Localizada no Vale do Ribeira, no sul de São Paulo, a cidade de Pariquera-Açu — cujo nome de origem tupi significa “grande cercado de peixes” — é reconhecida como a Capital das Plantas Ornamentais. O município integra a Reserva da Biosfera da Mata Atlântica da UNESCO e abriga o Parque Estadual Campina do Encantado, uma unidade de conservação com 3.200 hectares situada entre os rios Pariquera-Açu e Pariquera-Mirim. Além de sua forte vocação para o ecoturismo, com destaque para o Circuito Lagamar SP de Cicloturismo, a cidade possui patrimônio arquitetônico histórico, como a Casa de Pedra, construída em 1905 pelo imigrante alemão Rodolpho Harzer. O município, que conta com cerca de 20 mil habitantes, foi emancipado em 11 de janeiro de 1901.
Do pouso de Guaricana em 1860 à Colônia dos cinco povos europeus
A história de Pariquera-Açu remonta ao século XVIII, quando a comunicação entre o litoral de Iguape e as minas de ouro de Xiririca (hoje Eldorado) era feita por via fluvial no Rio Ribeira ou por tropas de burros pelas trilhas do sertão. Segundo divulgação do portal oficial do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), havia um pouso à margem do Rio Pariquera-Açu, conhecido primeiramente apenas como Pousada. Em torno dele nasceu um pequeno povoado. Por causa da abundância da palmeira nativa Guaricana, o núcleo passou a receber essa denominação e virou o segundo nome da localidade. Muitos anos se passaram sem mudanças significativas até que, por volta de 1860, o governo provincial de São Paulo estabeleceu diversas colônias para fixação do imigrante europeu no território paulista, criando a Colônia Pariquera-Açu ao lado da aldeia de Guaricana.
O projeto colonial só se materializou trinta e cinco anos depois. Os primeiros colonizadores europeus chegaram em 1895 e transformaram profundamente o perfil demográfico da região. Segundo divulgação de portais especializados, cinco nacionalidades marcaram a colonização: poloneses, italianos, húngaros, alemães e suíços. Cada grupo desenvolveu suas lavouras e trouxe elementos culturais, religiosos, gastronômicos e arquitetônicos das terras de origem. Em 11 de janeiro de 1901, o Congresso do Estado de São Paulo emancipou diversos núcleos coloniais, incluindo Pariquera-Açu. Oito anos depois, em 1909, foram distribuídos os primeiros títulos de propriedade aos colonos. O pequeno núcleo colonial se desenvolveu com facilidade, por não ter problemas fundiários nem terras improdutivas, e cresceu sobre a base agrícola de modelo europeu. A construção da Estrada de Ferro Santos-Juquiá, entre 1900 e 1920, ligando a região com o planalto paulista e o porto marítimo, consolidou a vocação regional.

A Casa de Pedra alemã de 1905 e o pouso dos peixes gigantes
A grande curiosidade cultural de Pariquera-Açu está em uma edificação centenária. Segundo divulgação do portal oficial da Secretaria Municipal de Turismo, a Casa de Pedra foi construída em 1905 pelo imigrante alemão Rodolpho Harzer, em estilo europeu, próxima às montanhas, matas exuberantes e cachoeiras do Vale do Ribeira. A construção em pedra bruta ainda preserva o traçado original germânico do início do século XX e é hoje um dos principais pontos turísticos do município. Ao redor foi organizado o Parque Municipal Casa de Pedra, com infraestrutura para receber visitantes, quiosques com churrasqueiras, quadras de vôlei e futebol society, camping e trilhas. A área é considerada patrimônio arquitetônico e uma das expressões mais bem preservadas da colonização alemã no interior paulista.
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A curiosidade linguística que dá nome ao município é igualmente fascinante. Segundo divulgação do IBGE, a palavra Pariquera-Açu vem do Tupi antigo e significa grande cercado de peixes, arruinado. Outra tradução conhecida é armadilha para pegar peixes grandes, referência às técnicas de pesca ancestrais praticadas pelos povos originários que ocupavam o vale antes da chegada dos portugueses. A herança tupi convive na cidade com a colonização europeia de cinco povos, criando uma identidade cultural única no Vale do Ribeira. As tradições dos imigrantes são celebradas anualmente na Festa das Nações, evento cultural que combina apresentações folclóricas, culinária internacional, música típica e desfile de trajes tradicionais dos cinco grupos que consolidaram o município.

O que fazer entre o Parque Casa de Pedra e a Campina do Encantado
Pariquera-Açu combina turismo cultural, ecoturismo, patrimônio arquitetônico e trilhas na Mata Atlântica em roteiros compactos. Reserve pelo menos dois dias para o essencial e um extra para incluir o Circuito Lagamar.
- Casa de Pedra: edificação alemã de 1905 construída por Rodolpho Harzer em estilo europeu, hoje coração do Parque Municipal homônimo.
- Parque Estadual Campina do Encantado: unidade de conservação de 3.200 hectares criada em 1994, com centro de visitantes e viveiro de plantas nativas.
