Os preços dos contratos futuros de petróleo despencam mais de 11%, negociados abaixo de US$ 90 na manhã desta sexta-feira (17), após o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, anunciar que o Estreito de Ormuz está “completamente aberto” para todas as embarcações durante o restante do período de cessar-fogo.
“Em consonância com o cessar-fogo no Líbano, a passagem de todas as embarcações comerciais pelo Estreito de Ormuz está declarada totalmente aberta durante o período restante do cessar-fogo”, declarou Araghchi, no X.
Segundo Araghchi, a passagem das embarcações ocorrerá por uma rota coordenada, conforme já indicado pela Organização de Portos e Marítima do Irã. O governo iraniano, no entanto, não detalhou se a liberação poderá ser prorrogada em caso de avanço nas negociações.
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Em reação imediata, o dólar intensificou a queda da abertura, com o DXY em baixa de 0,41%, aos 97,809 pontos. No Brasil, o dólar cede 0,83% frente ao real, à mínima de R$ 4,95.
Estreito de Ormuz é ponto-chave do comércio global
O Estreito de Ormuz conecta o Golfo Pérsico ao Oceano Índico e concentra cerca de 1/3 de todo o petróleo transportado por via marítima no mundo. A região registra a passagem diária de milhões de barris, além de fertilizantes e outras commodities.
Por esse motivo, qualquer restrição ao tráfego marítimo tende a gerar pressão imediata sobre os preços da commodity. Já a liberação da rota reduz incertezas e impacta diretamente as cotações.
A sinalização de normalização no fluxo marítimo reduz a percepção de risco no mercado internacional de energia, após dias de volatilidade provocada pelo bloqueio parcial da rota.
Cenário de tensão entre Irã e Estados Unidos
A reabertura do Estreito de Ormuz ocorre em meio a um cenário de tensão entre Irã e Estados Unidos. Nesta semana, os EUA iniciaram um bloqueio naval a embarcações com escala em portos iranianos.
O presidente Donald Trump reagiu imediatamente ao anúncio: “O Irã acabou de anunciar que o Estreito de Ormuz está totalmente aberto e pronto para passagem completa. Obrigado!”.
Apesar disso, Trump destacou que o bloqueio naval americano permanece “em pleno vigor e efeito” no que diz respeito ao Irã, até que a negociação entre os países seja concluída. Segundo ele, a maior parte dos pontos já foi negociada.
Exportações e risco de novas interrupções
O bloqueio naval dos Estados Unidos foi intensificado ao longo da semana, ampliando a pressão sobre o Irã para realizar concessões. Esse movimento ocorre após o país atingir níveis recordes de exportação de petróleo durante o período inicial da guerra, iniciada em 28 de fevereiro.
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Naquele momento, ameaças ao Estreito de Ormuz já haviam interrompido o tráfego de petróleo, fertilizantes e outras commodities, afetando uma rota considerada vital para os países do Golfo Pérsico.
O Irã, por sua vez, indicou que pode retaliar afetando o tráfego marítimo em outras rotas estratégicas da região.











