O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira (B3), encerrou o último pregão de abril em alta de 1,39%, aos 187.317,64 pontos, interrompendo uma sequência de seis sessões consecutivas em baixa. O movimento desta quinta-feira (30), véspera de feriado, foi impulsionado pelo bom humor externo e patamares históricos nas bolsas americanas. Os índices Nasdaq e S&P 500 renovaram recordes de fechamento, mesmo sob o pano de fundo das tensões persistentes no Oriente Médio.
Entre os destaques do dia, as blue chips tiveram papel crucial no bom desempenho do Ibovespa, com a Petrobras registrando alta de 0,48% nos papéis ordinários e de 0,25% nos preferenciais, na contramão da trajetória do petróleo. A Vale, ação de maior peso no índice, fechou com valorização de 2,19%.
No setor financeiro, o desempenho foi amplamente positivo. O Banco do Brasil liderou os ganhos entre os grandes bancos, com valorização de 2,3%. No ranking geral, as maiores altas ficaram com Hapvida (+5,45%), e CPFL Energia (+4,38%), enquanto a Suzano recuou 2,18%, figurando entre as principais quedas do dia.
No câmbio, o dólar encerrou o dia em queda de 0,98% frente ao real, cotado a R$ 4,95, no menor nível em mais de dois anos. Em abril, o dólar apresentou desvalorização de 4,36%.
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O cenário internacional nesta segunda-feira (4) combina tentativa de alívio na geopolítica com sinais ainda claros de impasse na guerra do Oriente Médio, mantendo o mercado preso ao risco inflacionário. No fim de semana, o Irã apresentou aos Estados Unidos uma proposta de 14 pontos para encerrar o conflito, que inclui suspensão de sanções, retirada de tropas americanas e cessar das operações israelenses no Líbano, com previsão de acordo em até 30 dias, ainda sem sinal verde de Washington.
O presidente Donald Trump voltou a endurecer o discurso, afirmando que o Irã não “pagou preço suficiente”, reforçando a percepção de negociações prolongadas e sujeitas a retrocessos. Em paralelo, Israel ordenou evacuações no sul do Líbano após acusações de violação de cessar-fogo pelo Hezbollah, enquanto Teerã busca apoio internacional, com articulações envolvendo Omã e Alemanha.
No centro das tensões, o Estreito de Ormuz segue como ponto crítico para o petróleo global. Os contratos futuros da commodity superam US$ 100 o barril após relatos de que um navio de guerra dos EUA, que ignorou o aviso do Irã e pretendia atravessar o Estreito de Ormuz, foi atingido por dois mísseis quando navegava próximo ao porto de Jask, na costa sul do país.
Citando a Marinha do Irã, a TV estatal iraniana afirmou que o Irã impediu a entrada de navios de guerra dos EUA no estreito. Autoridades americanas, no entanto, negam que navio dos EUA tenha sido atingido por mísseis iranianos.
No Brasil, a agenda doméstica traz estímulos à economia. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assina nesta segunda-feira a Medida Provisória (MP) do novo Desenrola Brasil, focado na renegociação de dívidas das famílias, com descontos de até 90% e uso parcial do FGTS.
O governo também lança o programa Move Brasil 2, com mais de R$ 20 bilhões em crédito para financiar caminhões e ônibus, em uma tentativa de impulsionar atividade e consumo.
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Manchetes desta manhã
- Novo Desenrola começa com público ampliado e foco em dívida cara (Valor)
- Marfrig e BRF criam Sadia Halal e preparam IPO na Arábia Saudita (Folha)
- Premiê do Japão diz que crise do petróleo tem ‘impacto enorme’ na Ásia-Pacífico (Estadão)
- Acesso a crédito dobra entre os mais jovens e acende alerta sobre inadimplência precoce (O Globo)
Mercado global na mira das ameaças dos EUA
As bolsas da Europa operam majoritariamente em baixa nesta segunda-feira, após Trump anunciar que elevará as tarifas sobre carros e caminhões importados da União Europeia de 15% para 25% ainda esta semana, sob o pretexto de que o bloco teria descumprido o acordo comercial firmado com os EUA.
Mais cedo, BMW e Mercedes-Benz recuavam próximo de 2% em Frankfurt, enquanto o subíndice de montadoras perde 0,93% no Stoxx 600.
Na Ásia, os índices fecharam em alta, com o índice sul-coreano Kospi renovando máximas impulsionado por fortes resultados de Samsung Electronics e SK Hynix. Os negócios na região, no entanto, foram reduzidos com os mercados no Japão e na China fechados por feriado.
