A um passo de transformar o memorando firmado pelos presidentes Donald Trump e Masoud Pezeshkian em um acordo definitivo, os mercados receberam a notícia de que o encontro entre EUA e Irã para uma nova rodada de negociações, previsto para esta sexta-feira (19), em Bürgenstock, na Suíça, foi adiado, enquanto novos confrontos entre Israel e Hezbollah no sul do Líbano reforçam as incertezas sobre a sustentação da trégua no Oriente Médio.
O Ministério das Relações Exteriores da Suíça informou apenas que as negociações foram adiadas, sem apresentar justificativas. Em nota, o governo suíço afirmou que permanece à disposição para facilitar o diálogo e que os trabalhos preparatórios na cidade de Burgenstock continuam em andamento.
Já a Casa Branca informou que o vice-presidente J.D. Vance e a delegação americana estavam preparados para participar das reuniões, mas não conseguiram concluir os preparativos logísticos a tempo. Segundo o governo, Vance permanecerá em Washington. “A logística das negociações nunca foi simples ou previsível. Esperamos iniciar as conversações técnicas o quanto antes”, afirmou o comunicado.
Do lado iraniano, há relatos de que o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, que lideraria a delegação do país, também não viajou para a Suíça. Horas antes do anúncio oficial, Vance já havia sinalizado a possibilidade de adiamento ao afirmar a jornalistas que não tinha certeza se os encontros ocorreriam neste fim de semana.
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As reuniões previstas para esta sexta-feira tinham como objetivo inaugurar a fase de implementação do acordo firmado na quarta-feira. O memorando estabelece um período de 60 dias para negociações mais detalhadas e prevê a diluição dos estoques iranianos de urânio altamente enriquecido, além da suspensão de sanções apoiadas pelos Estados Unidos, permitindo ao Irã retomar livremente suas exportações de petróleo.
No Brasil, destaque para o cenário político, com a divulgação da Pesquisa Times Brasil/CNBC, que mostrou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva à frente em cenários de segundo turno para 2026. Contra Flávio Bolsonaro, Lula aparece com 45% das intenções de voto, ante 40% do senador. Em uma eventual disputa contra o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, o petista registra 45%, enquanto o adversário soma 39%.
No cenário de primeiro turno, Lula lidera com 38% das intenções de voto, seguido por Flávio Bolsonaro, com 30%. Ronaldo Caiado aparece com 4%.
No Congresso, o presidente da Câmara, Hugo Motta, indicou que deve manter o deputado Afonso Hamm (PP-RS) na relatoria do projeto que trata da renegociação das dívidas rurais, apesar da pressão da bancada do agronegócio por mudanças no comando da proposta.
Enquanto a Frente Parlamentar da Agropecuária busca acelerar a votação antes do lançamento do Plano Safra, marcado para 1º de julho, o governo trabalha para conter o avanço da medida, vista pela equipe econômica como uma potencial fonte de pressão fiscal.
Manchetes desta manhã
- Operação sobre o BRB investiga esquema criminoso na folha de serviços no DF (Valor)
- Renegociação do agro é ‘duplo castigo’ para bancos, diz presidente do comitê de riscos da Caixa (Folha)
- Japão vai impôr tarifas sobre importações do aço da China e de Taiwan (Estadão)
- Após Trump mirar no Pix, governo chinês aponta interesse em parceria com o Brasil em sistemas de pagamento (O Globo)
Mercado global opera com incerteza sobre avanço do acordo entre EUA e Irã
As bolsas da Europa operam sem direção única, em meio à cautela dos investidores após o adiamento de uma nova rodada de negociações entre EUA e Irã. Apesar disso, os mercados acumulam ganhos na semana, impulsionados pelo avanço das tratativas de paz no Oriente Médio e pela reabertura do Estreito de Ormuz.
Na Ásia, o destaque da sessão foi o índice Nikkei, que acumula ganho de 8% na semana, apoiado pela inflação estável no Japão e pelo acordo entre EUA e Irã, que derrubou os preços do petróleo e aliviou temores inflacionários.
No noticiário local, as ações de tecnologia, semicondutores e inteligência artificial lideraram os ganhos, compensando as quedas nos setores financeiro, industrial e de consumo.
Já os mercados da China, de Hong Kong e de Taiwan permaneceram fechados nesta sexta-feira devido ao feriado do Barco-Dragão, reduzindo o volume de negócios.
Em Nova York, os índices futuros abriram em leve baixa, enquanto os mercados globais reagem ao adiamento das negociações entre Estados Unidos e Irã, que estavam previstas para hoje na Suíça.
Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: -0,36%
- FTSE 100: -0,28%
- CAC 40: -0,17%
- Nikkei 225: +0,28%
- Shanghai SE Comp: fechado por feriado
- Hang Seng: fechado por feriado
- Ouro (jun): -1,73%, a US$ 4.172,40 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): -0,06%, aos 100,76 pontos
- Bitcoin: -2,86% a US$ 62.529,8
Commodities
- Petróleo: os contratos futuros ainda avançam nesta sexta-feira, com a sessão marcada por volatilidade após o adiamento de uma nova rodada de negociações entre EUA e Irã.
Apesar da recuperação, a commodity caminha para uma das maiores quedas semanais do ano, enquanto o mercado segue monitorando a implementação do acordo de paz e a normalização do tráfego no Estreito de Ormuz.
O Brent/agosto avança 0,45%, cotado a US$ 80,21 e o WTI/julho sobe 0,84%, a US$ 77,24.
Cenário internacional
O cenário de incerteza diante do adiamento das conversas entre EUA e Irã já chega ao mercado de energia, enquanto o Estreito de Ormuz segue sob monitoramento. Dados da Bloomberg mostram redução no tráfego marítimo nas primeiras horas desta sexta-feira, sem registro de petroleiros deixando o Golfo Pérsico. O Centro Conjunto de Informação Marítima alertou para a presença de minas na região e recomendou que as embarcações utilizem uma rota mais ao sul, próxima à costa de Omã.
Em comunicado, a autoridade iraniana responsável pelo Estreito do Golfo Pérsico informou que, à luz do memorando firmado com os Estados Unidos, a passagem pelo Estreito de Ormuz será autorizada mediante solicitação prévia e cumprimento dos requisitos estabelecidos. Os pedidos de trânsito deverão ser apresentados com pelo menos 48 horas de antecedência.
Bancos e consultorias internacionais avaliam que a retomada plena da navegação e das exportações de petróleo na região pode levar meses, em um cenário ainda marcado por riscos operacionais, desafios logísticos e incertezas geopolíticas.
Cenário nacional
No Brasil, a agenda econômica desta sexta-feira é enxuta. O principal compromisso previsto é a participação do ministro da Fazenda, Dario Durigan, em entrevista ao vivo ao Jota, às 12h. Investidores devem acompanhar o evento em busca de novas sinalizações sobre a condução da política econômica, o equilíbrio fiscal e as prioridades da equipe econômica para o segundo semestre.
No campo regulatório, o Banco Central ampliou as possibilidades de abertura e movimentação de contas de depósito em moeda estrangeira no país. A medida passa a contemplar novas categorias de titulares, incluindo exportadores de bens, empresas com dívidas externas, sociedades com participação estrangeira e investidores não residentes com investimentos diretos no Brasil. A nova regulamentação entra em vigor em 1º de outubro.
Em Brasília, os desdobramentos da Operação Compliance Zero elevaram a temperatura política. A reação do Palácio do Planalto à operação da Polícia Federal que teve como alvo o senador Jaques Wagner sinalizou uma tentativa do governo de evitar que o escândalo envolvendo o Banco Master alcance diretamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em um momento de crescente atenção ao cenário eleitoral.
Embora Lula tenha telefonado para prestar solidariedade ao aliado histórico, interlocutores do governo fizeram questão de destacar que a permanência de Wagner na liderança governista no Senado dependerá da evolução das investigações. O senador foi alvo de busca e apreensão na nona fase da operação e, mesmo sob pressão, afirmou que permanecerá no cargo e manterá sua candidatura à reeleição.
Nos bastidores, porém, o ambiente é de cautela. Integrantes do governo demonstraram desconforto com a estratégia de Wagner de associar publicamente o apoio de Lula à sua defesa política, movimento visto por parte dos aliados como um fator adicional de desgaste para o Palácio do Planalto.
Destaques do mercado corporativo
- B3: aprovou a distribuição de R$ 1,1 bilhão em JCP, equivalente a R$ 0,208 por ação, e oficializou a sucessão na presidência, com Christian George Egan assumindo o comando em julho.
- JBS: pagará aos detentores de BDRs dividendos líquidos de R$ 4,276 por recibo, referentes à distribuição de US$ 1 por ação anunciada em março.
- Banrisul: fechou contrato de R$ 1,264 bilhão com o governo gaúcho para administrar a folha de pagamento estadual pelos próximos cinco anos.
- Embraer: aprovou R$ 200 milhões em JCP, equivalentes a R$ 0,281 por ação, com pagamento previsto para maio de 2027.
- Oncoclínicas: prepara pedido de recuperação extrajudicial e negocia com credores uma reestruturação de aproximadamente R$ 4 bilhões em dívidas, incluindo desconto potencial entre 40% e 50%.











