Os mercados globais encerram a semana em tom defensivo, pressionados por uma nova onda de vendas de ações de tecnologia. O aumento dos custos da infraestrutura de inteligência artificial reacendeu dúvidas sobre o ritmo de expansão do setor, enquanto investidores também voltam a questionar as elevadas avaliações das big techs.
O movimento ganhou força após a Apple (AAPL34) elevar os preços de MacBooks e iPads, reforçando o receio de que o encarecimento da cadeia global de suprimentos comece a ser repassado aos consumidores e reduza a demanda por eletrônicos. As ações de tecnologia lideram as perdas nas principais bolsas internacionais.
No pré-mercado de Nova York, o ETF XLK, que reúne as principais empresas de tecnologia do índice S&P 500, recua 1,6%, com o movimento liderado pela queda de cerca de 13% das ações da On Semiconductor, após a companhia anunciar a compra da Synaptics por US$ 7 bilhões.
Esse movimento de venda generalizada em tecnologia tem mais força sobre os mercados do que a notícia positiva da queda do petróleo, que beneficia empresas ligadas ao consumo, como varejo e turismo. A commodity recua mais de 3% nesta sexta-feira (26) e caminha para registrar perdas expressivas na semana, à medida que o risco de interrupções no fornecimento perde força com a retomada gradual da navegação pelo Estreito de Ormuz.
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Na véspera, porém, o mercado havia reagido na direção oposta. Os contratos do Brent e do WTI avançaram mais de 2% depois que um navio de carga foi atingido por um projétil próximo a Omã, levando a agência marítima da ONU a suspender temporariamente seu programa de evacuação voluntária na região. Segundo autoridades americanas ouvidas pela Reuters, o Irã teria disparado contra a embarcação enquanto ela tentava cruzar o estreito. Já autoridades iranianas afirmaram que não podem garantir a segurança de navios que trafeguem fora das rotas oficiais de navegação em Ormuz.
Apesar do episódio, o mercado voltou a concentrar as atenções nas perspectivas de oferta. A Saudi Aramco retomou nesta sexta-feira o carregamento de petróleo em seu terminal de Ras Tanura, no Golfo, após quase quatro meses de paralisação, enquanto mais petroleiros deixam o Estreito de Ormuz.
June Goh, analista sênior da Sparta Commodities, avalia que “a onda de vendas reflete o aumento do fluxo de embarcações saindo de Ormuz e o fato de a China ainda não ter retomado sua demanda por petróleo bruto”.
Outro fator acompanhado pelos investidores é a possibilidade de a Rússia suspender as exportações de diesel por alguns meses, segundo a agência estatal TASS. Um dos maiores fornecedores globais do combustível, o país enfrenta dificuldades de abastecimento após sucessivos ataques de drones ucranianos contra refinarias e outras instalações energéticas.
Mesmo com a redução das tensões no mercado de petróleo, analistas alertam que os riscos geopolíticos permanecem elevados. Para Scott Nations, presidente da Nations Indexes, os investidores podem estar subestimando o potencial de novos desdobramentos entre Estados Unidos e Irã. “Acho que estamos sendo otimistas demais, pois nada foi realmente resolvido, e o Irã sabe que tem a economia mundial onde quer se decidir fechar o Estreito”, afirmou à CNBC.
No Brasil, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da Sefer Investimentos Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários Ltda., instituição sediada em São Paulo e enquadrada no segmento S4 da regulação prudencial.
A distribuidora foi alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero e administra fundos ligados aos supostos esquemas de fraude envolvendo o Banco Master. De acordo com o Ministério Público, a empresa é controlada por Benjamin Botelho.
O BC destacou que a Sefer possui baixa relevância no Sistema Financeiro Nacional, representando menos de 0,0004% dos ativos totais e administrando apenas 0,17% dos recursos de terceiros.
Segundo a autoridade monetária, a liquidação foi motivada pelo comprometimento da situação econômico-financeira da instituição, que passou a representar risco anormal aos credores quirografários. O Banco Central também apontou graves violações às normas que regulam a atividade da distribuidora e determinou a indisponibilidade dos bens de seus controladores e ex-administradores a partir desta sexta-feira.
Manchetes desta manhã
- Relatório do BC e IPCA-15 abrem porta para apostas em novo corte da Selic (Valor)
- Desemprego fica em 5,6% e tem menor taxa até maio na série histórica (Folha)
- Mercosul-UE abre espaço para nova geração de exportações brasileiras (Estadão)
- Durigan nega que medidas de estímulo geram risco de inflação (O Globo)
Mercado global recua com liquidação de ações de tecnologia
As bolsas asiáticas encerraram a semana em forte queda, pressionadas pela realização de lucros em ações de tecnologia após os recentes ralis do setor de inteligência artificial. O movimento atingiu principalmente Japão e Coreia do Sul, cujos índices haviam renovado máximas na semana.
