Os mercados globais iniciam esta quinta-feira (28) sob renovada tensão geopolítica após uma nova ofensiva militar dos Estados Unidos contra alvos iranianos próximos ao Estreito de Ormuz reacender temores sobre a segurança da principal rota de petróleo do planeta. A escalada voltou a impulsionar os preços do petróleo no after market e devolveu volatilidade aos ativos globais, reforçando a percepção de que qualquer sinalização envolvendo o conflito segue com potencial de provocar fortes oscilações nos mercados.
Segundo informações divulgadas pela Reuters e pela Fox News, forças americanas teriam destruído embarcações iranianas supostamente utilizadas para instalação de minas marítimas em Ormuz, além de atingir baterias de mísseis próximas ao porto estratégico de Bandar Abbas.
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Em resposta, o porta-voz do governo iraniano, Esmaeil Baghaei, condenou os ataques americanos e manifestou solidariedade a Omã diante das “ameaças de autoridades dos Estados Unidos”. Segundo ele, as ações militares realizadas pelos EUA foram “calculadas, puramente defensivas e destinadas a manter o cessar-fogo”, em uma sinalização de que Washington tenta evitar uma escalada ainda maior do conflito.
No campo diplomático, o vice-secretário do Conselho Supremo de Segurança do Irã, Ali Baqeri Kani, voltou a pressionar pela liberação integral dos ativos iranianos bloqueados pelos EUA. “Estamos buscando a devolução de todos os bens iranianos congelados, e este é um direito legal da nação iraniana”, afirmou.
Após os ataques, o barril do Brent voltou a superar os US$ 97 no after market, enquanto os rendimentos dos Treasuries americanos retomaram trajetória de alta, refletindo o aumento da aversão ao risco e das preocupações inflacionárias ligadas ao petróleo. O movimento reverte parte do alívio observado na sessão anterior, quando rumores sobre um possível entendimento diplomático divulgados pela mídia iraniana haviam derrubado o Brent para abaixo de US$ 100 e reforçado apostas de cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed).
Com o mercado extremamente sensível à volatilidade do petróleo e aos desdobramentos da guerra no Oriente Médio, a agenda econômica desta quinta-feira ganha relevância adicional com indicadores capazes de recalibrar expectativas para juros tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos.
No exterior, os investidores monitoram a divulgação do índice de inflação PCE — principal referência do Federal Reserve — além da leitura do PIB americano e novos dados do mercado de trabalho.
No Brasil, o destaque político e econômico ficou por conta da aprovação, em dois turnos na Câmara dos Deputados, da PEC que extingue a escala de trabalho 6×1 e reduz a jornada semanal para 40 horas.
A proposta estabelece um período de transição de 14 meses e prevê duas folgas obrigatórias por semana, sendo uma delas preferencialmente aos domingos.
O texto aprovado determina a redução gradual da jornada para 42 horas em até 60 dias, alcançando o teto de 40 horas após um ano.
A medida agora segue para análise do Senado e já enfrenta forte resistência de entidades empresariais, que alertam para potenciais impactos sobre custos trabalhistas, produtividade e geração de empregos.
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Manchetes desta manhã
- Operação faz buscas na Faria Lima e mira fundos, gestoras e 6 fintechs (Valor)
- Desemprego sobe a 5,8% no trimestre até abril, abaixo das projeções (Folha)
- Raízen abre detalhes de reestruturação e propõe conversão de dívida em ações a R$ 0,25 (Estadão)
- Datafolha: 71% dos trabalhadores dizem não ter medo de perder o emprego, maior índice em 13 anos (O Globo)
- Copasa vai divulgar novo prospecto e precificação ficará para 12 de junho (Valor)
Mercado global recua com renovação das tensões entre EUA e Irã
As bolsas da Europa cedem pressionadas pela escalada das tensões no Estreito de Ormuz após novos ataques dos EUA ao Irã e a retaliação contra uma base aérea americana.
A alta do petróleo reacendeu preocupações com a inflação e derrubou ações de companhias aéreas, com a Air France-KLM e a Ryanair Holdings recuando cerca de 2%.
Na Ásia, a maioria dos mercados asiáticos fechou em queda após novos ataques dos EUA ao Irã reduzirem o otimismo em torno de um acordo de paz no curto prazo. O movimento veio após Trump negar informações sobre uma possível supervisão conjunta do Estreito de Ormuz por Irã e Omã.
Em Nova York, os índices futuros também abriram em terreno negativo, pressionados pela disparada do petróleo após novos ataques no Oriente Médio ampliarem as incertezas sobre um desfecho próximo para o conflito.
Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: -0,24%
- FTSE 100: -1,11%
- CAC 40: -0,46%
- Nikkei 225: -0,47%
- Shanghai SE Comp: +0,12%
- Ouro (jun): -1,32%, a US$ 4.422,15 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): +0,07%, aos 99,30 pontos
- Bitcoin: -2,98% a US$ 73.415,1
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Commodities
- Petróleo: os preços dos contratos futuros avançam novamente nesta quinta-feira, após novos ataques entre EUA e Irã ampliarem os temores sobre um fechamento prolongado do Estreito de Ormuz.
