O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira (B3), devolveu parte dos ganhos após renovar seu recorde de fechamento e encerrou o pregão desta quinta-feira (29) em queda de 0,84%, aos 183.133,75 pontos, em um movimento de realização de lucros.
A correção acompanhou o tom negativo dos mercados internacionais. Segundo Rodrigo Marcatti, economista e CEO da Veedha Investimentos, o desempenho fraco das ações da Microsoft no exterior pressionou o humor dos investidores, contaminando também os mercados emergentes. Em entrevista ao Broadcast, ele destacou, no entanto, que o fluxo de capital para o Brasil segue favorável, impulsionado pelo carry trade (diferencial de juros entre países).
Entre as ações de maior peso no Ibovespa, a Petrobras ajudou a conter uma queda mais acentuada ao somar ganhos de 0,65% (ON) e de 0,96% (PN), apoiada pela forte alta dos contratos futuros do petróleo no exterior. Já a Vale fechou em alta de 0,51%, apesar da pressão sobre o setor metálico.
Na outra ponta, o setor financeiro pesou sobre o Ibovespa. As units do Santander recuaram 1,47%, enquanto o BTG Pactual registrou queda de 2,01%. A exceção ficou com o Banco do Brasil, cujas ações ordinárias subiram 0,39%.
Entre as maiores altas do dia figuraram Prio, com valorização de 2%, e B3, que avançou 1,03%. Já as perdas mais expressivas ficaram com Metalúrgica Gerdau (-5,13%) e Usiminas (-4,88%).
No câmbio, o dólar fechou abaixo de R$ 5,20, com desvalorização de 0,25% ante o real, influenciado pelo favorecimento a moedas de países emergentes.
- Quer investir com mais critério em 2026? Participe da Masterclass Virada Financeira, ao vivo no dia 10/02.
No mercado internacional, repercute a notícia de que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deve anunciar ainda na manhã desta sexta-feira (30) o sucessor de Jerome Powell no comando do Federal Reserve (Fed).
Entre os principais nomes cotados estão Rick Rieder, da BlackRock; o ex-diretor do Fed Kevin Warsh; o atual diretor do Banco Central americano Christopher Waller; e Kevin Hassett, diretor do Conselho Econômico Nacional.
Após a divulgação da notícia, Kevin Warsh disparou como favorito nas plataformas de previsões: passou a concentrar 88% das apostas no Polymarket e 83% na Kalshi, deixando Rick Rieder para trás, agora com apenas 10% a 12%. Waller aparece distante, com cerca de 2% a 3%.
No campo fiscal, a Casa Branca conseguiu costurar um acordo provisório com os democratas para evitar um novo shutdown do governo federal a partir deste sábado (31).
O entendimento, com validade de duas semanas, afasta temporariamente o risco de paralisação e prevê a retomada das negociações sobre o financiamento do governo, incluindo limites de atuação da polícia de imigração (ICE). O prazo para aprovação do orçamento se encerra hoje no Capitólio.
No Brasil, a agenda econômica concentra as atenções nos indicadores de atividade e no cenário fiscal. Após um Caged abaixo do esperado reforçar as apostas de um corte inicial de 0,5 ponto percentual na Selic, o mercado acompanha hoje a divulgação da Pnad Contínua, com novos números sobre o ritmo do mercado de trabalho.
Também está no radar a divulgação, pelo Banco Central, do resultado do setor público consolidado de dezembro. A expectativa é de superávit, sustentado pelo desempenho da arrecadação do governo central, em um momento de maior escrutínio sobre as contas públicas.
No noticiário corporativo, o caso Master ganhou novos desdobramentos. O banqueiro Daniel Vorcaro afirmou à Polícia Federal que “forças internas do Banco Central e do mercado” atuaram para afastá-lo do banco e do sistema financeiro.
Conforme informações do BDM/PicPay, em depoimento à delegada Janaína Palazzo, responsável pelo inquérito da Operação Compliance Zero, Vorcaro disse que aceitou deixar o controle do banco, mas que buscava uma saída “pela porta da frente”, sem prejuízo a terceiros.
Segundo o banqueiro, a solução apresentada ao Banco Central envolvia a venda das três frentes do grupo: o Banco Master para um consórcio de investidores, incluindo a Fictor e capital estrangeiro; o Eubank para o fundo Mubadala; e o banco de investimentos para uma holding brasileira com investidor estrangeiro.
- Decidir melhor importa mais do que escolher ativos. Entenda como fazer isso na Masterclass gratuita Virada Financeira 2026.
Manchetes desta manhã
- BC e bancos discutem proposta para recompor caixa do FGC com depósitos compulsórios (Valor)
- PF encontra indícios sobre políticos na investigação do Master (Folha)
- Trump escolhe Kevin Warsh, ex-assessor de George W. Bush, como o próximo presidente do Fed (Estadão)
- Reunião do Conselho da Previdência tem crítica ao chefe do INSS por fila ‘inadmissível’ de 3 milhões de pessoas (O Globo)
- Justiça suspende plano de recuperação do St. Marche (Valor)
Mercado global
Bolsas da Europa operam em alta, impulsionadas pelo otimismo com balanços corporativos, apesar das preocupações com tensões geopolíticas e comerciais entre os EUA e a União Europeia.
