Os mercados iniciam o dia em alerta após o Irã suspender as comunicações com os Estados Unidos (EUA) em resposta à ofensiva de Israel no Líbano. A decisão eleva os temores de uma nova escalada no Oriente Médio e reacende preocupações sobre a segurança do fluxo global de petróleo. Segundo a agência Tasnim, a equipe negociadora iraniana teria interrompido as conversas e a troca de propostas conduzidas por mediadores internacionais.
Logo após o anúncio do Irã, o presidente Donald Trump tentou conter a deterioração do cenário. O republicano afirmou ter conversado com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e com representantes ligados ao Hezbollah para evitar uma nova escalada em Beirute. Embora tenha minimizado a interrupção temporária do diálogo com Teerã, Trump reiterou que as negociações seguem avançando e classificou as tratativas como “aceleradas”.
A sinalização, porém, não dissipou completamente as dúvidas do mercado. Nesta terça-feira (2), a agência iraniana Mehr informou que o governo do Irã ainda avalia a proposta apresentada por Washington para um acordo provisório de cessar-fogo e não enviou uma resposta formal aos mediadores envolvidos no processo.
O risco para o mercado de energia também voltou ao centro das atenções. Especialistas consultados pela Opep+ alertaram que eventuais impactos sobre a oferta global de petróleo podem se estender até o fim do ano, mesmo em um cenário de reabertura relativamente rápida do Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de um quinto do petróleo comercializado no mundo.
Em meio às preocupações com os efeitos inflacionários da guerra, a Casa Branca anunciou uma redução temporária das tarifas sobre equipamentos agrícolas. A alíquota para produtos como colheitadeiras e ceifadeiras cairá de 25% para 15% a partir de 8 de junho e permanecerá nesse nível até o final de 2027. Segundo Trump, a medida busca aliviar os custos enfrentados por produtores e fabricantes americanos diante da alta do diesel e da instabilidade no Golfo Pérsico.
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Nessa mesma pauta das tarifas, o Brasil passou a ocupar o centro das atenções. O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) propôs a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros após concluir uma investigação baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, iniciada em 15 de julho de 2025 por determinação do presidente Donald Trump. O órgão sustenta que determinadas políticas e práticas adotadas pelo governo brasileiro seriam prejudiciais ao comércio norte-americano.
A proposta, entretanto, prevê exceções relevantes. Ficariam de fora da tarifa produtos do agronegócio, como café, frutas, cereais e algumas carnes, além de fertilizantes, medicamentos, químicos orgânicos, terras raras e aeronaves produzidas no Brasil — um alívio importante para setores estratégicos da pauta exportadora nacional.
Apesar do anúncio, ainda há espaço para negociação. O prazo legal para a adoção das medidas expira em 15 de julho de 2026, enquanto as conversas entre os dois países seguem em andamento. O embaixador Jamieson Greer afirmou que os contatos entre Washington e Brasília se intensificaram nas últimas semanas, mas reconheceu que persistem divergências relevantes sobre os temas investigados.
No governo brasileiro, a preocupação já é evidente. Em entrevista ao SBT News, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o país trabalha para convencer os EUA de que o Pix não representa uma ameaça às empresas americanas. Segundo ele, o sistema ampliou o volume de transações financeiras no Brasil e também beneficiou companhias dos Estados Unidos que operam no mercado brasileiro.
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Manchetes desta manhã
- ‘Mega IPOs’ nos EUA desafiam fluxo para ações brasileiras (Valor)
- Governo Trump diz que BC favorece Pix de forma discriminatória sobre empresas americanas (Folha)
- Mulheres negras em conselhos das maiores empresas do País não chegam a 2% do total (Estadão)
- Projetos sobre combustíveis, dívidas e seguro ampliam desgaste entre governo e bancada ruralista no Congresso (O Globo)
- Governo corta orçamento do BC acima da média e pressiona funcionamento da instituição (Valor)
Mercado global se divide entre impasse de EUA e Irã com rali da tecnologia
As bolsas da Europa avançam nesta terça-feira (2), com os investidores repercutindo as declarações de Trump sobre a continuidade das negociações com o Irã.
No cenário regional, a aprovação da retirada de tarifas da União Europeia sobre produtos dos EUA favorece o sentimento dos mercados, enquanto a inflação da zona do euro acima do esperado reforça as apostas de alta de juros pelo BCE na próxima semana.
Na Ásia, os mercados tiveram desempenho misto, influenciados por sinais contraditórios sobre as negociações entre EUA e Irã e pelo avanço de Wall Street.
O destaque da sessão foi o índice Hang Seng, que subiu 2,52%, impulsionado pelo avanço da BYD, que registrou seu primeiro aumento mensal de vendas em oito meses. Já o Nikkei 225 recuou com realização de lucros após renovar máximas históricas, enquanto ações de semicondutores também passaram por ajustes após forte valorização em maio.
