A 630 km de São Luís, na divisa do Maranhão com o Tocantins e o Pará, Imperatriz é hoje a segunda maior cidade do estado. Fundada em 16 de julho de 1852 pelo Frei Manoel Procópio do Coração de Maria, recebeu o nome em homenagem à Imperatriz Teresa Cristina, esposa de Dom Pedro II, e ganhou os apelidos de Portal da Amazônia e Princesa do Tocantins.
Da Colônia Militar de Santa Teresa à Princesa do Tocantins
O carmelita baiano Frei Manoel Procópio, nascido em 1810, era capelão da expedição que partiu do porto de Belém em 26 de junho de 1849. Avançou tanto rio acima pelo Tocantins que cruzou a fronteira e fundou o povoado em território maranhense. A povoação recebeu o nome de Colônia Militar de Santa Teresa do Tocantins.
Segundo a Prefeitura Municipal de Imperatriz, em 27 de agosto de 1856 a Lei 398 criou a Vila Nova de Imperatriz. O nome foi simplificado pela população nas décadas seguintes e oficializado pela Lei Provincial 631 em 5 de dezembro de 1862. A elevação a cidade veio em 22 de abril de 1924, no governo de Godofredo Mendes Viana.

O cotidiano em uma cidade que cresceu 5.500% em 70 anos
Em 1950, o município tinha apenas 5.015 habitantes e cinco estabelecimentos comerciais. O isolamento secular rendeu o apelido de Sibéria do Nordeste. Tudo mudou em 1958 com a construção da Rodovia Belém-Brasília (BR-010), parte do plano de metas do presidente Juscelino Kubitschek, que conectou a cidade a Belém, Brasília e Goiânia.
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Famílias do Piauí, Ceará, Pernambuco, Paraíba, Goiás e Minas Gerais migraram em busca de terra e trabalho. Nos anos 1970, Imperatriz já era considerada uma das cidades mais progressistas do Brasil, atravessando ciclos sucessivos do arroz, da madeira, do ouro, da pecuária e, mais recentemente, do agronegócio de grãos e da indústria de celulose. O Censo 2022 do IBGE contabilizou 273.110 moradores.

Por que essa cidade virou Portal da Amazônia?
A localização estratégica entre o Cerrado, a Amazônia e o Vale do Tocantins deu à cidade o título de Portal da Amazônia e Capital da Energia. O município exerce influência econômica sobre o sudoeste maranhense, o norte do Tocantins e o leste do Pará, formando uma região com população flutuante superior a 1 milhão de pessoas.
O Aeroporto Prefeito Renato Moreira, a 4 km do centro, é a porta de entrada aérea para a Chapada das Mesas, em Carolina, a 220 km. A Ferrovia Norte-Sul, inaugurada em 1996, liga a cidade a Açailândia e Porto Nacional (TO), com transporte de cargas operado pela VLI Multimodal.
O que visitar entre praias fluviais Beira-Rio e Chapada das Mesas?
As atrações se distribuem entre o centro urbano, a orla do Rio Tocantins e as cidades vizinhas. Três a quatro dias dão para conhecer com calma.
- Avenida Beira-Rio: calçadão com cerca de 10 km às margens do Rio Tocantins, com ciclovia, praças, bares, restaurantes e a Concha Acústica inaugurada em 2021.
- Praia do Cacau: principal praia fluvial, fica a 4 km do centro e aparece entre julho e setembro com a vazante do rio, segundo o programa “Verão da Prefs” da Prefeitura.
- Praia do Meio: ilha de areia clara no meio do Tocantins, acessada por barco a partir do centro durante a estiagem.
- Igreja de Santa Teresa d’Ávila: inaugurada em 1937, substituiu a capela construída por Frei Manoel Procópio em 1852, com decoração em tijolos à vista.
- Parque Nacional da Chapada das Mesas: a 200 km, em Carolina, abriga a Pedra Caída, a Cachoeira de São Romão e as Três Marias, com Imperatriz como base logística.
- Ponte Dom Afonso Felipe Gregory: estaiada de 1 km com vão de 140 m sobre o Tocantins, inaugurada em 2010, liga o Maranhão ao Tocantins.
- Freitas Park Aquático: um dos mais modernos do Maranhão, com piscina de ondas, toboáguas, rio artificial e mais de 30 mil sócios.
- Mercado Municipal: ponto para provar produtos regionais como o arroz de cuxá, a farinha de puba e o guaraná Jesus.
Quem deseja conhecer os pontos turísticos mais visitados da cidade de Imperatriz, no Maranhão, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Cristiane Siqueira, que conta com quase 8 mil visualizações, onde são apresentadas algumas das atrações mais emblemáticas da cidade.
A gastronomia entre peixes do Tocantins e panelada
A culinária local mistura tradição maranhense, herança migrante e os peixes do Rio Tocantins. Os melhores pontos ficam na Avenida Beira-Rio e no Mercado Municipal.
- Peixes do Tocantins: tucunaré, tambaqui e filhote preparados na folha de bananeira, fritos ou em moqueca, acompanhados de farinha d’água.
- Panelada: prato típico imperatrizense feito com arroz, farinha de puba, pimenta, limão e vísceras de gado, vendido em barraquinhas o dia todo.
- Arroz de cuxá: prato símbolo do Maranhão à base de vinagreira, gergelim e camarão seco, presente no Mercado Municipal.
- Guaraná Jesus: refrigerante rosa típico do estado, presente em qualquer mesa imperatrizense.
Como é o clima ao longo do ano no sul maranhense?
O clima tropical quente e úmido tem duas estações bem definidas. A seca, de junho a setembro, traz as praias fluviais e é a melhor janela para visitar. A chuvosa, de janeiro a abril, concentra a maior parte da precipitação anual.
| Estação | Meses | Temperatura | Chuva | O que fazer |
|---|---|---|---|---|
| Verão | Dez-Fev | 23-33°C | Alta | Beira-Rio e Freitas Park |
| Outono | Mar-Mai | 23-32°C | Alta | Mercado Municipal e centro histórico |
| Inverno | Jun-Ago | 22-34°C | Baixa | Praias do Tocantins e Chapada das Mesas |
| Primavera | Set-Nov | 23-36°C | Baixa | Praia do Cacau e Praia do Meio |
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar ao Portal da Amazônia
O Aeroporto Prefeito Renato Moreira, a 4 km do centro, recebe voos diários da Gol e Azul a partir de São Paulo, Brasília e Belém. De carro, a cidade fica a 630 km de São Luís pela BR-222, cerca de 11 horas, e a 600 km de Teresina. A BR-010 (Belém-Brasília) é o eixo histórico que cortou o isolamento da cidade em 1958. Carolina, base da Chapada das Mesas, fica a 220 km pela BR-010.
Conheça a cidade que saiu do isolamento e virou polo do norte do Brasil
Poucas cidades no Brasil conseguem reunir crescimento populacional de 5.500% em 70 anos, praias de água doce no maior rio do Norte e acesso direto à Chapada das Mesas em um só território. O sul maranhense entrega tudo isso a quem busca o ponto onde o Cerrado encontra a Amazônia.
Você precisa caminhar pela Avenida Beira-Rio no entardecer e entender por que essa cidade saiu do apelido de Sibéria do Nordeste para virar Portal da Amazônia em poucas décadas.









