O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira (B3), encerrou a sessão da última sexta-feira (17) em baixa de 0,55%, aos 195.733,51 pontos, pressionado pelo cenário externo. Com o anúncio sobre a abertura do Estreito de Ormuz e consequente queda dos preços do petróleo, a Petrobras, uma das empresas de maior peso no índice, influenciou contra o bom desempenho.
As ações da estatal registraram forte queda de 5,31% (ON) e 4,86% (PN), acompanhando a queda do petróleo no mercado internacional. De outro lado, a valorização das ações da Vale em 2,64% ajudou a limitar perdas maiores do Ibovespa. O setor financeiro também teve destaque positivo, com Bradesco (PN) em alta de 1,97%.
No ranking geral, Vamos (+6,27%) e Direcional (+4,48%) figuraram entre as maiores altas do dia, enquanto as perdas foram protagonizadas por empresas ligadas ao setor petrolífero, como Brava (-6,28%), Braskem (-5,55%) e PetroReconcavo (-4,12%).
No câmbio, o dólar fechou em queda de 0,19% frente ao real, cotado a R$ 4,98, influenciado pelo alívio geopolítico e queda do petróleo.
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No cenário internacional, a nova escalada das tensões no Oriente Médio voltam a pesar sobre os mercados globais, após a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã fechar novamente o Estreito de Ormuz no fim de semana.
A decisão ocorreu em resposta à permanência do bloqueio naval americano em portos iranianos e após o Irã acusar os EUA de violarem o cessar-fogo ao apreenderem um navio cargueiro de bandeira iraniana, sob a alegação de que a embarcação tentava driblar o bloqueio aos portos do país.
A reação de Teerã foi imediata: o comando militar conjunto prometeu retaliação, enquanto o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, classificou as ameaças americanas a navios e portos iranianos como “sinais claros” de falta de sinceridade de Washington às vésperas de novas negociações.
Apesar da recente escalada, o Paquistão mantém os preparativos para uma nova rodada de diálogo entre EUA e Irã. O encontro, no entanto, chega cercado de incertezas, diante do agravamento das tensões no Estreito de Ormuz e da proximidade do fim de um frágil cessar-fogo.
Nesta segunda-feira (20), o vice-presidente do Irã, Mohammad-Reza Aref, afirmou que a segurança no Estreito de Ormuz tem um preço: “A segurança do Estreito de Ormuz não é gratuita. Não se pode restringir as exportações de petróleo do Irã enquanto se espera segurança gratuita para os outros”, escreveu Aref no X. “A escolha é clara: ou um mercado de petróleo livre para todos, ou o risco de custos significativos para todos”, concluiu.
No Brasil, o cenário é de cautela, em dia de liquidez reduzida na véspera do feriado nacional de Tiradentes, quando os mercados ficarão fechados.
Destaque para a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na abertura da feira de Hannover, na Alemanha, que tem o Brasil como destaque neste ano.
Em seu discurso, Lula ressaltou que “Em menos de duas semanas entra em vigor o acordo que cria um mercado de quase 720 milhões de pessoas e com um PIB de US$ 22 trilhões” e que “Há inúmeras complementaridades ainda não exploradas; que o Brasil pode ajudar a União Europeia a diminuir o custo de energia e descarbonizar.”
Nas falas do presidente, o Brasil cansou de ser tratado como país pobre, de terceiro mundo e invisível. “Nós somos um país do sul global e temos muito interesse em fazer com que a nossa aliança com a Europa e sobretudo com a Alemanha seja cada vez mais produtiva, eficaz e capaz de proporcionar ao povo alemão e brasileiro perspectivas de um futuro mais feliz.”
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Manchetes desta manhã
- Agro ‘camufla’ mais um ano de produtividade baixa no Brasil (Valor)
- BRB e Governo do DF esperam retorno positivo sobre empréstimo do FGC nesta semana (Folha)
- Demanda asiática por petróleo brasileiro cresce e leva exportações do País a recorde (Estadão)
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Mercado global é pressionado por incerteza sobre negociações entre EUA e Irã
As bolsas da Europa recuam com a escalada das tensões no Oriente Médio, após o Irã acusar os EUA de violarem o cessar-fogo ao apreenderem uma embarcação iraniana — ação que, segundo Donald Trump, ocorreu após o navio desobedecer ordem de parada.
O episódio aumenta as incertezas sobre o avanço das negociações de paz às vésperas do fim da trégua de duas semanas, enquanto, no mercado acionário, ações de petrolíferas sobem e mineradoras recuam.
Na Ásia, os mercados iniciaram a semana em alta, mesmo com o aumento das tensões entre os EUA e o Irã no fim de semana, após novas interrupções no Estreito de Ormuz. Destaque para o índice Nikkei, do Japão, com ações de IA superando preocupações com o aumento das tensões no Oriente Médio.
Destaque também para a China, cujos índices atingem o nível mais alto desde dezembro, após o PBoC manter a taxa de juros, com postura monetária “apoiadora” e “moderadamente frouxa”.
Em Nova York, os índices futuros abrieam em baixa nesta segunda-feira, enquanto o petróleo avança após tensões no Oriente Médio reduzirem expectativas de avanço nas negociações de paz antes do prazo final do cessar-fogo entre EUA e Irã.
Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: -0,48%
- FTSE 100: -0,67%
- CAC 40: -1,06%
- Nikkei 225: +0,6%
- Hang Seng: +0,77%
- Shanghai SE Comp: +0,76%
- Ouro (jun): -1,31%, a US$ 4.816,0 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): +0,18%, aos 98,274 pontos
- Bitcoin: -0,02% a US$ 75.214,6
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Commodities
- Petróleo: os contratos futuros avançam após queda na sessão anterior, impulsionado por novas tensões no Oriente Médio antes do fim da trégua entre EUA e Irã. A apreensão de um navio iraniano por forças americanas elevou os riscos na região, colocando em dúvida as negociações de paz, enquanto o Irã acusa os EUA de violarem o cessar-fogo ao manterem o bloqueio no Estreito de Ormuz.
O Brent/junho avança 5,27%, cotado a US$ 95,14 e o o WTI/junho sobe 6,22%, a US$ 87,73. - Minério de ferro: fechou em alta de 1,16%, na Bolsa de Dalian, na China, cotado a US$ 115,34/ton. O contrato de maio (SZZFK6) na Bolsa de Singapura fechou em alta de 0,76%, a US$106,6/ton.
O avanço do minério de ferro marca a quarta sessão consecutiva, impulsionado pela desestocagem na China, que vem reduzindo os elevados níveis de material armazenado nos portos e sinalizando demanda consistente pela commodity.
Os preços também encontram suporte na estabilidade da produção de ferro-gusa e na alta do petróleo.
Cenário internacional é de expectativa por negociações entre EUA e Irã
A escalada do conflito no Oriente Médio ganhou força no fim de semana após a Guarda Revolucionária do Irã atacar embarcações no Estreito de Ormuz e anunciar a retomada de regras mais rígidas de navegação, em resposta ao que classificou como violações por parte dos Estados Unidos. Do outro lado, Donald Trump acusou Teerã de “violação total” do cessar-fogo e voltou a ameaçar atingir infraestruturas estratégicas, como pontes e usinas de energia.
Neste domingo, a tensão subiu ainda mais após os EUA anunciarem que alvejaram e apreenderam um navio cargueiro iraniano no Golfo de Omã. O Irã prometeu retaliar, classificando a ação como “pirataria” e nova quebra da trégua, que expira na próxima quarta-feira (22).
Apesar disso, Trump afirmou que enviados americanos desembarcariam no Paquistão para uma nova rodada de negociações— iniciativa rejeitada por Teerã, que cita o bloqueio naval e exigências consideradas excessivas por Washington.
No campo econômico, o diretor do Federal Reserve (Fed), Christopher Waller, indicou que a resposta da política monetária ao conflito dependerá da evolução dos choques no petróleo. Segundo ele, se o fluxo pelo Estreito de Ormuz for normalizado, o Banco Central pode relativizar o impacto; porém, uma disrupção prolongada eleva o risco de pressão inflacionária mais disseminada.
Na Ásia, a China manteve suas principais taxas de juros inalteradas em 3% para um ano e 3,5% para cinco anos, após dados mais fortes do PIB reduzirem a necessidade de estímulos imediatos.
Já na Europa, o mercado acompanha o discurso da presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, previsto para as 13h40 na Alemanha, em meio ao aumento das incertezas globais.
Cenário nacional
No Brasil, em meio à agenda esvaziada devido ao feriado de Tiradentes, destaque para a divulgação do tradicional Boletim Focus, que revela deterioração nas expectativas para 2026, com aumento da projeção da Selic para 13%.
No setor corporativo, a Novonor fechou acordo com o Shine I Fundo de Investimento em Participações (FIP) para a venda de sua participação na Braskem. A operação envolve a alienação de cerca de 50,1% das ações ON e 34,3% do capital social total da petroquímica, informou a Braskem em fato relevante.
A transferência, no entanto, ainda depende da obtenção de autorizações judiciais e do aval de órgãos antitruste no Brasil, México EUA e Europa. Outra condição para que o negócio seja concluído é que a Petrobras, que compartilha o controle da companhia com a Novonor, não exerça seus direitos de preferência e de “tag along” (venda conjunta) previstos no atual acordo de acionistas.
A partir desta segunda-feira, as ações da Azul passam a ser negociadas sob o ticker AZUL3, informa a agência Bovespa. Alteração acontece depois de os acionistas terem aprovado, em março, o grupamento de ações da aérea, na proporção de 150 mil para uma.
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Destaques do mercado corporativo
- Petrobras: alertou em documento enviado à SEC que o novo imposto sobre exportação de petróleo, criado pela MP 1.340/2026, pode pressionar preços de venda no exterior e reduzir margens, e destacou o aumento dos riscos geopolíticos sobre seus negócios.
- Gafisa: aprovou aumento de capital de até R$ 250 milhões, com emissão de novas ações via capitalização de créditos de fornecedores e prestadores de serviços.
- GPA: obteve liminar pela Justiça de São Paulo, que impede que o grupo francês Casino venda ações da companhia, após um tribunal arbitral ter negado o mesmo pedido na semana passada.











