O governo federal intensificou as negociações com bancos para tirar do papel uma nova versão do Desenrola, programa de renegociação de dívidas, que pode atingir até R$ 140 bilhões. A proposta, tratada como uma das prioridades do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em ano eleitoral, busca atacar o alto nível de inadimplência das famílias com a troca de débitos antigos por novas linhas com juros menores e prazos mais longos.
O foco do programa são pessoas físicas com renda de até cinco salários mínimos (R$ 8.105), com dívidas em atraso entre 91 dias e três anos, considerando dados de dezembro de 2025. Caso o limite de renda seja reduzido para três salários mínimos, o total elegível cairia para cerca de R$ 125 bilhões.
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Nesta segunda-feira (13), o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a nova versão do programa, nos moldes do Desenrola, deve ser anunciada após o retorno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de viagem à Europa.
Ele antecipou que, entre as medidas em análise, está a possibilidade de liberar valores retidos no Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para a quitação de dívidas. Trabalhadores dentro da faixa de renda elegível poderão sacar até 20% do saldo para quitar dívidas, e o montante potencial para essa liberação pode chegar a cerca de R$ 7 bilhões, segundo a pasta.
A iniciativa é tratada como prioridade dentro do governo e deve ser anunciada até o fim de abril, com início previsto para maio, próximo ao Dia do Trabalhador. O prazo para adesão deve ser de três meses.
Programa de renegociação de dívidas atenderá 3 modalidades de crédito
O programa do governo deve abranger três modalidades de crédito sem garantia: cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal não consignado.
Essas linhas são consideradas mais arriscadas pelos bancos, porque não possuem garantias associadas. Diferentemente do crédito consignado, não há desconto automático em folha de pagamento ou benefício previdenciário.
Do valor total disponibilizado por meio do programa de renegociação, a distribuição estimada é de R$ 80 bilhões em cartão de crédito, R$ 50 bilhões em crédito pessoal não consignado e R$ 10 bilhões em cheque especial.
Como funcionará a renegociação das dívidas
Cada banco poderá oferecer propostas diretamente aos seus clientes. Quem tiver dívidas em mais de uma instituição precisará negociar separadamente com cada uma delas.
As instituições financeiras concederão descontos sobre o saldo devedor e disponibilizarão um novo financiamento com juros menores. A taxa final discutida não deve ultrapassar 2% ao mês.
O percentual de desconto será definido de acordo com o tempo de atraso. Dívidas mais antigas terão abatimentos maiores. Em alguns casos, reduções entre 80% e 90% podem ser aplicadas para débitos com pelo menos um ano de inadimplência.
Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, “a expectativa é que o desconto chegue a 90%”. Ele citou o exemplo de uma dívida de R$ 10 mil com juros de 8% ao mês que, com desconto de 90%, cairia para R$ 1.000, podendo depois ser renegociada com taxas menores.
Garantias para renegociação
O novo programa deve contar com o Fundo de Garantia de Operações (FGO), abastecido com recursos públicos. O fundo cobre eventuais inadimplências, reduzindo o risco para os bancos e permitindo condições melhores de crédito.
O aporte do governo no FGO deve ficar entre R$ 5 bilhões e R$ 10 bilhões. Ainda não está definido se a cobertura será integral para todos os beneficiários ou parcial para quem ganha acima de três salários mínimos.
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Alguns pontos ainda seguem em discussão
Alguns parâmetros ainda seguem em aberto, como a faixa de renda final (entre três e cinco salários mínimos), a idade mínima da dívida elegível (entre 61 dias e até três anos) e o nível de cobertura do FGO.
O mercado defende ampliar o prazo das dívidas incluídas para até três anos, argumentando que limitar a um ano excluiria uma parcela relevante dos inadimplentes.
Apesar da estimativa de até R$ 140 bilhões, o valor que será efetivamente renegociado depende de fatores ainda indefinidos, como critérios finais de elegibilidade, idade mínima da dívida e nível de adesão de bancos e consumidores.