Na Ásia, os mercados encerraram a semana em queda, puxadas por ações de tecnologia e pela fraqueza de Wall Street.
Dados de inflação do Japão mantiveram a expectativa de maior aperto do BoJ, apesar da desaceleração do núcleo e da inflação cheia, que atingiu o menor nível em cerca de quatro anos.
O índice Nikkei ficou estável e a previsão era de que subisse mais de 5% em janeiro. Ações da China e de Hong Kong lideram as perdas: Xangai fechou em queda de 0,96% e Shenzhen, de 0,66%. Em contraste, o Kospi subiu 0,6%, impulsionado por semicondutores, e deve registrar ganhos expressivos de quase 25% em janeiro.
Em Nova York, os índices futuros recuam nesta sexta-feira (30), com investidores em modo de aversão ao risco após Donald Trump afirmar que já decidiu o nome para comandar o Fed.
Confira os principais índices do mercado:
• S&P 500 Futuro: -0,78%
• FTSE 100: +0,2%
• CAC 40: +0,44%
• Nikkei 225: -0,10%
• Hang Seng: -2,08%
• Shanghai SE Comp: -0,96%
• Ouro (mar): -5,75%, a US$ 5.028,7 por onça troy
• Índice do dólar (DXY): +0,44%, aos 96,705 pontos
• Bitcoin: -6,41% a US$ 82,285,9
Commodities
- Petróleo: recua nesta sexta-feira em movimento de realização, após fortes altas recentes ligadas às tensões entre EUA e Irã.
O mercado segue atento às ameaças de Donald Trump, que avalia ações militares e novas tarifas a países que fornecem petróleo a Cuba, medida rejeitada pela China.
O Brent/março cai 0,61%, negociado a US$ 70,10 e o WTI/março recua 0,68%, a US$ 64,74. - Minério de ferro: fechou em leve alta de 0,06 na bolsa de Dalian, na China, cotado a US$ 113,91.
Especialistas da Nanhua Futures avaliam que a entrada das siderúrgicas chinesas na baixa temporada deve reduzir tanto a oferta quanto a demanda pelo insumo usado na produção de aço.
Cenário internacional
Nos EUA, a agenda econômica traz como principal destaque a divulgação do índice de preços ao produtor (PPI), além do discurso da vice-presidente de Supervisão do Fed, Michelle Bowman, marcado para as 19h.
No campo político, democratas do Senado chegaram a um acordo com republicanos e a Casa Branca para desmembrar o financiamento do Departamento de Segurança Interna, responsável pela política migratória, do restante do orçamento federal.
A medida abre caminho para a aprovação dos projetos que garantem o funcionamento da maior parte da máquina pública até o fim do ano fiscal, afastando o risco de uma nova paralisação do governo.
Na frente comercial e geopolítica, Trump assinou uma ordem executiva que declara emergência nacional para abrir caminho à imposição de tarifas sobre produtos de países que vendem petróleo a Cuba.
Também ameaçou aplicar uma tarifa de 50% sobre todas as aeronaves vendidas do Canadá aos Estados Unidos, caso o país continue se recusando a certificar determinados jatos da americana Gulfstream.
Na Zona do Euro, os dados macroeconômicos indicaram melhora da atividade. O Produto Interno Bruto (PIB) avançou 1,3% no quarto trimestre na comparação anual, enquanto a taxa de desemprego recuou para 6,2% em dezembro.
Cenário nacional
No Brasil, o principal destaque desta sexta-feira é a taxa de desemprego de dezembro, medida pela PNAD Contínua do IBGE. A projeção do BTG Pactual aponta para um índice de 5,3%, levemente acima da leitura anterior, de 5,2%.
A expectativa é de que o mês de referência tenha registrado fechamento líquido de 550,2 mil vagas de trabalho, após a criação de 85,8 mil postos observada na divulgação anterior, reforçando os sinais de desaceleração no mercado de trabalho.
No contexto do caso Master, o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, determinou a quebra do sigilo dos depoimentos prestados em 30 de dezembro por Vorcaro, pelo ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa e pelo diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, além da acareação entre Vorcaro e Costa.
A decisão atendeu a um pedido do próprio Banco Central, que solicitou acesso ao depoimento de Aquino.
- Os bastidores do mercado direto no seu e-mail! Assine grátis e receba análises que fazem a diferença no seu bolso.
Destaques do mercado corporativo
- GOL: CVM aprovou OPA das ações preferenciais, com leilão marcado para 19 de fevereiro ao preço de R$ 11,45 por lote.
- Azul: Companhia adiou a precificação de bonds de US$ 1,21 bilhão para concluir sua reestruturação financeira.
- PDG Realty: Morgan Stanley passou a deter 7,9% do capital após aquisição relevante de ações ordinárias.
- Neoenergia: Empresa aprovou pagamento de R$ 984 milhões em dividendos, com queda na geração impactada por menor produção hídrica.
- Cemig: Subsidiária Cemig GT concluiu aquisição de ativos de transmissão por R$ 30 milhões.
- CBA: Votorantim vendeu o controle da companhia para Chalco e Rio Tinto por R$ 4,7 bilhões, com possibilidade de OPA.