A escalada do conflito aumenta os riscos para o abastecimento global de energia, após o Irã afirmar ter atingido uma base aérea americana em retaliação aos ataques dos EUA.
O Brent/julho avança 1,91%, cotado a US$ 96,09 e o WTI/julho sobe 1,83%, a US$ 90,30.
Cenário internacional
Nos EUA, Os investidores entram na sessão desta quinta-feira atentos a uma agenda decisiva nos Estados Unidos, que pode redefinir as apostas para os próximos passos do Federal Reserve em meio à combinação de inflação persistente, atividade resiliente e forte instabilidade geopolítica no Oriente Médio.
Às 9h30, o mercado acompanha a segunda leitura do PIB americano do primeiro trimestre, com expectativa de crescimento anualizado de 2%, após expansão de 0,5% no trimestre anterior. No mesmo horário, será divulgado o índice de inflação PCE de abril — principal termômetro monitorado pelo Fed — em um momento no qual a autoridade monetária segue pressionada pela resistência inflacionária nos EUA.
A mediana das projeções aponta avanço de 0,5% do PCE na comparação mensal, desacelerando frente à alta de 0,7% registrada em março. Ainda assim, a taxa anual deve acelerar de 3,5% para 3,9%, reforçando a percepção de que o processo de desinflação continua irregular e pode limitar o espaço para cortes de juros no curto prazo.
Também às 9h30, os investidores monitoram os pedidos semanais de auxílio-desemprego e os dados de encomendas de bens duráveis, indicadores que ajudam a medir o ritmo da economia americana em um ambiente de juros elevados.
No setor de energia, o foco se volta para os estoques semanais de petróleo dos Estados Unidos, divulgados às 13h pelo Departamento de Energia. O dado ganha ainda mais relevância após a recente escalada das tensões entre Washington e Teerã provocar fortes oscilações no mercado da commodity e reacender temores sobre a oferta global.
O mercado também acompanha uma bateria de discursos de dirigentes do Federal Reserve ao longo do dia. John Williams, presidente do Fed de Nova York e membro votante do comitê de política monetária, fala às 9h55. Na sequência, Alberto Musalem discursa às 11h15 e novamente às 14h10, enquanto Thomas Barkin encerra a agenda às 16h. As declarações podem oferecer novos sinais sobre o timing e a intensidade de um eventual ciclo de afrouxamento monetário nos EUA.
Cenário nacional
No Brasil, o principal destaque macroeconômico ficou com a divulgação da Pnad Contínua de abril. A taxa de desemprego caiu para 5,8%, abaixo dos 6,1% registrados anteriormente e também ligeiramente melhor que a expectativa do mercado, de 5,9%. O resultado reforça o cenário de mercado de trabalho ainda aquecido, apesar do ambiente de juros elevados.
No front financeiro, o Banco Central elevou o tom de cautela ao alertar que os juros elevados, o aumento da inadimplência e o maior comprometimento da renda das famílias exigem “diligência adicional” na concessão de crédito no país.
Após reunião do Comitê de Estabilidade Financeira (Comef), a autoridade monetária afirmou que o atual cenário demanda atenção redobrada tanto à qualidade das carteiras de crédito quanto ao apetite ao risco das instituições financeiras. O BC também destacou o aumento do endividamento corporativo como fator adicional de preocupação para o sistema financeiro nacional.
Apesar do alerta, o Comef manteve em 0% o adicional contracíclico de capital e avaliou que o sistema financeiro brasileiro segue sólido e preparado para enfrentar uma eventual deterioração das condições de crédito.
Segundo o Banco Central, os bancos continuam operando com níveis adequados de provisão, capital e liquidez, além de apresentarem baixa exposição a choques externos e à volatilidade cambial.
Nos bastidores da autoridade monetária, ganhou força a possibilidade de novas mudanças na diretoria do BC. Segundo apuração da Reuters, o presidente da instituição, Gabriel Galípolo, pode sugerir ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva a indicação de duas mulheres para as próximas vagas abertas na cúpula do Banco Central.
Entre os nomes cotados está Cecília Machado, economista-chefe do Bocom BBM, apontada como favorita para assumir a diretoria de Política Econômica. Já Marina Copola, atual diretora da CVM, desponta como nome forte para a diretoria de Organização do Sistema Financeiro.
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Destaques do mercado corporativo
- Itaú Unibanco: passou a ser investigado pelo Cade por supostas barreiras em transações de carteiras digitais; o banco afirma atuar dentro das normas regulatórias.
- Petrobras: anunciará investimentos de R$ 72,5 bilhões em Sergipe dentro do Plano de Negócios 2026-2030.
- Raízen: apresentou proposta de reestruturação financeira com conversão de dívida em ações, aporte da Shell e reorganização societária.
- Sabesp: encerrou sem adesões a OPA lançada para aquisição de ações da Emae.
- ISA Energia: recebeu licença para instalação do bloco 2 do projeto Serra Dourada, com investimento previsto de R$ 3,157 bilhões.
- EcoRodovias: fechou acordo global para encerrar disputas judiciais ligadas às antigas concessões rodoviárias do Paraná.











