O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da China, Xi Jinping, firmaram nesta quinta-feira (30) uma trégua de um ano na guerra comercial entre os dois países.
O encontro, realizado em Busan, na Coreia do Sul, foi o primeiro entre os dois líderes desde 2019 e resultou em um acordo com redução de 10% nas tarifas médias — de 57% para 47% —, flexibilização nas exportações de terras-raras e retomada da compra de soja americana pela China.
Apesar do avanço, temas sensíveis como o futuro do TikTok nos EUA e o acesso chinês a chips avançados da Nvidia ficaram fora das negociações.
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Segundo o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, o acordo deverá ser formalizado na próxima semana.
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Caso não haja avanços concretos, ambos os lados poderão retomar medidas punitivas, como tarifas adicionais ou novas restrições comerciais.
De outro lado, Dennis Wilder, ex-chefe de análise sobre a China na CIA, afirmou que os “acordos táticos” abrem caminho para um pacto comercial mais amplo, possivelmente a ser concluído durante a visita de Trump à China ou antes disso.
Principais pontos do acordo entre EUA e China
A partir da reunião entre os líderes das maiores economias globais, os compromissos da China compreendem as seguintes medidas:
- Suspender controles sobre exportações de ímãs de terras-raras, materiais essenciais para indústrias de tecnologia e defesa
- Retomar a compra de soja americana, interrompida durante a escalada das tensões
- Suspender taxas portuárias especiais aplicadas a navios dos Estados Unidos
Por outro lado, foram estabelecidos os seguintes compromissos para os Estados Unidos:
- Reduzir a tarifa média sobre produtos chineses de 57% para 47%
- Reduzir de 20% para 10% as tarifas sobre produtos relacionados ao fentanil, com efeito imediato
- Retirar a ameaça de impor tarifas de 100% sobre as importações vindas da China, anunciadas anteriormente para novembro
- Suspender as taxas portuárias especiais aplicadas a embarcações chinesas
Trump afirmou, após a reunião de uma hora e meia com Xi Jinping, que o encontro “foi um 12, em uma escala de zero a dez”. A declaração ocorreu a bordo do avião presidencial Air Force One, logo após o presidente americano deixar Busan.
“Tudo relacionado aos elementos de terras-raras foi resolvido, e isso vale para o mundo”, disse Trump.
Segundo ele, o acordo tem validade inicial de um ano, mas deverá ser renovado. “Temos um acordo. Agora, todos os anos vamos renegociá-lo, mas acho que o acordo vai durar muito tempo”, afirmou.
Reação dos mercados
A falta de detalhes sobre a execução do acordo e a ausência de uma data formal para assinatura pesaram sobre o sentimento dos investidores.
Os mercados globais reagiram de forma cautelosa ao encontro. Na Ásia, as bolsas fecharam sem direção única:
- Hang Seng (Hong Kong): -0,2%, a 26.282,69 pontos
- Xangai Composto: -0,7%, a 3.986,90 pontos
- Shenzhen Composto: -1,3%, a 2.517,76 pontos
Nos Estados Unidos, os índices abriram em queda:
- Dow Jones: -0,27%
- S&P 500: -0,57%
- Nasdaq: -0,79%
A mídia estatal chinesa evitou confirmar o entendimento. O People’s Daily, jornal do Partido Comunista, citou Xi dizendo: “Ambas as equipes devem aperfeiçoar e concluir o trabalho de acompanhamento o mais rápido possível, manter e implementar o consenso e produzir resultados concretos.”
Disputa por terras-raras e opioides
A China havia imposto restrições às exportações de terras-raras depois que Trump anunciou um pacote de tarifas em abril. O país domina a produção global desses minerais, que são cruciais para a fabricação de semicondutores, baterias, veículos elétricos e equipamentos de defesa.
No caso do fentanil, o governo americano manteve tarifas sobre produtos chineses em retaliação ao que considera falta de empenho de Pequim no combate ao contrabando do opioide sintético.
Trump tem acusado China, México e Canadá de não conterem o tráfico ilegal da substância, usada tanto na medicina quanto de forma ilícita, e associada ao aumento das mortes por overdose nos Estados Unidos.
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Chips da Nvidia e TikTok fora do acordo entre China e EUA
Apesar do avanço em temas comerciais, o acordo não abordou dois pontos centrais nas tensões entre as duas potências, que eram esperados pelo mercado: os chips de última geração da Nvidia o aplicativo TikTok.
Trump declarou que pretende conversar com o CEO da Nvidia, Jensen Huang, sobre o fornecimento do chip Blackwell, o mais avançado da empresa e essencial para aplicações de inteligência artificial, mas não indicou progresso no tema.
Quanto ao TikTok, o Ministério do Comércio chinês afirmou estar “comprometido em resolver adequadamente a questão”, também sem divulgar detalhes.
O plano em discussão nos EUA prevê a criação de uma nova empresa para operar o TikTok no país, com controle majoritário de investidores americanos e participação minoritária da chinesa ByteDance, reduzida a menos de 20%, em conformidade com a legislação de segurança nacional.
Anúncio de testes nucleares reacende alerta global
Horas antes do encontro com Xi, Trump anunciou a retomada dos testes nucleares dos Estados Unidos, em resposta a ações recentes da Rússia e da própria China.
O presidente Vladimir Putin havia informado que Moscou testou um drone submarino com capacidade nuclear e propulsão nuclear.
Em sua rede social, Trump afirmou que a China ocupa um “distante terceiro lugar” em arsenal nuclear, atrás de EUA e Rússia, mas que “em cinco anos estará no mesmo nível”.
Segundo o Boletim de Cientistas Atômicos, os últimos testes nucleares ocorreram em 1992, nos EUA e em 1996, na China.
Taiwan e energia também ficam fora das negociações
Trump declarou que a questão de Taiwan não foi abordada durante a reunião. “Taiwan nunca foi mencionada. Não foi discutida”, disse, afastando especulações de que poderia fazer concessões sobre o tema para facilitar o acordo comercial.
Em publicação na rede Truth Social, Trump acrescentou que os EUA e a China trabalham em uma “transação em escala muito grande” envolvendo petróleo e gás do Alasca, sem oferecer mais detalhes.
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EUA e China se reúnem em meio à cúpula da Apec
O encontro entre Trump e Xi ocorreu em Busan, cidade próxima a Gyeongju, onde líderes da região participavam da cúpula da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec).
Trump disse que Xi Jinping é um “negociador muito duro”, enquanto o líder chinês afirmou que os dois países “devem ser parceiros e amigos” e que “podem trabalhar juntos para alcançar coisas concretas”.
Também participaram da reunião, a portas fechadas, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi.
Trump também anunciou que visitará a China em abril de 2026 e que Xi deverá retribuir a visita posteriormente.











