O Santander Brasil (SANB11) divulgou na manhã desta quarta-feira (4) que obteve lucro líquido recorrente de R$ 4,08 bilhões no quarto trimestre de 2025, resultado que representa alta de 1,9% em relação ao trimestre anterior e um crescimento de 6% na comparação anual.
O desempenho ficou 1,3% acima da média das projeções de analistas, compiladas pela LSEG, que indicavam lucro de R$ 4,033 bilhões. Segundo o banco, este foi o maior resultado trimestral dos últimos quatro anos.
Já o lucro líquido contábil, que considera efeitos não recorrentes, somou R$ 4,02 bilhões entre outubro e dezembro, com avanço de 1,9% no trimestre e 7,4% em 12 meses.
No acumulado de 2025, o Santander apurou lucro recorrente de R$ 15,61 bilhões, que corresponde ao crescimento de 12,1% em relação a 2024.
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Às 11h40 (horário de Brasília), as ações SANB11 registravam queda de 1,17%, negociadas a R$ 35,52.
Inadimplência avança em todos os segmentos
A inadimplência acima de 90 dias ficou em 3,7% no quarto trimestre, ante 3,4% em setembro e 3,2% em dezembro de 2024.
Entre pessoas físicas, o índice subiu para 4,6%, enquanto em relação às pessoas jurídicas, ficou em 2,4%. No segmento de PMEs, a inadimplência chegou a 5,9%, enquanto em grandes empresas permaneceu em 0,2%.
A inadimplência de curto prazo (15 a 90 dias) foi de 4% em dezembro.
Segundo dados divulgados pelo banco, a carteira de crédito renegociada somava R$ 49,4 bilhões, com alta de 9,3% no trimestre e 1,4% em 12 meses.
“Passamos a incluir renegociações de operações com atraso inferior a 30 dias, tal movimento explica o incremento no trimestre de 9,4%”, afirma o banco.
Operações de mercado pesam sobre os resultados do Santander
A margem financeira bruta, que representa o ganho do banco com operações de crédito e captação, totalizou R$ 15,33 bilhões no quarto trimestre. Os números revelam um avanço de 0,8% no trimestre, mas queda de 4% na comparação anual.
A margem financeira com clientes somou R$ 16,81 bilhões, com alta de 1,6% em relação ao terceiro trimestre e crescimento de 6,6% em 12 meses. Dentro dessa linha, a margem com produtos atingiu R$ 15,99 bilhões, avanço de 1,5% no trimestre e 5,4% em um ano.
O volume médio ficou em R$ 617,7 bilhões, crescimento de 3,1% na base trimestral e 3,6% em 12 meses. O spread bancário, que mede a diferença entre a taxa cobrada do cliente e o custo de captação, caiu 0,17 ponto percentual no trimestre, mas subiu 0,18 ponto em um ano, para 10,67%.
“No trimestre, a margem com clientes cresceu 1,6%, beneficiada pela margem de crédito, em que tivemos aumento de volume médio, principalmente em produtos de menor risco, impactando negativamente o spread. A margem de captação também apresentou melhora, tanto por volume quanto por mix, mais do que compensando a queda de dias úteis no trimestre”, apontou o Santander.
Já a margem de operações com o mercado, que inclui resultados de tesouraria e instrumentos financeiros, ficou negativa em R$ 1,48 bilhão, revelando uma piora de 10,3% no trimestre e revertendo o saldo positivo de R$ 198 milhões registrado no quarto trimestre de 2024.
Impacto regulatório aparece no resultado anual
As despesas líquidas com provisões para devedores duvidosos (PDD) somaram R$ 6,1 bilhões no quarto trimestre de 2025, queda de 6,4% em relação ao terceiro trimestre, mas 2,9% maior na comparação anual.
O resultado é composto por despesas brutas de R$ 6,76 bilhões e um ganho de R$ 644 milhões com recuperação de créditos anteriormente baixados como prejuízo.
“O resultado de PDD gerencial totalizou R$ 6,1 bilhões no quarto trimestre, queda de 6,4% no trimestre, em especial como reflexo da aceleração da cobertura realizada ao longo do ano e a ausência de efeitos pontuais relevantes, como casos específicos do atacado. Na comparação anual, o aumento foi de 2,9%, impactado tanto pelo cenário macroeconômico como pela implementação da Resolução CMN nº 4.966/21”, informou o banco.
