Os mercados globais operam nesta terça-feira (26) entre o alívio e a cautela diante das negociações envolvendo Estados Unidos (EUA) e Irã. Apesar de sinais do avanço diplomático, o cenário segue marcado por elevada instabilidade geopolítica, mantendo investidores atentos ao risco de novos desdobramentos militares no Oriente Médio.
Forças americanas realizaram ataques no sul do Irã nesta terça-feira (noite de segunda-feira no Brasil), conforme informou o Comando Central do país (CentCom). Os alvos incluíram embarcações que tentavam instalar minas marítimas e plataformas de lançamento de mísseis. Ainda assim, o presidente do EUA, Donald Trump, afirmou que as negociações com Teerã “prosseguem bem”, numa tentativa de preservar o ambiente de diálogo mesmo após a ofensiva militar.
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O mercado interpretou como um gesto relevante de distensão a sinalização da Casa Branca sobre o programa nuclear iraniano. Trump indicou flexibilidade em relação ao destino do urânio enriquecido do Irã e admitiu, inclusive, a possibilidade de destruição do material em território iraniano, desde que sob supervisão internacional.
A sinalização representa uma concessão importante em um dos pontos mais sensíveis da negociação nuclear e ajudou a reduzir parte da aversão ao risco nos mercados internacionais. Ainda assim, os principais focos de tensão permanecem sem solução.
Israel voltou a endurecer o discurso sobre o conflito no Líbano. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu prometeu ampliar os ataques contra o Hezbollah, enquanto autoridades iranianas reforçaram que qualquer acordo dependeria de um cessar-fogo amplo em todas as frentes do conflito, incluindo as operações israelenses contra grupos apoiados por Teerã na região.
Ao mesmo tempo, investidores acompanham relatos de que Washington tenta ampliar as negociações para um rearranjo diplomático mais abrangente no Oriente Médio. Os Estados Unidos pressionam Arábia Saudita e Catar a aderirem aos Acordos de Abraão e reconhecerem Israel oficialmente. O avanço, porém, esbarra na exigência árabe de criação de um Estado Palestino; condição rejeitada pelo governo israelense.
As negociações seguem cercadas por temas considerados estratégicos para os mercados globais, como o controle do Estreito de Ormuz, o futuro do programa nuclear iraniano, a atuação do Hezbollah no Líbano e a possível liberação de recursos iranianos congelados no exterior.
Na prática, o mercado já reduziu parte do prêmio de risco associado a uma interrupção prolongada do fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz, rota responsável por cerca de 20% do petróleo transportado globalmente. Ainda assim, investidores evitam apostar em uma solução definitiva para o conflito, diante da fragilidade diplomática e da complexidade geopolítica da região.
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No Brasil, a atenção se volta para a divulgação das estatísticas do setor externo de abril pelo Banco Central e o Investimento Direto no País (IDP), que devem ser divulgados pelo Banco Central ao longo do dia.
A mediana das projeções do mercado aponta para déficit de apenas US$ 100 milhões em conta corrente em abril, após o rombo de US$ 6 bilhões registrado em março. Se confirmado, será o melhor resultado para o indicador desde outubro de 2023.
O desempenho reflete principalmente o forte superávit da balança comercial, impulsionado pelo avanço das exportações de soja e petróleo. A alta das commodities energéticas em meio às tensões no Oriente Médio também contribuiu para fortalecer as receitas externas brasileiras.
Para o Investimento Direto no País, a expectativa é de entrada líquida de US$ 5,55 bilhões em abril. Apesar do fluxo ainda consistente, economistas observam que a escalada geopolítica recente elevou a cautela global com ativos de risco e reduziu parcialmente o apetite por investimentos em mercados emergentes — ainda que o Brasil siga sendo visto como um dos destinos relativamente mais resilientes dentro desse grupo.
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Manchetes desta manhã
- Pressionado, DF vai ao STF por aval para capitalização do BRB (Valor)
- Governo identifica uso no Brasil de 147 pesticidas proibidos na União Europeia, e vê risco a exportações (Folha)
- Cláudio Castro é alvo de operação da PF por aportes de R$ 3 bilhões do Rioprevidência no Master (Estadão)
- Divergência sobre PEC da autonomia orçamentária do BC amplia desgaste entre Galípolo e Fazenda (O Globo)
Mercado global volta a olhar para negociações entre EUA e Irã
As bolsas da Europa operam em queda nesta terça-feira, após renovarem máximas desde fevereiro, pressionadas por novos ataques dos EUA ao Irã, que reduzem as perspectivas de paz e mantêm preocupações com a inflação global.