Em Nova York, os índices futuros operam em baixa nesta segunda-feira (4), enquanto investidores repercutem o “Project Freedom”, anunciado por Donald Trump. A proposta prevê que os EUA escoltem navios de nações fora do conflito que ficaram retidos após o fechamento do Estreito de Ormuz.
Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: +0,14%
- FTSE 100: -0,14%
- CAC 40: -0,93%
- Nikkei 225: fechado por feriado
- Hang Seng: +1,24%
- Shanghai SE Comp: fechado por feriado
- Ouro (jun): -1,45%, a US$ 4.577,35 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): +0,18%, aos 98,34 pontos
- Bitcoin: +0,17% a US$ 78.87
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Commodities
- Petróleo: negociações de contratos futuros voltam a superar US$ 100 o barril, valor impulsionado pela escalada de tensões no Estreito de Ormuz — com relatos de ataque a navio norte-americano (negados por Washington), planos de escolta anunciados por Trump e ameaças do Irã, que elevam os riscos ao fluxo global da commodity.
Enquanto isso, o Teerã analisa a resposta de Washington à sua mais recente proposta de 14 pontos, com expectativa de uma resolução diplomática.
O Brent/julho dispara 3,55%, cotado a US$ 112,01, enquanto o WTI/junho avança 3,53%, a US$ 105,54.
Cenário internacional
Nos EUA, a agenda econômica destaca o payroll de abril, que será divulgado na sexta-feira, enquanto investidores monitoram o discurso do dirigente do Federal Reserve (Fed), John Williams, nesta segunda-feira.
No front geopolítico, neste domingo, o presidente Donald Trump anunciou o “Project Freedom”, iniciativa para retirar navios presos no Estreito de Ormuz, ao mesmo tempo em que sinalizou baixa disposição para aceitar a proposta de paz apresentada pelo Irã.
Enquanto isso, a Opep+ aprovou um aumento modesto de produção para junho, de 188 mil barris por dia — o terceiro consecutivo. Ainda assim, o cartel reconhece que o avanço pode ficar limitado enquanto o Estreito de Ormuz permanecer fechado, mantendo o petróleo sob pressão.
As tensões comerciais também ganham força. Trump anunciou tarifas de 25% sobre veículos da União Europeia, medida que atinge diretamente a indústria alemã, após críticas ao chanceler Friedrich Merz. Em paralelo, o Pentágono confirmou a retirada de 5 mil soldados da Alemanha, indicando possível reconfiguração da presença militar americana na Europa.
Cenário nacional
No Brasil, o principal evento da semana é a ata do Copom, que será divulgada nesta terça-feira (5) e deve trazer sinais mais claros sobre o ritmo de cortes da Selic. O cenário, no entanto, se torna mais desafiador.
Bancos já revisam projeções diante da pressão inflacionária. O Bradesco elevou a estimativa da Selic ao fim de 2026 para 12,75% e revisou o IPCA para 4,75%, acima do teto da meta. Já o Itaú Unibanco projeta juros em 13,25% e aponta que cortes mais agressivos dependeriam de um câmbio abaixo de R$ 5 e de melhora nas expectativas de inflação — cenário ainda distante diante da volatilidade no Oriente Médio.
Com isso, a combinação entre conflito geopolítico, crédito caro e expectativas desancoradas reforça a leitura de um ciclo de juros mais cauteloso à frente.
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Destaques do mercado corporativo
- Petrobras: reajustou o gás natural em 19,2% e o querosene de aviação em 18%, além de iniciar a produção da plataforma P-79 no pré-sal da Bacia de Santos, antecipando o cronograma.
- Vale: aprovou remuneração de R$ 177,3 milhões para administradores em 2026 (queda de 9%) e reiterou que avalia oportunidades estratégicas, sem confirmar interesse no Porto Sudeste.
- B3 e Totvs: concluíram a venda da Dimensa para a Evertec por R$ 950 milhões.
- Bradesco: elevou sua participação na Bradsaúde de 53,61% para 91,35% após incorporação de ações.
- Sabesp: contratou o Bradesco para estruturar potencial proposta pela Copasa, enquanto a Wellington reduziu participação para 4,79%.
- BRF: concluiu acordo com a Halal Products Development Company, criando a Sadia Halal, plataforma global avaliada em US$ 2 bilhões.











