A confiança do comércio paulistano recuou 3,1% em abril, passando de 102,9 pontos em março para 99,7 pontos, de volta ao terreno do pessimismo, em um momento marcado por juros elevados, consumo enfraquecido e aumento das incertezas no cenário internacional, aponta o levantamento da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).
O movimento acende um alerta para o ritmo da atividade econômica nos próximos meses e reforça a cautela do varejo diante de um ambiente ainda pressionado.
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Essa queda representa o terceiro recuo mensal consecutivo do ICEC e, segundo avaliação da FecomercioSP, reflete uma combinação de fatores que vem deteriorando a percepção do setor.
O comércio enfrenta desaceleração nas vendas, redução das margens de lucro e maior pressão sobre o caixa das empresas, especialmente entre negócios ainda endividados após os últimos anos.
Selic menor e guerra no Oriente Médio pesam na confiança do comércio
O cenário externo também entrou no radar dos empresários. A escalada das tensões no Oriente Médio, com impactos sobre os preços do petróleo e sobre a volatilidade global, aumentou a preocupação do setor.
Para a Federação, esse ambiente contribuiu inclusive para um corte menor da taxa Selic, frustrando parte da expectativa do varejo por uma recuperação mais consistente da confiança.
A expectativa do setor era de recuperação mais forte da confiança com o início do ciclo de queda dos juros e a aproximação de datas relevantes para o varejo, como o Dia das Mães. No entanto, a redução da Selic abaixo do esperado não foi suficiente para sustentar o otimismo do comércio.
Além disso, juros elevados e inadimplência continuam pressionando o consumo das famílias, limitando o desempenho das vendas.
Diante desse cenário, a FecomercioSP recomenda que os empresários adotem maior cautela em decisões relacionadas à formação de estoques e novos investimentos. Apesar da queda mensal, o ICEC ainda acumula alta de 2,1% em relação ao mesmo período do ano passado.
Condições atuais seguem como principal ponto de preocupação
O ICEC é formado por três componentes: o Índice das Condições Atuais do Empresário do Comércio (ICAEC), o Índice de Expectativa do Empresário do Comércio (IEEC) e o Índice de Investimento do Empresário do Comércio (IIEC). Todos registraram queda em abril na comparação mensal.
O ICAEC caiu 2,3%, passando de 75,6 para 73,8 pontos. Apesar da alta de 2,9% em relação a abril do ano passado, o índice continua sendo o item com pior avaliação dentro do ICEC. Esse foi o 38º mês consecutivo em que o indicador permaneceu abaixo dos 100 pontos.
Segundo a Federação, o resultado mostra que, apesar do avanço das vendas nos últimos meses, os empresários seguem insatisfeitos com fatores como rentabilidade, pressão de custos, juros elevados e política econômica.
Expectativas futuras também perderam força
O Índice de Expectativa do Empresário do Comércio (IEEC), que mede a percepção para os próximos meses, recuou 4,3% em abril. O indicador passou de 128,3 pontos em março para 122,7 pontos no quarto mês do ano. Em relação ao mesmo período do ano passado, houve queda de 0,6%.
Já o Índice de Investimento do Empresário do Comércio (IIEC) caiu 2,3%, chegando a 102,6 pontos. Apesar da retração mensal, o indicador ainda apresenta alta de 5% na comparação anual.
O IIEC vem oscilando próximo da linha dos 100 pontos, sinalizando que os empresários estão mais cautelosos em relação a novos investimentos diante dos juros elevados e das incertezas econômicas. A FecomercioSP avalia que, diante do cenário eleitoral, essa postura deve continuar ao longo de 2026.
Comércio desacelera expansão e investimentos
O Índice de Expansão do Comércio (IEC), que mede o interesse dos empresários em contratar funcionários, abrir novas lojas e investir em máquinas e equipamentos, caiu 1,5% em abril.
O indicador passou de 107 pontos em março para 105,4 pontos no mês seguinte. Mesmo com a queda, o IEC ainda está 5,1% acima do nível registrado em abril do ano passado.
Segundo a FecomercioSP, o resultado mostra desaceleração da disposição dos empresários em ampliar equipes e realizar investimentos em capital físico.
Contratações seguem sustentando indicador
Dentro do IEC, o Índice de Expectativa para Contratação de Funcionários (ECF) ficou em 117,8 pontos em abril, uma queda de 2% frente aos 120,1 pontos registrados em março. Na comparação anual, porém, houve avanço de 5,8%.
Na prática, isso significa que os comerciantes paulistanos ainda pretendem ampliar os quadros de funcionários nos próximos meses, mesmo diante de uma conjuntura econômica mais desafiadora.
Segundo a FecomercioSP, esse movimento é o que impede o IEC de entrar na zona de pessimismo.
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Investimentos seguem abaixo da linha de otimismo
O estudo revela um cenário diferente quando se trata de gastos com máquinas, reformas, equipamentos e expansão física — o Índice de Nível de Investimento das Empresas (NIE) registrou 93,1 pontos em abril, permanecendo abaixo da linha dos 100 pontos pelo 17º mês consecutivo.
Na comparação mensal, o indicador caiu 0,9% frente aos 94 pontos registrados em março, marcando a terceira retração seguida. Mesmo assim, o índice ainda acumula alta de 4,3% no comparativo anual.
A FecomercioSP destaca que o IEC iniciou 2026 em patamar mais positivo, acima dos 105 pontos. Porém, o resultado de abril mostra que esse otimismo continua enfrentando resistência.
Segundo a entidade, a combinação de juros elevados, maior comprometimento da renda das famílias e volatilidade internacional provocada pela guerra no Oriente Médio limita uma expansão mais forte do comércio.
Nesse ambiente, empresários do setor vêm revisando planos de negócios e adiando decisões de investimento enquanto aguardam sinais mais claros sobre os rumos da política econômica após as eleições.











