O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira (B3), encerrou o pregão desta quinta-feira (23) em queda de 0,78%, aos 191.378,43 pontos, impactado pelo aumento da aversão ao risco após declarações de autoridades em Israel indicarem possibilidade de escalada nas tensões e risco de retomada do conflito no Oriente Médio.
João Ferreira, sócio da One Investimentos, avalia que o movimento recente do Ibovespa também representa uma correção após a forte valorização. Para ele, o Brasil ainda segue atrativo para investidores estrangeiros, especialmente pelos múltiplos das empresas, que medem o preço das ações em relação aos seus lucros.
Entre os destaques do Ibovespa, a Petrobras acompanhou o movimento de alta do petróleo no mercado internacional e encerrou o dia com ganhos de 1,13% (ON) e 1,36% (PN), enquanto a Vale registrou desvalorização de 1,43%.
O dia também foi de perdas para o setor financeiro, com destaque para o Santander Unit, que fechou em queda de 0,83% e para o Bradesco, cujas ações preferenciais tiveram baixa de 2,16%. No ranking geral, Hapvida (+5,14%) e Azzas (+2,33%) tiveram as maiores altas do Ibovespa, enquanto a C&A liderou as perdas, em queda de 5,85%.
No câmbio, o dólar voltou a operar na faixa dos R$ 5, com valorização de 0,6% ante o real, impulsionado pela realização de lucros e pela recomposição de posições defensivas diante do aumento das tensões no Oriente Médio.
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No cenário internacional, a piora na percepção sobre o conflito no Oriente Médio recoloca os mercados em modo de aversão ao risco, elevando a volatilidade global. O impasse entre Estados Unidos e Irã agora tem contornos mais estruturais, com sinais de enfraquecimento das negociações, com a manutenção do bloqueio no Estreito de Ormuz e a retomada de discursos militares.
O gatilho mais imediato veio do esvaziamento do canal diplomático entre Washington e Teerã. A notícia de que Mohammad Bagher Ghalibaf, peça-chave nas tratativas, teria deixado a mesa (ainda que contestada pelo governo iraniano) elevou o prêmio de risco ao reforçar a percepção de descoordenação interna nas negociações.
Ao mesmo tempo, relatos de ativação de sistemas de defesa aérea em Teerã, somados a ataques recentes e à continuidade do bloqueio no Estreito de Ormuz, indicam que o conflito segue ativo mesmo sob um cessar-fogo formal. Do lado americano, Donald Trump adota um tom ambíguo: afirma que as conversas continuam, mas sinaliza ausência de urgência para um acordo e volta a mencionar a possibilidade de solução militar.
Do outro lado, Israel adiciona uma camada extra de risco. O ministro da Defesa indicou aguardar aval de Washington para ampliar a ofensiva, incluindo possíveis ataques à infraestrutura energética iraniana e até menções à liderança do regime. Em paralelo, os Estados Unidos reforçam sua presença militar na região com o envio de um terceiro porta-aviões.
Apesar das tensões, fontes indicam que as negociações seguem, ainda que travadas, especialmente pelo bloqueio marítimo imposto pelos EUA, tratado por Teerã como condição essencial para qualquer avanço.
No Brasil, a resposta do governo à alta dos combustíveis gerou ruído no mercado. A expectativa inicial de uma isenção imediata de impostos federais sobre a gasolina foi frustrada por uma proposta mais gradual e condicionada.
Em vez de desoneração direta, o governo enviou ao Congresso um projeto que permite usar receitas extraordinárias do petróleo, como royalties, dividendos e exportações, para compensar cortes de tributos sobre combustíveis.
De acordo com o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, cada corte de R$ 0,10 nos impostos sobre a gasolina, por dois meses, teria impacto de R$ 800 milhões.
A medida busca preservar a neutralidade fiscal, mas já enfrenta ceticismo. Avaliações no mercado apontam que a dependência de receitas voláteis pode limitar o impacto sobre a inflação e abrir precedentes delicados para o arcabouço de responsabilidade fiscal.
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Manchetes desta manhã
- Qualidade de ativos definirá acesso de bancos ao FGC (Valor)
- Escala 6×1: Profissional que trabalha mais tem salário 58% menor, em média, diz estudo (Folha)
- Governo reduz estimativa de benefícios tributários em R$ 214 bi em 2027, mas corte real será menor (Estadão)
- Novo secretário do Tesouro defende ajustes no arcabouço fiscal para conter crescimento dos gastos (O Globo)
Mercado global segue pressionado por impasse entre EUA e Irã
As bolsas da Europa recuam nesta sexta-feira e caminham para fechar a semana em baixa, pressionadas pelo impasse entre EUA e Irã e seus efeitos sobre o petróleo, com o Estreito de Ormuz ainda fechado e riscos inflacionários em alta.
No noticiário corporativo, a SAP se destaca, com ações em alta após resultados acima do esperado no 1º trimestre.
Na Ásia, os mercados encerraram a semana com desempenho misto, pressionados pelo recuo das ações de tecnologia e pela alta do petróleo, em meio ao impasse entre EUA e Irã e repercussão limitada da prorrogação do cessar-fogo entre Israel e Líbano.
