O mercado inicia a semana sob o impacto do avanço diplomático mais relevante desde o início da guerra no Oriente Médio. Estados Unidos (EUA) e Irã anunciaram neste domingo (14) um acordo preliminar para encerrar o conflito, reabrir o estratégico Estreito de Ormuz e iniciar negociações sobre o programa nuclear iraniano. A assinatura formal está prevista para a próxima sexta-feira (19), na Suíça.
O entendimento foi revelado inicialmente pelo primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, principal mediador das negociações, e posteriormente confirmado pelo presidente Donald Trump e pelo vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi.
“O acordo com a República Islâmica do Irã está agora concluído”, afirmou Trump em publicação nas redes sociais. O presidente também anunciou a futura reabertura do Estreito de Ormuz e o fim do bloqueio naval americano na região. Mais tarde, esclareceu que a normalização completa do tráfego marítimo ocorrerá apenas após a assinatura oficial do pacto e a conclusão das operações de remoção de minas.
A reação dos mercados foi imediata. Os contratos futuros do petróleo chegaram a cair mais de 4%, atingindo o menor nível desde março, diante da perspectiva de retomada do fluxo energético. A forte correção do petróleo reduz um dos principais focos de preocupação dos investidores nas últimas semanas. O risco de interrupção prolongada em Ormuz havia alimentado temores de inflação global mais persistente e pressionado as expectativas para as decisões de política monetária nos Estados Unidos e no Brasil.
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Com o alívio geopolítico, as atenções se voltam agora para a superquarta dos bancos centrais. Nos Estados Unidos, a expectativa predominante é de manutenção dos juros, mas o mercado acompanhará de perto o tom do Federal Reserve (Fed) em sua primeira reunião sob a liderança de Kevin Warsh.
No Brasil, o acordo entre Washington e Teerã ajuda a reduzir um importante vetor de pressão inflacionária, mas não altera o cenário doméstico desafiador enfrentado pelo Copom. A autoridade monetária continua diante de expectativas desancoradas, inflação resistente e atividade econômica ainda aquecida.
O debate no mercado permanece dividido entre a manutenção da Selic em 14,5% e um corte adicional de 0,25 ponto percentual. O alívio externo chega em um momento sensível: o IPCA de maio desacelerou para 0,58%, mas superou a mediana das projeções e reforçou a avaliação de que o processo de desinflação segue lento. Analistas destacam que os núcleos continuam pressionados, as expectativas permanecem deterioradas e a atividade econômica ainda mostra resiliência.
Mesmo assim, a perspectiva de um acordo entre EUA e Irã já vinha contribuindo para a redução dos prêmios na curva de juros. Na sexta-feira (12), os contratos mais longos devolveram parte das altas acumuladas ao longo da semana, enquanto a probabilidade implícita de um corte de 0,25 ponto da Selic voltou a superar a de manutenção.
Manchetes desta manhã
- Dólar atinge mínima de dez dias após avanço de acordo entre EUA e Irã (Valor)
- MP do frete emperra no Congresso e caminhoneiros ameaçam parar (Folha)
- Lula leva narrativa eleitoral da ‘soberania’ ao G-7 e espera esbarrar com Trump para falar de tarifa (Estadão)
- Estimativa para a Selic sobe pela segunda semana consecutiva às vésperas da reunião do Copom ( O Globo)
Mercado global dispara com notícia de acordo preliminar entre EUA e Irã
As bolsas da Europa operam em alta, com o índice Stoxx 600 renovando recorde após o acordo preliminar de paz entre EUA e Irã.
A perspectiva de reabertura do Estreito de Ormuz derruba o petróleo em mais de 5% e impulsiona ações do setor aéreo, com destaque para Air France (+3,84%) e Lufthansa (+5,42%).
Na Ásia, a semana abriu em alta, com os índices impulsionados pelo acordo preliminar de paz entre EUA e Irã.
No Japão, o índice Nikkei renovou máximas históricas, com investidores apostando em uma alta de 0,25 ponto percentual nos juros pelo Banco do Japão (BoJ) na reunião de terça-feira (16).
Em Nova York, os índices futuros avançam, enquanto o petróleo cai para o menor nível em três meses, após o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciar um acordo de paz com o Irã, reduzindo os temores sobre a escalada do conflito no Oriente Médio.
Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: +1,22%
- FTSE 100: +0,09%
- CAC 40: +1,14%
- Nikkei 225: +4,99%
- Shanghai SE Comp: +1,61%
- Hang Seng: +0,50%
- Ouro (jun): +2,80%, a US$ 4.357,65 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): -0,23%, aos 99,52 pontos
- Bitcoin: +2,91% a US$ 66.190,1
Commodities
- Petróleo: os contratos futuros despencam nesta segunda-feira, após o anúncio de um acordo preliminar de paz entre EUA e Irã. O entendimento prevê a reabertura do Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% da oferta global da commodity, reduzindo os temores de interrupção no abastecimento.
Apesar da forte queda de hoje, os preços ainda acumulam alta de cerca de 15% desde o início do conflito, em 28 de fevereiro. O Brent/agosto cede 4,72%, cotado a US$ 83,21 e o WTI/julho cai 5,05%, a US$ 80,59. - Minério de ferro: fechou em alta de 0,72% em Dalian, na China, cotado a US$ 114,17. Já o Ocontrato do minério de ferro para julho na bolsa de Cingapura subiu 0,7%, para US$102,1/ton.
Na Austrália, uma greve iminente de cerca de 100 trabalhadores da BHP em Port Hedland, importante polo exportador de minério de ferro, ameaça reduzir a oferta da commodity após a aprovação de paralisações. Ao mesmo tempo, o acordo preliminar entre EUA e Irã para encerrar o conflito e reabrir o Estreito de Ormuz reforçou o apetite por risco nos mercados, contribuindo para a alta dos metais.
Cenário internacional destaca superquarta e cúpula do G7
Nos EUA, a semana será dominada pela superquarta, com os mercados globais atentos à primeira decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed) sob o comando de Kevin Warsh. A expectativa é de manutenção dos juros na faixa de 3,5% a 3,75% ao ano, mas o foco dos investidores estará nas novas projeções econômicas e nos sinais que o Fed dará sobre os próximos passos da política monetária diante de uma economia ainda resiliente e de uma inflação que começa a mostrar sinais mais consistentes de acomodação.
Antes da decisão, indicadores como vendas no varejo, produção industrial e dados do setor imobiliário ajudarão a calibrar as expectativas sobre o ritmo da atividade econômica norte-americana.
No cenário internacional, as atenções também se voltam para a cúpula do G7, que começa nesta segunda-feira (15), na França, em um ambiente significativamente mais favorável após o acordo preliminar entre Estados Unidos e Irã.
Com a perspectiva de reabertura do Estreito de Ormuz e a redução das tensões no Oriente Médio, os líderes das maiores economias do mundo voltam a concentrar os debates em temas como crescimento global, comércio, inteligência artificial e segurança econômica.
Cenário nacional
No Brasil, além da decisão do Copom, o mercado acompanhará uma agenda política carregada. No Congresso, o governo tenta avançar com propostas consideradas estratégicas, entre elas a PEC da Segurança, o projeto dos minerais críticos e a proposta que prevê o fim da escala 6×1. Na Câmara, o presidente da Casa, Hugo Motta, pretende levar o tema ao plenário já nesta terça-feira, enquanto no Senado o andamento da matéria dependerá das negociações políticas conduzidas pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre.
Alcolumbre também permanece no centro das atenções após denúncias de supostos pagamentos recebidos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, acusações que o senador nega.
No Judiciário, os investidores seguirão monitorando o Supremo Tribunal Federal (STF), que retoma o julgamento sobre a responsabilização das plataformas digitais e a definição da tese que orientará a aplicação das novas regras para redes sociais.
Já na agenda das autoridades, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo se reúne nesta segunda-feira, em Brasília, com o presidente do Tribunal Superior do Trabalho, Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, e com o secretário-geral da Presidência do TST, Mauro Barata de Alencar Osório.
Destaques do mercado corporativo
- Fitch Ratings: eebaixou a perspectiva do setor bancário brasileiro de “neutra” para “em deterioração”, apontando piora da qualidade dos ativos, ambiente macroeconômico mais desafiador e aumento das incertezas políticas.
- Axia: aprovou o resgate de 576.923 ações preferenciais classe C, equivalente a R$ 30 milhões, ao preço de R$ 52 por ação; acionistas poderão converter os papéis em ordinárias até 29 de junho.
- Iochpe-Maxion: captará R$ 400 milhões por meio da emissão de debêntures com vencimento em quatro anos e remuneração equivalente a CDI mais 1,6% ao ano.
- C&A: o Norges Bank reduziu sua participação acionária na companhia de 5,14% para 4,99% do capital social, ficando abaixo do patamar relevante de 5%.
- C6 Bank: foi promovido pelo Banco Central da categoria S3 para S2, classificação reservada a instituições financeiras de maior porte e relevância para o sistema financeiro nacional.











