Nesta sexta-feira (9), com a agenda internacional esvaziada, o Ibovespa futuro oscila entre altas e baixas, com investidores analisando os dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de julho, que veio um pouco acima do esperado, e os resultados da temporada de balanços.
IPCA de julho surpreende para cima
O IPCA, principal indicador da inflação oficial do país, subiu 0,38% em julho, superando a expectativa do mercado, que era de 0,34%. Com isso, o índice acumulou uma alta de 4,50% nos últimos 12 meses, acima das estimativas de 4,46%, segundo o Termômetro CMA.
Este resultado acende um alerta para o cenário inflacionário, que é monitorado de perto pelo Banco Central na definição da taxa Selic.
Prejuízo da Petrobras
Outro foco de atenção dos investidores é o balanço da Petrobras, divulgado na noite de ontem (8), após o fechamento do mercado. A companhia reportou um prejuízo de R$ 2,6 bilhões no segundo trimestre de 2024, surpreendendo negativamente o mercado, que esperava um lucro robusto.
Apesar do resultado negativo, a empresa anunciou o pagamento de R$ 13,57 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio (JCP). No entanto, não haverá pagamento de dividendos extraordinários.
Movimentação do mercado
Por volta das 09h41 (horário de Brasília), o Ibovespa futuro com vencimento em agosto registrava leve alta de 0,06%, aos 129.220 pontos. No exterior, os futuros norte-americanos operavam em queda, enquanto as bolsas europeias subiam. Os índices asiáticos encerraram o pregão majoritariamente em alta.
Impactos para a política monetária
Segundo a Commcor Corretora, os investidores monitoram com atenção a participação do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, em um evento após a divulgação do IPCA de julho, que veio acima do esperado.
A trajetória da inflação e a reação do mercado à política monetária serão fundamentais para as decisões futuras do Comitê de Política Monetária (Copom), especialmente em um ambiente de incerteza cambial.
Tatiana Pinheiro, economista-chefe da Galápagos Capital, destacou que, apesar do IPCA de julho ter superado as expectativas, a abertura dos dados esteve em linha com o esperado, com serviços e núcleos pressionados e uma baixa difusão, especialmente devido à deflação de alimentos.
Segundo Pinheiro, a taxa de câmbio será crucial na definição das expectativas do mercado em relação à política monetária. A manutenção do câmbio em torno de R$ 5,55 por dólar pode levar o Banco Central a manter a Selic em 10,5% por um período prolongado. No entanto, uma depreciação adicional do real pode alimentar as expectativas de alta de juros.
Grupo CMA
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