A Alphabet (Nasdaq: GOOGL), controladora do Google, divulgou nesta quarta-feira (4) que obteve lucro líquido de US$ 34,4 bilhões no quarto trimestre de 2025, representando uma alta de 29,8% em relação ao mesmo intervalo do ano passado, acima das expectativas do mercado.
Entre outubro e dezembro, a companhia registrou lucro por ação de US$ 2,82, superando a projeção de US$ 2,63 dos analistas consultados pela FactSet. No mesmo período do ano anterior, o lucro por ação era de US$ 2,15.
A receita trimestral somou US$ 113,83 bilhões, crescimento de 18% na comparação anual e acima da estimativa de US$ 111,32 bilhões. Foi a segunda vez consecutiva que a empresa superou a marca de US$ 100 bilhões em faturamento trimestral.
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Em carta aos acionistas, o Diretor-Presidente da Alphabet, Sundar Pichai, destacou os avanços da companhia em inteligência artificial.
“Foi um trimestre excepcional para a Alphabet, e as receitas anuais ultrapassaram US$ 400 bilhões pela primeira vez. O lançamento do Gemini 3 foi um marco importante e temos um ótimo impulso. Nossos modelos próprios, como o Gemini, agora processam mais de 10 bilhões de tokens por minuto por meio do uso direto da API por nossos clientes, e o aplicativo Gemini cresceu para mais de 750 milhões de usuários ativos mensais. A Busca registrou mais uso do que nunca, com a IA continuando a impulsionar um momento de expansão”, afirmou Pichai.
Resultado anual avança em marca recorde
No acumulado de 2025, a Alphabet registrou lucro líquido de US$ 132,2 bilhões, valor que corresponde à alta de 32% em relação aos US$ 100,1 bilhões apurados em 2024.
Já a receita anual alcançou US$ 402,8 bilhões, marcando um aumento de 15% frente aos US$ 350 bilhões do ano anterior. Essa foi a primeira vez que a companhia superou o patamar de US$ 400 bilhões em receita anual.
Projeção de gastos preocupa investidores e impacta ações
Apesar dos resultados acima do esperado, o foco dos investidores se voltou para a projeção de investimentos de capital. A Alphabet informou que espera investir entre US$ 175 bilhões e US$ 185 bilhões em 2026, quase o dobro dos US$ 91,45 bilhões aplicados em 2025.
A estimativa ficou bem acima da projeção média do mercado, que era de cerca de US$ 115,26 bilhões, segundo dados compilados pela LSEG.
Os executivos afirmaram que os investimentos em capacidade de computação para IA (incluindo servidores, data centers e equipamentos de rede) são fundamentais para sustentar o crescimento do Google Cloud e das soluções de inteligência artificial.
Reação do mercado à projeção de gastos
Após a divulgação do balanço, as ações da Alphabet chegaram a cair até 7% no after-market, antes de recuperar parte das perdas.
No início do pregão desta quinta-feira (5), os papéis recuavam cerca de 4,6%, refletindo a cautela dos investidores com o aumento expressivo dos gastos.
Os futuros das bolsas dos Estados Unidos também operavam com cautela, em meio à divulgação de resultados corporativos e à fraqueza observada no setor de software, relacionada aos elevados investimentos em inteligência artificial.
Movimento de outras big techs
Além da Alphabet, outras grandes empresas de tecnologia também movimentaram o mercado.
A Qualcomm (Nasdaq: QCOM) caiu 11% após reportar receita trimestral recorde no início do ano fiscal de 2026 e alertar que o segundo trimestre deve ser pressionado por restrições no fornecimento de memória e problemas de preços que afetam fabricantes de dispositivos móveis.
A Amazon (Nasdaq: AMZN) recuou 1,3% antes da divulgação de seus resultados trimestrais. O mercado acompanha de perto a estratégia da empresa em inteligência artificial, especialmente o desempenho da Amazon Web Services (AWS), principal negócio de computação em nuvem do grupo.
Publicidade segue como principal fonte de receita
A publicidade, principal fonte de receita da Alphabet, gerou US$ 82,28 bilhões no quarto trimestre, crescimento de 13,5% na comparação anual.
Dentro desse segmento, os anúncios no YouTube alcançaram US$ 11,38 bilhões, alta de quase 9%, mas abaixo da expectativa do mercado, que projetava US$ 11,84 bilhões.
As receitas do Google Services totalizaram US$ 95,9 bilhões, avanço de 14%. O crescimento foi impulsionado pela alta de 17% na Busca do Google, outros 17% em assinaturas, plataformas e dispositivos, além de crescimento de 9% nos anúncios do YouTube.
Google Cloud cresce acima das estimativas
O Google Cloud apresentou desempenho acima do esperado no trimestre. A divisão de computação em nuvem faturou US$ 17,66 bilhões e teve um crescimento anual de cerca de 47,7%, superando a estimativa de US$ 16,18 bilhões.
A unidade concentra a maior parte dos produtos e serviços de inteligência artificial da Alphabet, incluindo infraestrutura de IA empresarial e soluções corporativas.
Segundo a empresa, a demanda por serviços de nuvem segue em expansão, impulsionada pelo crescimento do Google Cloud Platform (GCP) e das soluções de inteligência artificial voltadas ao mercado corporativo.
Custos sobem e pressionam margens
Outro ponto monitorado pelo mercado foram os custos de aquisição de tráfego, que somaram US$ 16,59 bilhões no trimestre. O valor ficou acima do consenso de mercado, que era de US$ 16,20 bilhões.
Esses custos representam os pagamentos feitos a parceiros para manter os serviços do Google como mecanismo de busca padrão em dispositivos e plataformas.
Desempenho negativo de “Outras Apostas”
A divisão “Outras Apostas”, que inclui negócios como a empresa de ciências da vida Verily e a unidade de veículos autônomos Waymo, registrou receita de US$ 370 milhões no trimestre, queda de 7,5% na comparação anual.
O prejuízo da divisão somou US$ 3,61 bilhões, aumento superior a 200% em relação ao mesmo período do ano anterior.
A Waymo respondeu por US$ 2,1 bilhões em despesas com remuneração de funcionários no trimestre, após a conclusão de uma nova rodada de financiamento que avaliou a empresa em US$ 16 bilhões.
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Recomendações do mercado após o balanço da Alphabet
Após a divulgação dos resultados, a Canaccord Genuity elevou o preço-alvo das ações da Alphabet para US$ 415, ante US$ 390, mantendo recomendação de compra.
O novo alvo indica potencial de valorização em relação ao preço de US$ 333,04, com os papéis negociando próximos da máxima de 52 semanas, de US$ 349.
A Needham também revisou o preço-alvo das ações da Alphabet para US$ 400, ante US$ 330, mantendo recomendação de compra após os resultados do quarto trimestre.