- Estação Ecológica de Chauás: área de proteção da Mata Atlântica voltada à conservação da fauna e flora nativa da região.
- Igreja Matriz: templo religioso central da cidade, marco arquitetônico da consolidação urbana pós-colonial.
- Festa das Nações: evento cultural anual que celebra as tradições dos cinco povos europeus que fundaram o município.
- Circuito Lagamar SP: rota de cicloturismo que conecta Pariquera-Açu a Cananéia, Iguape e Ilha Comprida pela costa sul.
- Núcleo de Visitação Campina do Encantado: sala audiovisual, alojamento para pesquisadores, quiosques e estação meteorológica computadorizada.
Este vídeo do canal Rota 408 – Cidades do Brasil, com 30 mil visualizações, apresenta um passeio pela cidade de Pariquera-Açu (SP), localizada no Vale do Ribeira.
O Parque Estadual de 3.200 hectares no Vale do Ribeira
O grande espetáculo natural de Pariquera-Açu está no Parque Estadual Campina do Encantado. Segundo divulgação de portais oficiais especializados, a unidade de conservação foi criada pela Lei Estadual nº 8.873, de 16 de agosto de 1994, com área de 3.200 hectares. O parque fica entre os rios Pariquera-Açu e Pariquera-Mirim, no vale inferior do Rio Ribeira de Iguape, e é gerido pelo Instituto Florestal e pela Fundação Florestal, órgãos vinculados ao Governo do Estado. Não há moradores dentro do perímetro, embora exista pressão constante das comunidades vizinhas. O foco principal é a educação ambiental. O Núcleo de Visitação conta com sala audiovisual para cursos e eventos ambientais, alojamento para pesquisadores e técnicos, quiosques com churrasqueiras, tanque de peixes nativos, viveiro de plantas nativas e estação meteorológica computadorizada. A vegetação, que foi ocupada por propriedades privadas há décadas, se regenerou completamente após a criação do parque.
A localização estratégica no Vale do Ribeira transforma Pariquera-Açu em ponto de apoio ideal para explorar a região reconhecida pela UNESCO como Reserva da Biosfera Mata Atlântica. A partir da cidade, o visitante acessa a Região do Lagamar, considerado um dos ecossistemas mais bem preservados do planeta, que abrange também Cananéia, Iguape e Ilha Comprida, com praias, ilhas, manguezais e comunidades tradicionais. A proximidade com Iporanga e Eldorado permite conhecer cavernas de relevância mundial, como as do Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira (PETAR) e a famosa Caverna do Diabo. O município integra oficialmente o Mapa do Turismo Brasileiro (SISMAPA), ferramenta nacional que orienta políticas públicas para o setor.
Como é o clima e a melhor época para visitar
Pariquera-Açu tem clima subtropical úmido de vale, típico do Vale do Ribeira. As temperaturas variam entre 12°C nas madrugadas de julho e 30°C nas tardes de janeiro. Segundo dados de referência do Climatempo, a média mensal de chuva em junho é de 82 mm, revelando distribuição relativamente elevada mesmo no inverno. As chuvas são bem distribuídas ao longo do ano, sem estação seca marcada, e a umidade é alta durante todas as estações por causa da Mata Atlântica preservada da região. As geadas são raras no vale, mas ocorrem nas madrugadas mais frias de julho. Para conhecer o Parque Estadual Campina do Encantado e a Casa de Pedra, o outono e a primavera são as melhores estações, com temperaturas amenas e menor volume de chuvas.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Para chegar a Pariquera-Açu, o acesso principal é pela Rodovia Régis Bittencourt (BR-116). De São Paulo, o percurso é de aproximadamente 190 km em cerca de 3 horas. De Registro, cidade vizinha, são 20 km em cerca de 25 minutos. De Curitiba, o percurso é de 220 km em cerca de 4 horas. O Aeroporto Internacional de Guarulhos (GRU) é a porta aérea comercial mais próxima, com voos de todas as capitais brasileiras. Alternativamente, o Aeroporto Afonso Pena, em Curitiba, é outra opção viável. Ônibus rodoviários com saídas diárias conectam a cidade a São Paulo, Registro, Cananéia, Iguape e Curitiba. Dentro do município, o carro é a melhor opção para explorar as áreas de conservação e chegar ao Parque Casa de Pedra.
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Pariquera-Açu guarda um pedaço raro do Vale do Ribeira, onde 125 anos de emancipação convivem com o significado tupi de grande cercado de peixes, uma Casa de Pedra alemã construída por Rodolpho Harzer em 1905 e o Parque Estadual Campina do Encantado com 3.200 hectares de Mata Atlântica. Poucos destinos combinam a Colônia Pariquera-Açu fundada em 1860 e ocupada por cinco povos europeus a partir de 1895, o Circuito Lagamar SP de Cicloturismo e a chancela da Reserva da Biosfera Mata Atlântica reconhecida pela UNESCO.