No Japão, a inflação subiu 1,8% em março na comparação com o mesmo período do ano anterior, ante 1,6% em fevereiro, ainda abaixo da meta de 2% do Banco Central (BoJ), que se reúne na próxima semana.
Em Nova York, os índices futuros abriram sem direção única, após Trump afirmar que Israel e Líbano concordaram em estender o cessar-fogo. No pré-mercado, o destaque positivo fica para as ações de fabricantes de chips.
Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: +0,11%
- FTSE 100: -0,34%
- CAC 40: -0,51%
- Nikkei 225: +0,97%
- Hang Seng: +0,24%
- Shanghai SE Comp: -0,33%
- Ouro (jun): -0,05%, a US$ 4.721,69 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): -0,18%, aos 98,65 pontos
- Bitcoin: +0,43% a US$ 78.185,2
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Commodities
- Petróleo: os contratos futuros operam mistos nesta sexta-feira, após forte alta que levou o Brent a cerca de US$ 107 por barril. O mercado segue pressionado pelo impasse no Oriente Médio e pelo fechamento do Estreito de Ormuz, enquanto relatório do Goldman Sachs aponta forte queda na produção do Golfo e alerta que a normalização da oferta pode demorar mais que o esperado, mesmo com a eventual reabertura da rota.
O Brent/junho avança 0,13%, cotado a US$ 105,21, enquanto o WTI/junho cai 0,42%, a US$ 95,45. - Minério de ferro: fechou em alta de 0,19% na Bolsa de Dalian, na China, cotado a US$ 115,07/ton, acumulando alta de 1,09% na semana. Na Bolsa de Singapura, o contrato para maio avançou 0,34%, para US$107,05/ton, com alta acumulada de 1,18% na semana.
O consumo de aço segue forte, impulsionado pelo setor de construção e pela recomposição de estoques antes do feriado do Dia do Trabalho na China, segundo a Mysteel.
Por outro lado, o minério de ferro é pressionado pela perspectiva de aumento na oferta, após a resolução de disputa contratual entre a BHP e o China Mineral Resources Group.
Cenário internacional destaca ofensiva dos EUA
Nos EUA, a agenda desta sexta-feira concentra a atenção na divulgação dos dados de confiança do consumidor e das expectativas de inflação da Universidade de Michigan — indicadores-chave para calibrar as apostas sobre os próximos passos da política monetária.
No front geopolítico, as tensões no Oriente Médio se intensificam. O presidente Donald Trump afirmou ter ordenado à Marinha que destrua qualquer embarcação envolvida no lançamento de minas no Estreito de Ormuz, em meio às operações para restabelecer o fluxo marítimo na região. Na véspera, forças americanas também apreenderam mais um petroleiro com destino à China no Oceano Índico, segundo a Associated Press.
Apesar da escalada, houve sinalização diplomática: Trump anunciou a prorrogação do cessar-fogo entre Israel e Líbano por mais três semanas, após reunião na Casa Branca. O presidente também indicou que deve receber em breve o premiê israelense Benjamin Netanyahu e o presidente libanês Joseph Aoun em Washington.
Na Europa, o Reino Unido surpreendeu positivamente com o aumento de 0,7% das vendas no varejo em março, acima das projeções e revertendo a queda do mês anterior, reforçando sinais de resiliência da atividade.
Cenário nacional
No Brasil, o destaque é o balanço de pagamentos de março, com previsão de déficit em transações correntes de US$ 6,3 bilhões, segundo o BTG Pactual, refletindo a piora no saldo comercial e maiores despesas com serviços e rendas.
Já no sistema financeiro, o Banco Central intensificou a agenda regulatória após o caso Master. O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou medidas que endurecem regras de captação com garantia do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e ampliam exigências de liquidez para instituições menores.
Agora, as captações garantidas pelo FGC que superarem o ativo de referência terão de ser aplicadas integralmente em títulos públicos. Além disso, o BC estendeu a exigência de índice de liquidez de curto prazo para instituições de menor porte.
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Destaques do mercado corporativo
- Petrobras: notificou a Novonor que abriu mão dos direitos de preferência e de tag along na Braskem e firmou novo acordo de acionistas, mantendo participação de 36,1% no capital.
- BRB: teve novamente suspenso pela Justiça o uso de imóveis públicos para aporte de capital.
- Goldman Sachs: aprovou a liquidação de dois ETFs, com negociação até junho de 2026.
- Hapvida: teve aumento de participação da Família Pinheiro, controladora para 55,4% do capital.
- Copasa: em mais um passo para a privatização, o governo mineiro publicou o manual da etapa prévia para seleção de investidor de referência, que poderá adquirir participação de até 30% na companhia
- Ecopetrol: estatal colombiana assinou contrato para adquirir 26% da Brava Energia por R$ 23 por ação, num desembolso inicial de R$ 2,77 bilhões. A companhia lançará OPA voluntária parcial para alcançar 51% das ações com direito a voto, sujeita à aprovação do CADE.











