Após romper mais uma marca recorde, o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira (B3), encerrou o pregão desta segunda-feira (23) em queda de 0,88%, aos 188.853,49 pontos, pressionado pelo aumento das tarifas globais dos Estados Unidos.
O movimento foi influenciado pelo anúncio do presidente Donald Trump, que elevou de 10% para 15% as tarifas comercais no final de semana. A decisão veio após a Suprema Corte americana derrubar as tarifas em vigor, reacendendo temores sobre os impactos da política comercial dos EUA no crescimento global.
Entre as ações de maior peso no Ibovespa, a Petrobras avançou 1,95% (ON) e 1,63% (PN), acompanhando a alta do petróleo no exterior e notícias sobre um acordo envolvendo um hub de minério na Índia. A Vale também fechou no campo positivo, com ganho de 0,67%.
Já o setor financeiro, por outro lado, liderou as pressões negativas. O Itaú recuou 3,62%, o Santander Brasil caiu 5,69% e o Bradesco registrou queda de 1,92% nas ações ordinárias e de 2,44% nas preferenciais.
Entre os destaques positivos da sessão estiveram Raízen, com alta de 5%, seguida por MBRF, que subiu 3,88%. Na ponta oposta, o Santander figurou como a principal baixa do índice, com recuo de 5,69%.
No câmbio, o dólar fechou a sessão em queda e desvalorização de 0,14% frente ao real, cotado a R$ 5,17, no menor valor desde maio de 2024, também impactado pelo anúncio sobre aumento das tarifas de Trump.
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No cenário internacional, o retorno dos mercados da China do feriado do Ano Novo Lunar destaca as compras de minério de ferro, sustentando a alta da commodity no pregão asiático. O movimento é visto como sinal de recomposição de estoques e possível estímulo à demanda industrial, fator que tende a beneficiar empresas exportadoras e dar suporte ao Ibovespa, especialmente papéis ligados a mineração e siderurgia.
Já nos Estados Unidos, o ambiente é de cautela, após o presidente Donald Trump elevar ao teto de 15% as tarifas globais de importação e indicar que pode aplicar taxas ainda maiores a países que, segundo ele, queiram “jogar joguinhos”. A sinalização amplia as incertezas sobre o rumo da política comercial americana e seus impactos no comércio global.
Segundo o The Wall Street Journal, a Casa Branca também avalia revisar tarifas já existentes sobre aço e alumínio; movimento que deve afetar as cadeias produtivas internacionais e pressionar custos industriais.
Como reação, a União Europeia decidiu congelar a votação do acordo comercial com os Estados Unidos. O bloco alertou que a nova política tarifária pode elevar alíquotas acima do limite de 15% previsto no entendimento anterior, violando os termos negociados. O Parlamento Europeu suspendeu os trabalhos para aprovação do pacto e solicitou esclarecimentos formais sobre as novas medidas.
No Brasil, o debate político também entra no radar dos investidores com a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6×1 avançando na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara. O deputado Paulo Azi (União-BA) deve ser indicado relator pelo presidente do colegiado, deputado Leur Lomanto Júnior (União-BA).
O tema é considerado uma das bandeiras centrais da estratégia de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No entanto, o presidente da Câmara, Hugo Motta, já sinalizou a governistas que não pretende colocar o texto em votação, mesmo que o Palácio do Planalto envie um projeto próprio. O governo admite discutir jornada de 40 horas semanais sem redução de salário.
A possível mudança na legislação trabalhista reacende o debate sobre custos para empresas. De acordo com o Estadão, grupos parlamentares articulam uma nova desoneração da folha de pagamento para compensar o aumento de despesas com o fim da escala 6×1. A proposta é defendida pela Frente Parlamentar Mista do Empreendedorismo e pela Frente Parlamentar do Livre Mercado, mas enfrenta resistência dentro do próprio setor produtivo.
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Manchetes desta manhã
- Supersalários: Gilmar Mendes suspende penduricalhos do MP e Judiciário que não estejam previstos em lei federal (Valor)
- Brasil registra déficit em conta corrente de US$ 8,36 bi em janeiro, diz BC (Folha)
- Canal do Panamá: governo assume controle de portos operados por empresa de Hong Kong (Estadão)
- Ameaças de Trump travam comércio bilateral dos EUA pelo mundo e abrem espaço à China (O Globo)
Mercado global
As Bolsas da Europa operam majoritariamente em queda com sentimento de cautela atrelado às incertezas comerciais diante da nova tarifa do governo Donald Trump, que entra em vigor hoje, além das ameaças de elevar essas taxas.
Na Ásia, índices operaram em alta com o retorno dos mercados chineses do feriado de Ano Novo Lunar, enquanto as ações de Hong Kong tiveram forte queda com as preocupações com a IA.