Na Ásia, as bolsas operaram sem direção definida após as forças militares dos Estados Unidos afirmarem ter realizado o que chamaram de ataques de “autodefesa” no sul do Irã, atingindo locais de lançamento de mísseis e barcos que instalavam minas.
Em Nova York, os índices futuros abriram em alta apesar do novo ataque dos EUA ao Irã, com investidores apostando em um avanço diplomático após falas de Trump e Marco Rubio indicando progresso nas negociações. Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq operavam em alta, refletindo expectativa de desescalada do conflito.
Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: +0,65%
- FTSE 100: +0,52%
- CAC 40: -0,78%
- Nikkei 225: -0,2%
- Shanghai SE Comp: -0,2%
- Ouro (jun): -0,25%, a US$ 4.545,01por onça troy
- Índice do dólar (DXY): +0,13%, aos 99,10 pontos
- Bitcoin: -0,43% a US$ 77.029,5
Commodities
- Petróleo: os preços dos contratos futuros avançam, recuperando parte das perdas registradas no pregão anterior, em meio à intensificação dos ataques militares dos Estados Unidos contra o Irã e às expectativas de continuidade das negociações por um acordo de cessar-fogo no conflito.
O Brent/julho sobe 2,97%, cotado a US$ 99 por barril. Já o WTI, negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex), avançava 3,09%, a US$ 92,68 o barril.
Cenário internacional
Nos EUA, o mercado volta as atenções para a divulgação do índice de confiança do consumido, medido pelo Conference Board, às 11h. O indicador ganha peso adicional em uma semana carregada de dados decisivos para a política monetária americana.
Os investidores também monitoram a revisão do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA e, sobretudo, o índice de preços de gastos com consumo (PCE), principal termômetro de inflação acompanhado pelo Federal Reserve (Fed), ambos previstos para quinta-feira (28). Os números podem influenciar as expectativas para os próximos passos dos juros no país.
A agenda internacional ainda inclui o índice de atividade do Fed de Chicago, às 9h30, além de uma participação do presidente do Fed de Minneapolis, Neel Kashkari, em painel ao lado do presidente do Banco do Japão, Kazuo Ueda, às 21h.
Mais tarde, às 22h30, a China divulga os dados de lucro industrial, que devem ser acompanhados de perto em busca de sinais sobre o ritmo da segunda maior economia do mundo.
Cenário nacional
No Brasil, o foco recai sobre o aumento das tensões políticas envolvendo a PEC 65, proposta que altera o desenho institucional do Banco Central. O debate ganhou novos contornos após o secretário-executivo da Fazenda, Dario Durigan, contradizer publicamente declarações do presidente do BC, Gabriel Galípolo, sobre a participação da equipe econômica na elaboração do texto.
Galípolo afirmou ter recebido com “estranhamento” as críticas ao relatório do senador Plínio Valério, argumentando que a proposta teria surgido justamente da equipe econômica, em uma tentativa de reduzir ruídos dentro do governo sobre o futuro modelo de governança da autoridade monetária.
Poucas horas depois, Durigan rebateu a versão. Segundo ele, o texto apresentado no Senado não foi fechado pela Fazenda. O secretário afirmou que a equipe econômica defendeu uma alternativa voltada exclusivamente para solucionar o problema orçamentário do Banco Central, sem provocar aumento da dívida pública.
O principal ponto de divergência está no modelo previsto pela PEC 65, que transforma o Banco Central em uma entidade pública de natureza especial, transferindo a instituição para o setor público financeiro. Nesse formato, os títulos do Tesouro mantidos na carteira do BC poderiam passar a ser contabilizados como dívida pública, ampliando as preocupações da equipe econômica.
Além dos impactos fiscais e contábeis, o embate evidencia a sensibilidade política em torno da autonomia do Banco Central e do futuro arranjo institucional da autoridade monetária.
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Destaques do mercado corporativo
- Petrobras: aprovou nova composição do Comitê de Auditoria Estatutário (CAE). Foram eleitos Renato Galuppo e Marcelo Gasparino da Silva, membros independentes do conselho de administração.
- Brava Energia: a Ecopetrol lançou OPA voluntária para assumir controle da empresa, ao preço de R$ 23 por ação.
- Copel: a controlada Elejor formalizou repactuação de parcelas de R$ 420,6 milhões devidas de Uso de Bem Público (UBP) das usinas Santa Clara e Fundão.
- JHSF: lançou o Fasano Yachts, nova frente de negócios voltada à hospitalidade de luxo no mar, com frota inicial de 12 iates na Sardenha.
- AZZAS 2154: afirmou não haver decisão sobre eventual cisão ou segregação de ativos entre
- Alexandre Birman e Roberto Jatahy.











