O volume de vendas no varejo brasileiro caiu 1,5% em abril na comparação com março, interrompendo uma sequência de três meses consecutivos de crescimento, segundo a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), divulgada pelo IBGE nesta terça-feira (16).
Em março, as vendas avançaram 0,7%, após revisão pelo instituto frente à divulgação inicial de alta de 0,5%. Os dados apontavam para um avanço de 0,8% em fevereiro e de 0,5% em janeiro.
A retração observada em abril foi a mais intensa da série histórica para o período desde junho de 2022, quando a economia ainda sentia os efeitos da pandemia. Considerando apenas os meses de abril, trata-se do pior resultado desde 2020, quando o setor recuou 16% no início da crise sanitária.
Combustíveis puxam queda do varejo
O principal fator de pressão sobre o resultado veio do segmento de combustíveis e lubrificantes. A atividade contribuiu para que o comércio registrasse sua maior retração em quase quatro anos, em um ambiente marcado por política monetária ainda restritiva.
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Na comparação com abril de 2025, o varejo avançou 1%, abaixo do esperado pelo mercado. Mesmo com a queda mensal, o setor acumula crescimento de 2% no ano até abril e alta de 1,5% nos últimos 12 meses.
Segundo o gerente da pesquisa do IBGE, Cristiano Santos, o recuo ocorre após um período de forte expansão que levou o comércio ao maior patamar da série histórica.
“Os três primeiros meses, na margem, tiveram um crescimento significativo, a ponto de elevar o patamar do comércio para o nível histórico recorde. Assim, há um efeito de base, quando uma variação positiva a mais é de menor suscetibilidade”, afirmou.
Na prática, o chamado efeito de base ocorre quando um indicador já se encontra em níveis elevados, tornando mais difícil a continuidade de altas expressivas nos meses seguintes.
O consumo das famílias havia mostrado força no início do ano. Dados do PIB divulgados pelo IBGE no mês passado apontaram crescimento de 1% no primeiro trimestre, acelerando em relação ao trimestre anterior.
Seis das oito atividades tiveram retração em abril
Entre os oito segmentos pesquisados pelo IBGE, seis registraram queda nas vendas em abril:
- Combustíveis e lubrificantes (-6,2%)
- Outros artigos de uso pessoal e doméstico (-4,6%)
- Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-4,5%)
- Móveis e eletrodomésticos (-0,8%)
- Tecidos, vestuário e calçados (-0,1%)
- Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (-0,1%)
Na direção oposta, apenas dois segmentos apresentaram crescimento:
- Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (1,3%)
- Livros, jornais, revistas e papelaria (1,1%)
Para Santos, as atividades que sustentaram o avanço do varejo nos meses anteriores foram justamente as que apresentaram recuo em abril.
“Houve um rebatimento geral no indicador. O que estava puxando o índice para cima nos meses anteriores foi o que justamente caiu em abril. O ponto é que, se antes um consumo mais intensivo em bens não essenciais vinha sustentando a alta, agora essas mesmas atividades devolveram o crescimento”, disse.
Varejo ampliado também perde força
No conceito ampliado, que inclui veículos, motos, partes e peças, material de construção e atacado especializado em produtos alimentícios, bebidas e fumo, as vendas caíram 0,7% em abril frente ao mês anterior.
O resultado veio após estabilidade em março. Já a média móvel trimestral do varejo ampliado apresentou leve alta de 0,1% no trimestre encerrado em abril.
Queda do varejo se espalha pela maior parte do país
O enfraquecimento das vendas em abril teve alcance nacional. Na comparação com março, o comércio varejista registrou retração em 20 dos 27 estados, evidenciando uma perda de fôlego disseminada entre as regiões do país.
Os recuos mais expressivos foram observados no Piauí, onde as vendas caíram 3,9%, seguido por Goiás (-3,8%), Santa Catarina (-3,6%) e Amazonas (-3,6%). O resultado mostra que a desaceleração não ficou concentrada em uma única região, atingindo estados com diferentes perfis econômicos.
Na direção oposta, apenas seis estados apresentaram crescimento. Os destaques positivos ficaram com Roraima, que avançou 1,8%, Tocantins, com alta de 1,6%, e São Paulo, maior mercado consumidor do país, que registrou expansão de 1,3%. Já o Rio Grande do Sul apresentou estabilidade em relação ao mês anterior.
No varejo ampliado — que inclui segmentos como veículos, materiais de construção e atacado especializado de alimentos, bebidas e fumo — o cenário também foi predominantemente negativo. Vinte estados registraram queda nas vendas, com as maiores retrações em Rondônia (-5,5%), Amazonas (-4,9%), Tocantins (-4,0%) e Paraná (-4%).
Entre os resultados positivos, destacaram-se Rio Grande do Sul, com avanço de 3,2%, Goiás, que cresceu 3,1%, e Maranhão, com alta de 2,2%, demonstrando que, embora a desaceleração tenha sido ampla, alguns mercados regionais ainda conseguiram manter o ritmo de atividade.