O índice de cobertura da carteira em estágio 3 subiu para 66,4%, ante 66,2% no terceiro trimestre.
Receitas com serviços crescem com cartões, seguros e previdência
As receitas de prestação de serviços e tarifas bancárias totalizaram R$ 5,75 bilhões no quarto trimestre, com alta de 3,6% em três meses e 4,3% na comparação anual.
Segundo o Santander, o desempenho foi sustentado principalmente pelo crescimento das receitas de cartões (+7,2%), seguros (+4,9%) e fundos e previdência (+4,5%).
As despesas gerais somaram R$ 6,633 bilhões, com alta de 3,3% no trimestre e queda de 2,0% em um ano. Os gastos administrativos atingiram R$ 3,589 bilhões, enquanto as despesas com pessoal ficaram em R$ 3,044 bilhões.
O índice de eficiência, que mede a relação entre despesas e receitas — quanto menor, melhor — ficou em 38,8%, ante 37,5% no trimestre anterior.
O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) ajustado ficou em 17,6%, praticamente estável. Já o índice de Basileia, indicador de solidez de capital, alcançou 15,4%.
Carteira de crédito avança com PMEs e consumo
O Santander encerrou o mês de dezembro com R$ 708,2 bilhões na carteira de crédito ampliada, que inclui títulos privados, avais e fianças. O saldo cresceu 2,8% no trimestre e 3,7% em 12 meses.
A carteira restrita somou R$ 566,1 bilhões, com alta de 2,9% no trimestre e 3% na comparação anual.
O crédito para pequenas e médias empresas (PMEs) atingiu R$ 86,1 bilhões, evidenciando o crescimento de 5,4% no trimestre e 12,3% em 12 meses.
A carteira de pessoas físicas, principal segmento do banco, totalizou R$ 253,1 bilhões, com alta de 1,6% no trimestre e queda de 0,6% em um ano. Já o financiamento ao consumo avançou 13% em 12 meses, para R$ 93,8 bilhões.
Compra do Webster Financial amplia presença do grupo nos EUA
O Santander anunciou a aquisição do Webster Financial, operação que fortalece a presença do grupo espanhol nos Estados Unidos. A avaliação patrimonial implícita do negócio é de aproximadamente US$ 12,3 bilhões.
A transação ocorrerá mediante o pagamento de US$ 48,75 em dinheiro e 2,0548 ADRs do Santander por ação do Webster.
Segundo o banco, “a franquia combinada estará entre as 3 mais eficientes entre os 25 maiores bancos dos EUA e entre as 5 mais lucrativas até 2028”.
A instituição afirmou ainda que “a transação ajudará a impulsionar retornos incrementais e crescimento orgânico acima do nosso plano estratégico atual”.
A equipe conjunta para liderar a integração será conduzida por John Ciulla, como CEO da Webster, e Luis Massiani, como chefe de integração. As ações do Santander recuavam em Madri no dia do anúncio.
Santander reduz rede física e quadro de pessoal
O Santander Brasil encerrou dezembro de 2025 com 73,9 milhões de clientes, crescimento de 1,5% no trimestre e 6% em 12 meses.
Neste trimestre, o banco não divulgou os números de clientes ativos nem de clientes principais, métrica que considera transacionalidade, crédito de longo prazo e investimentos.
O NPS (índice de satisfação dos clientes) ficou em 60 pontos em pessoa física, com queda de 1 ponto no trimestre e 3 pontos em um ano. Em pessoa jurídica, o NPS foi de 49 pontos, recuo de 3 pontos no trimestre.
“Temos focado na hiperpersonalização, com 60% das interações de Pessoa Física baseadas no comportamento e momento de vida dos clientes”, informou o banco.
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A rede de agências foi reduzida em 26,1% em 2025, para 916 unidades. Os postos de atendimento caíram 25,0%, para 769 pontos, enquanto os caixas eletrônicos próprios diminuíram 21,1%, para 6.006 unidades.
O número de funcionários encolheu 10,8% em 2025, para 49.661 pessoas. Segundo o Santander, “1,6 mil funcionários foram migrados para a SSD, empresa do grupo, alinhado à estratégia de criação de plataformas globais de serviços”.