Em Nova York, os índices futuros recuam pressionados pela realização de lucros após os recordes de Wall Street e pelas incertezas nas negociações entre Estados Unidos e Irã.
Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: -0,18%
- FTSE 100: +0,29%
- CAC 40: +0,72%
- Nikkei 225: -0,30%
- Shanghai SE Comp: +0,43%
- Hang Seng: +2,52%
- Ouro (jun): -1,10%, a US$ 4.555,84 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): -0,12%, aos 99,08 pontos
- Bitcoin: -3,82% a US$ 69.443,7
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Commodities
- Petróleo: os preços dos contratos futuros recuam, devolvendo parte dos ganhos da véspera, após Trump afirmar que as negociações com o Irã seguem em andamento. A expectativa de um acordo para prolongar o cessar-fogo e garantir a reabertura do Estreito de Ormuz reduziu as preocupações do mercado com uma possível escalada das tensões no Oriente Médio.
O Brent/agosto recua 1,21%, cotado a US$ 93,83 e o WTI/julho cai 1,07%, a US$ 91,17. - Minério de ferro: fechou em alta de 0,77% em Dalian, na China, cotado a US$ 116,31/ton.
Segundo análise da Nanhua Futures, o movimento é sustentado pela alta dos custos de frete, que já representam cerca de 15% do preço da commodity, o maior nível em quase cinco anos, reforçando o suporte às cotações.
Cenário internacional
Nos EUA, a agenda concentra as atenções dos investidores no relatório Jolts, indicador que mede a abertura de vagas de trabalho nos Estados Unidos e serve como uma das principais referências para as decisões de juros do Federal Reserve (Fed). Os dados de abril serão divulgados às 11h, com expectativa de leve desaceleração no número de vagas abertas, de 6,866 milhões para 6,8 milhões.
Antes disso, às 9h30, destaque para o discurso da presidente do Fed de Cleveland, Beth Hammack.
Mesmo diante da escalada das tensões no Oriente Médio, Wall Street renovou máximas históricas pelo quinto pregão consecutivo na véspera, impulsionada pelo setor de tecnologia. O destaque ficou para a Nvidia, que disparou 6,25% após anunciar um novo chip voltado para aplicações de inteligência artificial, reforçando o entusiasmo dos investidores com o avanço da IA.
No noticiário corporativo, a Alphabet anunciou um plano de US$ 80 bilhões para acelerar sua expansão em infraestrutura de inteligência artificial. O pacote inclui US$ 30 bilhões em oferta pública de ações, US$ 40 bilhões por meio de vendas diretas no mercado e outros US$ 10 bilhões aportados pela Berkshire Hathaway, de Warren Buffett. Apesar da magnitude do investimento, as ações da companhia recuaram 0,7% no after hours.
Entre as empresas brasileiras listadas no exterior, o Nubank foi pressionado após anunciar a saída de seu diretor-financeiro, Guilherme Lago. O executivo será substituído por Rob Livingston, ex-CFO da Visa para a América do Norte. Embora o fundador David Vélez tenha afirmado que a mudança não altera a estratégia da fintech, os papéis caíram cerca de 5%, refletindo a cautela dos investidores diante da troca inesperada no comando financeiro.
Cenário nacional
No Brasil, o destaque da agenda é o leilão de LFTs e NTN-Bs do Tesouro Nacional, marcado para as 11h30.
O mercado também acompanha declarações do ministro da Fazenda, Dario Durigan, que sinalizou o lançamento de uma nova etapa do Desenrola voltada para consumidores adimplentes. A iniciativa busca reduzir o risco de aumento da inadimplência em um ambiente de juros elevados.
Na agenda das autoridades, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, recebe às 15h, em Brasília, o CEO do Bradesco, Marcelo Noronha, em um momento de intensificação dos debates sobre o espaço para eventuais cortes da Selic.
Já Durigan concede entrevista à TV Record pela manhã e participa posteriormente de reunião virtual com a CVM.
No setor de energia, o secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Gustavo Ataíde, representa o ministro Alexandre Silveira em audiência pública na Câmara dos Deputados, enquanto o titular da pasta cumpre período de férias.
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Destaques do mercado corporativo
- Tecnisa: concluiu venda de participação de 26,09% na Windsor para o BTGI Quartzo, veículo do BTG Pactual, por R$ 260,9 milhões.
- MRV&Co: produziu 3.665 unidades em maio, alta de 12,8% em relação à média mensal do primeiro trimestre. Os repasses somaram 3.408 unidades, 24,2% acima da média do trimestre.
- Cemig Geração e Transmissão: pretende captar até R$ 2 bilhões em debêntures para reembolso de investimentos e gestão de fluxo de caixa.
- Alphabet: anunciou uma captação de US$ 80 bilhões para ampliar sua infraestrutura de IA. A Berkshire Hathaway participará da operação com aporte de US$ 10 bilhões, reforçando sua exposição ao ciclo de investimentos em inteligência artificial.











