Em dia de liquidez reduzida devido ao feriado de Martin Luther King Jr. nos Estados Unidos e agenda local esvaziada, o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira (B3), teve um pregão de pouca intensidade, encerrando esta segunda-feira (19) praticamente estável (+0,03%) aos 164.849,27 pontos, com foco no cenário internacional.
Ao longo do dia, o mercado acompanhou as declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a anexação da Groenlândia e a intenção de impor tarifas adicionais a parceiros europeus a partir de 1º de fevereiro.
Esse percentual ainda pode subir para 25% caso não haja um acordo até 1º de junho, aumentando a percepção de risco para o comércio internacional.
Em destaque no Ibovespa, as ações da Petrobras subiram 0,53% (ON) e 0,41% (PN), compensando o desempenho da Vale, que fechou em queda de 0,39%.
O setor financeiro também ajudou a sustentar a estabilidade do índice, com as units do Santander em alta de 0,69%. Nos destaques individuais, Hapvida liderou os ganhos do dia, com alta de 3,85%, seguida por IRB, que avançou 3,59%. Na outra ponta, Natura fechou em queda de 3,41%.
No câmbio, o dólar recuou 0,16% ante o real, encerrando o dia a R$ 5,36, após Donald Trump adotar um tom mais moderado ao tratar de possíveis ações envolvendo a Groenlândia.
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Nesta terça-feira (20), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, lidera o noticiário internacional, com maior destaque para as ameaças tarifárias a parceiros europeus visando a compra da Groenlândia, tema que domina o Fórum Econômico Mundial em Davos, onde o discurso do presidente americano é aguardado para amanhã.
Esse cenário aumentou o risco geopolítico, pressionando bolsas europeias e os índices futuros, que operam em queda relevante, além do impacto sobre os preços do petróleo.
Outro tema que chama atenção do mercado é o julgamento da legalidade das tarifas comerciais de Trump pelo Tribunal americano. Em caso de derrota, a Casa Branca avisou que novos impostos serão decretados imediatamente.
Para esta quarta-feira (21), é esperado o julgamento pela Suprema Corte do caso de Lisa Cook, a diretora do Federal Reserve (Fed) demitida por Trump e que busca recorrer das acusações sob defesa de outros membros da autarquia.
No Brasil, destaque para a crise do Banco Master, que, segundo reportagem do Estadão, ocupa espaço em conversas paralelas em Davos, embora a avaliação predominante seja de que o porte da instituição não representa risco de um evento sistêmico para o mercado bancário brasileiro.
O jornal aponta ainda que aumentou a cautela em relação a um eventual contágio do Banco de Brasília (BRB), que adquiriu uma parcela relevante dos ativos do Master. A operação envolveu R$ 12,2 bilhões, mas foram identificados problemas de documentação em cerca de R$ 10 bilhões desses ativos, o que elevou o grau de preocupação entre agentes do mercado.
Na noite de ontem, o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) atualizou os números do caso e informou que 600 mil credores do Banco Master já registraram pedidos de ressarcimento de valores de até R$ 250 mil. Ao todo, 800 mil investidores têm direito ao reembolso por aplicações vinculadas à instituição.
Em meio ao escândalo, o debate regulatório ganhou força no governo após o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defender que o Banco Central amplie o perímetro de supervisão e passe a fiscalizar também a indústria de fundos de investimento.
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Manchetes desta manhã
- Trump renova ameaça e diz que ‘não há volta’ sobre questão da Groenlândia (Valor)
- Pai e irmã de Vorcaro são donos de projeto de crédito de carbono que inflou fundos do Master de modo irregular (Folha)
- Fachin antecipa retorno a Brasília para conter desgaste do STF com condução de Toffoli (Estadão)
- Trump diz que fará reunião com países da Otan sobre a Groenlândia (O Globo)
Mercado global despenca com ameaça de tarifas por domínio da Groenlândia
As Bolsas da Europa ampliam as perdas após ameaças de novas tarifas comerciais dos Estados Unidos sob pressão de Donald Trump pela compra da Groenlândia, enquanto aliados europeus que rejeitam a proposta sinalizam possíveis retaliações.
Com o aumento da incerteza no mercado europeu, o Citigroup rebaixou a recomendação para as ações europeias.
No cenário econômico, a taxa de desemprego no Reino Unido permaneceu elevada em novembro, enquanto o crescimento salarial recuou, sugerindo que novos cortes nos juros pelo Banco da Inglaterra (BoE) são prováveis ao longo do ano.
