e potencial de valorização no médio e longo prazo,” segundo Peniche.
O tributarista explica ainda que o ambiente global adiciona complexidade a essa equação, uma vez que, com juros elevados nos Estados Unidos, ativos dolarizados ganham atratividade, combinando remuneração e previsibilidade institucional.
- A informação que os grandes investidores usam – no seu WhatsApp! Entre agora e receba análises, notícias e recomendações.
Diante desses fatores, para Peniche, a combinação de fatores domésticos e externos torna o planejamento ainda mais relevante em 2026, quando a alocação internacional deixa de ser complementar e passa a ser um pilar na construção patrimonial.
“Em um cenário de incerteza e juros ainda elevados, o investidor precisa olhar para diversificação, proteção cambial e eficiência tributária como elementos centrais da sua estratégia”, alerta o especialista.











