A Renova Energia (RNEW3; RNEW4) conseguiu novo prazo, até 31 de dezembro de 2027, para recompor o percentual mínimo de ações em circulação exigido para empresas listadas no Nível 2 da B3. A extensão do prazo reduz, por enquanto, a pressão para que a empresa promova alterações imediatas em sua estrutura acionária para atender à exigência de dispersão dos papéis.
O chamado free float representa a parcela das ações efetivamente disponível para negociação no mercado, excluindo as participações mantidas por acionistas estratégicos que integram o bloco de controle. A exigência busca assegurar maior quantidade de ações em circulação e, consequentemente, condições para negociação dos papéis por investidores minoritários.
Com a decisão da B3, a Renova passa a contar com um período mais longo para promover o reenquadramento. A companhia ainda não atingiu o percentual exigido pelas regras do Nível 2, mas não precisa concluir imediatamente uma operação para elevar o free float.
As ações ordinárias RNEW3 e preferenciais RNEW4 continuam sendo negociadas normalmente na B3.
Aumento de capital da Renova Energia levou à concentração acionária
O problema de enquadramento, afirma a empresa, não decorre de uma oscilação nas ações, mas de uma alteração na estrutura de capital da companhia. Em 28 de abril de 2025, a Renova comunicou um aumento de capital privado no qual os acionistas controladores subscreveram as novas ações diante da ausência de adesão dos acionistas minoritários.
A operação foi necessária para o balanço da companhia, mas teve como consequência o aumento da concentração da base acionária. Com mais ações concentradas entre os acionistas controladores, a parcela dos papéis efetivamente disponível para negociação caiu abaixo do percentual exigido pelo Nível 2 estabelecido pela B3.
Segundo os dados informados pela Renova, o free float corresponde a 22.681.046 ações, equivalentes a 7,30% de um total de 310.744.441 ações. Para o reenquadramento, o percentual mínimo temporário estabelecido é de 10,463%. Dessa forma, a empresa precisa elevar a dispersão em aproximadamente 3,2 pontos percentuais, o equivalente a cerca de 9,8 milhões de ações.
Receita dobrou em 2025, mas resultado continuou negativo
Além da questão relacionada ao free float, os dados divulgados pela companhia mostram uma trajetória financeira que combina crescimento da receita e redução do endividamento com resultados líquidos ainda negativos.
Segundo informação divulgada no site da Renova, uma cobertura setorial de abril de 2026 registrou que a companhia dobrou a receita em 2025. No mesmo período, a dívida bruta terminou o ano em R$ 976,1 milhões, uma redução de 34,4% em relação ao exercício anterior. Apesar da queda da dívida, a Renova encerrou 2025 com prejuízo líquido de R$ 162,2 milhões.
Os números trimestrais de 2026 mostram uma evolução diferente entre os dois primeiros períodos do ano. No primeiro trimestre, a receita operacional líquida foi de R$ 113,8 milhões. O resultado bruto somou apenas R$ 2,1 milhões, enquanto o resultado financeiro ficou negativo em R$ 33,4 milhões. O prejuízo líquido chegou a R$ 36,9 milhões.
No segundo trimestre, a receita operacional líquida avançou para R$ 127,5 milhões. O EBITDA ajustado alcançou R$ 63,5 milhões, enquanto o prejuízo líquido recuou para R$ 3 milhões.
O EBITDA ajustado é um indicador utilizado para observar o desempenho operacional antes dos efeitos de juros, impostos, depreciação e amortização. Já o resultado líquido considera os efeitos financeiros e demais despesas e receitas que chegam ao resultado final da companhia.
Nota de transparência: Este conteúdo contou com o auxílio de inteligência artificial na seleção e organização das informações, com base nas fontes citadas, e foi revisado por jornalistas antes da publicação.











