A Raízen (RAIZ4) protocolou na 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo seu plano de recuperação extrajudicial para reorganizar uma dívida de R$ 64,7 bilhões, no maior acordo deste tipo já realizado no Brasil.
A proposta divulgada na noite de sexta-feira (5) recebeu apoio de 75% dos credores financeiros e de mais de 70% dos bondholders — investidores que detêm títulos de dívida emitidos no exterior.
O acordo marca uma virada nas negociações conduzidas pela companhia nos últimos meses. Após conquistar o apoio de grupos que vinham resistindo à proposta, a Raízen reuniu bancos, investidores de títulos locais, bondholders e detentores de CRAs em torno de uma solução que evita a recuperação judicial e abre caminho para uma ampla reorganização da estrutura de capital.
- Tem precatórios a receber? Saiba que é possível sair da fila e transformar em dinheiro já. Clique aqui e simule a venda.
Credores terão participação superior a 80% da Raízen
A proposta prevê a conversão de 45% da dívida em participação acionária da empresa. A operação será realizada ao preço de R$ 0,25 por ação, o que deverá resultar em uma fatia superior a 80% do capital da Raízen nas mãos dos credores.
Essa conversão ocorrerá por meio da emissão de units (pacotes compostos por uma ação ordinária e uma ação preferencial) precificadas em R$ 0,50 por unit.
Os 55% restantes da dívida serão substituídos ou refinanciados por novos instrumentos financeiros emitidos pelas controladas Raízen Combustíveis e Raízen Energia.
Novos títulos da Raízen terão vencimentos entre 2032 e 2035
Do total da dívida reestruturada, 37% será convertido em títulos emitidos pela Raízen Combustíveis e 18% em papéis da Raízen Energia.
Os títulos da Raízen Combustíveis terão vencimentos em 2032 e 2034. A remuneração será de CDI mais 2,75% ao ano para investidores locais, 8,5% ao ano em dólar ou 7,65% ao ano em euro, dependendo da modalidade escolhida pelo credor.
Já os papéis da Raízen Energia vencerão em 2033 e 2035, oferecendo remuneração de CDI mais 1,25% ao ano, 7% ao ano em dólar ou 6,15% ao ano em euro. Nos dois casos, os detentores de CRAs receberão remuneração atrelada ao CDI.
Credores poderão optar por receber dinheiro com desconto
O plano também cria alternativas para liquidação dos créditos em dinheiro. Uma das opções permite que credores aceitem descontos relevantes sobre os valores devidos para receber os recursos de forma antecipada.
Outra alternativa prevê o pagamento de 75% do valor do crédito em dinheiro, também sujeito a um limite global de R$ 150 milhões. Há ainda a possibilidade de recebimento em 2047 com desconto de 80% sobre o valor original da dívida.
Segundo a companhia, essas modalidades buscam acomodar diferentes perfis de credores e facilitar a implementação da reestruturação.
Raízen conta com investimento bilionário da Shell
Como parte da engenharia financeira desenhada para reequilibrar a estrutura de capital da empresa, a Shell realizará um aumento de capital de R$ 3,5 bilhões.
Em comunicado, a companhia afirmou apoiar o acordo por proporcionar à Raízen “maior estabilidade financeira e uma trajetória mais clara para o futuro”. A empresa também informou que continuará colaborando para a implementação do plano e para a sustentabilidade de longo prazo da companhia.
A adesão de credores de diferentes categorias reduziu significativamente os riscos de questionamentos ao processo durante sua tramitação judicial.
Rubens Ometto poderá investir R$ 500 milhões
A estrutura negociada também abre espaço para uma eventual capitalização de R$ 500 milhões por parte de Rubens Ometto, chairman da Cosan e acionista controlador do grupo.
Caso realize o aporte por meio da Aguassanta Participações, empresa da família Ometto, ele poderá permanecer no conselho de administração após o período inicialmente previsto pelo acordo.
Enquanto isso, o atual conselho será mantido até o primeiro trimestre do próximo ano. O diretor-financeiro Lorival Luz também assumirá atribuições adicionais como diretor responsável pela condução da reestruturação.
- Estratégia clara, decisões certeiras. Evite armadilhas e proteja seus investimentos com um método testado. Baixe agora!
Venda de ativos e reorganização dos negócios
A administração pretende acelerar seu programa de desinvestimentos, considerado peça central para reduzir a alavancagem financeira e ampliar a geração de caixa nos próximos anos.
Um passo nessa direção foi dado na semana passada com a venda das operações da companhia na Argentina para a Mercuria Energy Group por US$ 1,42 bilhão. A transação inclui a terceira maior refinaria do país vizinho e uma ampla rede de postos de combustíveis.
Além disso, a Raízen pretende promover uma reorganização societária e operacional. Entre as medidas previstas está a separação do negócio de processamento de cana-de-açúcar da operação de distribuição de combustíveis, processo que deverá ser concluído até o final de 2027.