Na China, Shenzhen e Xangai subiram 1,36% e 0,87%, respectivamente, com o adicional de um forte consumo no feriado. Já o Hang Seng, de Hong Kong, teve o pior desempenho na Ásia, fechando em baixa de 1,82% devido às perdas de techs e farmacêuticas.
Em Nova York, os índices futuros operam em alta nesta terça-feira (24), após Wall Street encerrar o pregão da véspera sob fortes perdas, impulsionadas por temores no setor de inteligência artificial e pelo impacto das tarifas de Trump.
Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: +0,18%
- FTSE 100: -0,16%
- CAC 40: +0,07%
- Nikkei 225: +0,83%
- Hang Seng: -1,82%
- Shanghai SE Comp: +0,87%
- Ouro (abr): -0,68%, a US$ 5.190,2 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): +0,10%, aos 97,806 pontos
- Bitcoin: -4,74% a US$ 63.255,2
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Commodities
- Petróleo: contratos futuros operam com volatilidade e viés de alta, enquanto o mercado acompanha a nova rodada de negociações entre Estados Unidos e Irã sobre o programa nuclear iraniano. O encontro entre representantes dos dois países está marcado para esta quinta-feira (26), em Genebra, na Suíça, e pode influenciar as expectativas sobre oferta global da commodity.
O Brent/maio tem leve alta de 0,03%, cotado a US$ 71,13 e o WTI/abril avança 0,11%, a US$ 66,38 - Minério de ferro: fechou em queda de 1,79% na Bolsa de Dalian, na China, cotado a US$ 107,17, no retorno do feriado do Ano Novo Lunar.
De acordo com análise da Nahua Futures divulgada pelo Valor , o recuo reflete a redução do apetite por risco no mercado, o que pressionou as cotações. Além disso, aumentaram as expectativas de que as restrições na oferta da commodity possam diminuir.
Cenário internacional é de incerteza com novas ameaças de Trump
Nos EUA, Trump fará um discurso às 23h, no Capitólio, em meio a questionamentos sobre os impactos econômicos e geopolíticos das novas medidas tarifárias.
Além desse contexto, o foco da agenda desta terça-feira recai sobre uma série de discursos de dirigentes do Federal Reserve (Fed) ao longo do dia. Às 10h, fala Austan Goolsbee, do Fed Chicago. Em seguida, às 11h, será a vez de Raphael Bostic.
Christopher Waller discursa às 11h15, seguido por Lisa Cook, às 11h30. No fim da tarde, às 17h20, encerram a rodada Tom Barkin e Susan Collins.
Também está prevista a divulgação do índice de confiança do consumidor de fevereiro nos EUA, indicador que mede a percepção das famílias sobre a economia e pode influenciar projeções para consumo, inflação e crescimento.
Além da frente comercial, o mercado monitora riscos geopolíticos após Trump reagir a reportagens que indicavam que o Pentágono teria alertado para os riscos de uma campanha militar prolongada contra o Irã, citando possíveis baixas de americanos, esgotamento de sistemas de defesa aérea e custos militares elevados. O episódio adiciona volatilidade aos ativos globais, especialmente energia.
Cenário nacional
No Brasil, o ambiente político-econômico também traz pontos de atenção. Na Câmara, o projeto de lei conhecido como Antifacção travou a pauta e ameaça a votação do Redata ainda nesta semana. A medida provisória que instituiu o regime tributário perde validade hoje. O setor estima que cerca de R$ 100 bilhões em investimentos potenciais estejam represados diante da dificuldade de aprovação da política.
Lançado pelo governo federal em setembro, o Redata prevê redução de impostos federais para importação de equipamentos de informática, com o objetivo de estimular investimentos em tecnologia e infraestrutura digital.
No Judiciário, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a proibição de ganhos acima do teto constitucional em todos os tribunais do país. A decisão fixa prazo de 60 dias para suspensão de pagamentos adicionais, conhecidos como “penduricalhos”, a integrantes do Judiciário e do Ministério Público.
Na agenda internacional, o presidente Lula incluiu uma parada inesperada em Abu Dhabi durante viagem à Ásia. Às 10h30, está prevista reunião com o presidente do país, Mohamed bin Zayed Al Nahyan.
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Destaques do mercado corporativo
- BTG Pactual: pediu ao Cade aumento de participação na Cosan Dez e participou da compra de fatia do Banamex.
- Gol: concluiu liquidação financeira da OPA para fechamento de capital.
- Azul: teve prazo prorrogado pela B3 para reenquadramento de cotação e divulgou dados no Chapter 11.
- Warner Bros: recebeu proposta elevada da Paramount em movimento para barrar a Netflix.
- Citigroup: vendeu cerca de 24% de participação agregada no Banamex por US$ 2,5 bilhões.











