Os mercados globais iniciam esta terça-feira (21) em alta, impulsionados por sinais de uma possível trégua entre Estados Unidos e Irã, após a décima noite consecutiva de ataques americanos. O petróleo perdeu força após reduzir parte dos ganhos da abertura, diante da informação de que Teerã recebeu uma proposta de cessar-fogo de dez dias para preservar o memorando de entendimento firmado em 17 de junho.
Apesar do sinal diplomático, o cenário permanece delicado. O presidente Donald Trump prometeu retaliar a morte de militares americanos em ataques recentes, mantendo elevada a tensão no Oriente Médio.
Os investidores também monitoram atentamente os impactos da guerra sobre as principais rotas marítimas de energia. Um navio que transitava pelo Estreito de Ormuz foi atingido por um projétil de origem ainda desconhecida, obrigando a tripulação a abandonar a embarcação. Ao mesmo tempo, o fluxo de navios pela principal rota de exportação de petróleo do mundo voltou a diminuir, reflexo da cautela das companhias marítimas diante da escalada do conflito.
O risco se estende ao Mar Vermelho. Os houthis, grupo apoiado pelo Irã no Iêmen, anunciaram que passarão a atacar embarcações sauditas, ampliando as ameaças sobre uma das principais rotas do comércio global. Atualmente, a Arábia Saudita desvia cerca de 7 milhões de barris de petróleo por dia para o porto de Yanbu, volume equivalente a aproximadamente 7% do consumo mundial, utilizando um oleoduto que liga o Golfo Pérsico ao Mar Vermelho.
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Além da relevância para o petróleo, o corredor formado pelo Mar Vermelho, Canal de Suez e Mediterrâneo responde pela passagem de cerca de 20% dos navios porta-contêineres do mundo. Caso a rota seja comprometida, as embarcações precisarão contornar o Cabo da Boa Esperança, na África, aumentando o trajeto em aproximadamente 6 mil quilômetros e entre 10 e 15 dias, o que elevaria custos logísticos e ampliaria os riscos para a inflação global.
Em paralelo, o mercado acompanha uma nova escalada da política tarifária dos Estados Unidos. Segundo o Financial Times, Donald Trump deverá anunciar ainda nesta semana novas tarifas sobre dezenas de países, antes do vencimento da tarifa global temporária de 10%, previsto para sexta-feira. A expectativa é que a alíquota seja mantida inicialmente nesse patamar, enquanto a Casa Branca conclui investigações que poderão dar respaldo legal para impor tarifas ainda mais elevadas a diferentes parceiros comerciais.
As tensões comerciais já atingem a América do Norte. Os Estados Unidos anunciaram uma tarifa de 50% sobre produtos canadenses, sob a alegação de práticas comerciais discriminatórias. O governo do Canadá reagiu afirmando que Washington viola o acordo de livre comércio entre os dois países. Ao mesmo tempo, o México inicia hoje a terceira rodada de negociações para revisar o acordo comercial USMCA.
No setor industrial, a Casa Branca informou que reduzirá de 50% para 25% a tarifa sobre o alumínio para empresas que ampliarem ou modernizarem suas fábricas em território americano, em mais um incentivo para atrair investimentos à indústria local.
No Brasil, o foco recai sobre o início das reuniões do governo com os setores mais afetados pelo novo tarifaço americano de 25%, que entra em vigor nesta quarta-feira (22). O empresariado pressiona pela adoção da Lei da Reciprocidade Econômica, mas o Palácio do Planalto adota uma postura mais cautelosa. Segundo informações de bastidores, o governo avalia que uma reação imediata poderia fortalecer politicamente Donald Trump e dificultar futuras negociações.
A estratégia do governo Lula é manter o diálogo diplomático e ampliar o plano Brasil Soberano, que prevê medidas de apoio aos exportadores atingidos pelas novas tarifas, especialmente dos setores de calçados, têxtil e plástico, que participam de reuniões em Brasília ao longo do dia.
O cenário pode se tornar ainda mais desafiador caso os Estados Unidos confirmem uma tarifa adicional de 12,5% contra produtos brasileiros, relacionada às acusações de falhas no combate ao trabalho forçado, diante dos impactos sobre as exportações brasileiras e o desempenho de empresas com forte exposição ao mercado americano.
Manchetes desta manhã
- Dívida oculta das big techs atinge US$ 1,65 trilhão (Valor)
- Light aprova aumento de capital de R$ 1,35 bi como parte de recuperação judicial (Folha)
- GM supera previsões do 2º trimestre, revisa números para 2026 e vai pagar dividendos a acionistas (Estadão)
- Ecopetrol retoma processo de compra de 25% da Brava Energia (O Globo)
Mercado global avança com expectativa de trégua entre EUA e Irã
As bolsas da Europa operam em leve alta, sustentadas pela expectativa de avanços diplomáticos entre Estados Unidos e Irã, que poderiam aliviar as pressões sobre o petróleo. Os investidores também acompanham a temporada de balanços na região em busca de sinais dos impactos do conflito sobre as empresas.
No noticiário local, o índice ZEW de expectativas econômicas da Alemanha subiu para 26,3 pontos em julho, acima das projeções do mercado.
Na Ásia, os mercados fecharam em alta, recuperando parte das perdas recentes, com o mercado acompanhando a temporada de balanços do setor de tecnologia e os desdobramentos do conflito entre Irã e Estados Unidos.