Na Ásia, os mercados encerraram o pregão desta terça-feira majoritariamente em queda, com destaque para Tóquio, onde o índice Nikkei teve queda relevante, refletindo a cautela dos investidores diante da convocação de novas eleições no Japão e dos possíveis impactos sobre a política fiscal do país.
O índice Nikkei registrou perda de 1,03%, enquanto em Seul o índice Kospi interrompeu uma sequência de 12 altas consecutivas e fechou o dia em queda de 0,39%. Na China, o índice Xangai ficou próximo da estabilidade e Shenzhen recuou 0,97%.
Em Nova York, os índices futuros abriram em queda significativa, pressionados pelas ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor tarifas a aliados europeus contrários ao controle da Groenlândia.
Confira os principais índices do mercado:
• S&P 500 Futuro: -1,61%
• FTSE 100:-1,16%
• CAC 40: 1,26%
• Nikkei 225: -1,03%
• Hang Seng: -0,16%.
• Shanghai SE Comp: -0,01%
• Ouro: +2,59%, a US$ 4.707,4
• Índice do dólar (DXY): -0,85%, aos 98,55 pontos
• Bitcoin: -2%, a US$ 91.191,8
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Commodities
- Petróleo: avança após dados de crescimento da China em 2025, reforçando o otimismo com a demanda. A capacidade de processamento das refinarias chinesas subiu 4,1% no ano, enquanto a produção de petróleo bruto cresceu 1,5%.
O mercado também monitora a Venezuela. A Vitol ofereceu petróleo venezuelano a compradores chineses com desconto de cerca de US$ 5 por barril em relação ao Brent da ICE, para entrega em abril, segundo fontes do setor.
O Brent/março valoriza 0,48%, negociado a US$ 64,25, enquanto o WTI/fev, que expira hoje, sobe 0,52%, a US$ 59,75 e o contrato para março, com maior volume de negociações, sobe 0,51%, a US$ 59,64. - Minério de ferro: fechou em queda de 1% em Dalian, na China, cotado a US$ 113,38/ton.
Em Singapura, os contratos futuros derretem 1,05%, cotados a US$ 103,85/ton e o mercado à vista recua 0,38%, cotado a US$ 105,70/ton.
Cenário internacional
Nos EUA, a agenda econômica destaca a divulgação do relatório semanal da ADP, que mostra a criação de vagas no setor privado americano e serve como termômetro para o mercado de trabalho antes do payroll.
No radar político, a Suprema Corte dos Estados Unidos realiza ao meio-dia uma sessão que pode definir a legalidade das tarifas impostas pelo presidente Donald Trump a diversos países. A eventual decisão pode alterar o cenário do comércio internacional e gerar reflexos nos mercados globais, especialmente em moedas e ações ligadas ao setor externo.
Na Europa, líderes da União Europeia devem se reunir na próxima quinta-feira (22), em Bruxelas, para uma cúpula de emergência. Segundo o porta-voz do bloco, Olof Gill, a UE está preparada para acionar todas as ferramentas disponíveis para proteger seus interesses econômicos, sinalizando disposição para reagir a medidas consideradas prejudiciais ao comércio europeu diante da ameaça de Trump de tomar a Groenlândia à força.
No Japão, a primeira-ministra Sanae Takaichi anunciou que convocará eleições nacionais para o dia 8 de fevereiro, com o objetivo de buscar apoio popular para um pacote que inclui aumento de gastos públicos, cortes de impostos e uma nova estratégia de segurança. Como parte do plano, Takaichi pretende dissolver o Parlamento já nesta sexta-feira.
Cenário nacional
No Brasil, a agenda econômica segue esvaziada, direcionando o foco para o noticiário político.
O mercado repercute as declarações do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que defendeu a ampliação dos poderes de fiscalização do Banco Central sobre os fundos de investimento, tema que pode influenciar o ambiente regulatório e a percepção de risco no mercado financeiro.
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Destaques do mercado corporativo
- Banco do Brasil: Conselho aprovou payout de 30% do lucro de 2026, via juros sobre capital próprio e/ou dividendos.
- JSL: registrou receita bruta consolidada de R$ 2,89 bilhões no quarto trimestre de 2025, queda anual de 1,4%, segundo prévia de resultados divulgada nesta segunda-feira (19).
- Marcopolo: controladores elevaram participação nas ações ordinárias para 55,3% do capital votante.
- Netflix: divulga resultado após o fechamento, com expectativa de lucro de US$ 0,55 por ação.