O destaque foi o Taiex, de Taiwan, que subiu 4,2%, impulsionado pela TSMC (+3,9%). Na Coreia do Sul, o Kospi avançou 3,6%, com altas de 6,2% da Samsung Electronics e 4,1% da SK Hynix. Já a alta do Nikkei foi liderada por Kioxia (+17,2%) e SoftBank (+6%).
Em Nova York, os índices futuros abriram em alta e recuperam as perdas da sessão anterior. Os investidores deixam a escalada das tensões no Oriente Médio em segundo plano e direcionam as atenções para a temporada de balanços corporativos nos Estados Unidos.
Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: +0,46%
- FTSE 100: +0,08%
- CAC 40: +0,05%
- Nikkei 225: +3,26%
- Shanghai SE Comp: +1,79%
- Hang Seng: -0,04%
- Ouro (jun): +1,23%, a US$ por 4.065,47 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): +0,05%, aos 101,01 pontos
- Bitcoin: +2,87% a US$ 66.487,8
Commodities
- Petróleo: os contratos futuros voltaram a ser negociados perto de US$ 90 por barril nesta terça-feira, após dez noites consecutivas de ataques entre Estados Unidos e Irã.
O tráfego pelo Estreito de Ormuz caiu ao menor nível do conflito, com menos de 10 navios por dia desde 18 de julho, praticamente interrompendo os embarques de petróleo e gás.
O Brent/setembro sobe 1,06%, cotado a US$ 90,18, enquanto o WTI/agosto avança 1,05%, a US$ 83,34. - Minério de ferro: fechou em queda de 1,12% em Dalian, na China, cotado a US$ 110,68 a tonelada.
Segundo a Nanhua Futures, a oferta e a demanda por minério de ferro devem permanecer fracas no curto prazo. A corretora destaca que a redução dos lucros tem levado mais siderúrgicas a realizarem manutenção, o que deve diminuir a produção de ferro-gusa, indicador da demanda pela commodity.
Cenário internacional
Na agenda internacional, o foco geopolítico permanece elevado. O presidente do Líbano, Joseph Aoun, faz sua primeira visita oficial à Casa Branca para se reunir com Donald Trump e apresentar um plano de desarmamento do Hezbollah.
Paralelamente, o conflito entre Estados Unidos e Irã entra no décimo dia consecutivo, enquanto o primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, reafirmou a Trump o compromisso do Reino Unido em apoiar a segurança da navegação e a reabertura do Estreito de Ormuz.
Na Europa, os investidores acompanham a divulgação do índice de confiança ZEW da Alemanha, referente a julho, que deve oferecer novos sinais sobre as perspectivas para a maior economia da região.
Nos Estados Unidos, a agenda econômica é esvaziada, mas a temporada de balanços ganha força com os resultados de GM e 3M, antes da abertura dos mercados.
Cenário nacional
No Brasil, a agenda traz a prévia do IGP-M e a sondagem industrial da CNI do segundo trimestre, além do leilão de títulos públicos do Tesouro, que ofertará NTN-Bs com vencimentos em 2031, 2037 e 2060, além de LFTs para 2032.
No campo fiscal, repercute a proposta enviada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) ao Congresso que amplia em até 40% as gratificações pagas a servidores da Corte. A medida pode gerar impacto estimado em R$ 27,7 bilhões a partir de 2027. No mesmo dia em que o projeto foi apresentado, o TCU aprovou o pagamento de remunerações acima do teto constitucional para ocupantes de funções de confiança e cargos em comissão.
No noticiário corporativo, as atenções se voltam para a Vale (VALE3), que divulga, após o fechamento do mercado, seu relatório de produção e vendas do segundo trimestre. Os números serão conhecidos um dia antes da Assembleia Geral Extraordinária (AGE) que escolherá o novo presidente definitivo do conselho de administração da companhia.
Os investidores também acompanham o cenário político para as eleições presidenciais. Pesquisa Real Time Big Data mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva com 45% das intenções de voto em um eventual segundo turno, contra 42% de Flávio Bolsonaro. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, o levantamento indica empate técnico.
Lula manteve o mesmo percentual registrado em junho, enquanto Flávio avançou de 40% para 42%. Votos brancos e nulos somam 8%, e 5% dos entrevistados disseram não saber ou preferiram não responder.
Destaques do mercado corporativo
- Vale: a CVM abriu processo para investigar eventual irregularidade no apoio da Previ à candidatura de Manuel Lino de Souza Oliveira (“Ollie”) à presidência do conselho de administração.
- Nubank: anunciou a aquisição do Banco Porto Real de Investimentos para incorporar licença bancária ao conglomerado, dependendo da aprovação do Banco Central.
- B3: a BlackRock elevou sua participação para 10,03% das ações ordinárias.
- Light: aprovou aumento de capital de R$ 1,35 bilhão dentro do processo de recuperação judicial.
- Brava: publicou o edital atualizado da OPA da Ecopetrol, com leilão marcado para 5 de agosto.
- Axia: concluiu o leilão de frações da migração para o Novo Mercado, negociando 21.632 ações a R$ 50,16 por papel.
- Ânima Educação: negou a existência de opção de venda da Farallon Capital ligada à aquisição da FMU e afirmou que a operação teve caráter estratégico.
- T4F: obteve adesão suficiente para o fechamento de capital, com o controlador adquirindo 58,13% das ações em circulação por R$ 6,02 cada.