O índice Kospi recuou 5,81%, chegando a acionar um circuito de interrupção das negociações. Ações da Samsung Electronics cederam 5,3% e os da SK Hynix baixaram 8,36%.
As bolsas da Europa acompanham a liquidação global das ações de tecnologia em meio às preocupações com o aumento dos custos da infraestrutura de inteligência artificial.
No cenário corporativo, a varejista de moda online Zalando lidera as perdas em Frankfurt após o regulador financeiro da Alemanha abrir uma auditoria sobre as demonstrações financeiras da varejista por suspeitas de irregularidades em uma aquisição.
Em Nova York, os índices futuros operam em baixa, também pressionados pela liquidação global de ações de tecnologia diante das preocupações com o aumento dos custos da infraestrutura de inteligência artificial.
Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: -0,49%
- FTSE 100: -0,77%
- CAC 40: -0,66%
- Nikkei 225: -4,15%
- Shanghai SE Comp: -2,26%
- Hang Seng: -1,76%
- Ouro (jun): +0,39%, a US$ 4.063,50 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): -0,23%, aos 101,23 pontos
- Bitcoin: -2,98% a US$ 59.394,3
Commodities
- Petróleo: os preços recuam mais de 3% nesta sexta-feira e caminham para perdas semanais próximas de 10%, refletindo o alívio das preocupações com o abastecimento global à medida que mais petroleiros deixam o Estreito de Ormuz. O movimento ocorre apesar de um navio de carga ter sido atingido próximo a Omã na quinta-feira.
Há pouco, o Brent caía 3,47%, para US$ 72,65 por barril, enquanto o WTI recuava 3,42%, para US$ 69,46, devolvendo praticamente todos os ganhos registrados durante a escalada das tensões no Oriente Médio. - Minério de ferro: fechou em alta de 0,81% na Bolsa de Dalian, na China, cotado a US$ 110 a tonelada.
Os contratos futuros do minério são pressionados pelo aumento dos estoques nos portos chineses, pela redução do consumo de aço no país e recuo das tarifas globais de frete, fatores que reforçaram as preocupações com a demanda pela commodity.
Cenário internacional
O acordo preliminar de paz entre Estados Unidos e Irã continua sustentando parte do alívio nos mercados, mas está longe de encerrar as tensões geopolíticas. Apesar da trégua entre Washington e Teerã, o cenário permanece instável. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, reafirmou que o país manterá presença militar na zona de segurança do sul do Líbano, enquanto o Irã voltou a acusar a Otan de cumplicidade no conflito.
Em resposta, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, endureceu o discurso contra Teerã e defendeu um maior alinhamento da aliança atlântica aos interesses americanos. Paralelamente, Washington e o Conselho de Cooperação do Golfo reforçaram o compromisso com a reabertura total do Estreito de Ormuz, defenderam a livre navegação na região e condicionaram o aprofundamento das relações com o Irã ao cumprimento do memorando firmado na semana passada.
Na Europa, a guerra entre Rússia e Ucrânia voltou a se intensificar. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, anunciou uma nova ofensiva contra a Rússia e afirmou que o território russo “arderá no fogo” dos ataques ucranianos pelos próximos 40 dias.
A Otan reiterou seu apoio a Kiev e confirmou a participação de Zelensky na cúpula da aliança, marcada para os dias 7 e 8 de julho, em Ancara.
Cenário nacional
No Brasil, a agência de classificação de risco S&P Global reafirmou o rating soberano do país em BB/B, com perspectiva estável, mas voltou a destacar a deterioração das contas públicas como o principal fator de risco. Segundo a agência, a sólida posição externa do Brasil continua compensando as fragilidades fiscais e sustentando a nota de crédito.
A S&P projeta déficits fiscais próximos de 7% do PIB entre 2026 e 2029, caso não sejam adotadas medidas para reduzir as rigidezes orçamentárias. Nesse cenário, a dívida líquida do governo geral poderá subir de 60,4% do PIB em 2025 para cerca de 74% em 2029.
Nesta sexta-feira, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, dá início ao julgamento virtual dos recursos que contestam a decisão que limitou o pagamento de verbas indenizatórias a integrantes do Judiciário e do Ministério Público. A análise ficará aberta até o dia 30 de junho.
Na agenda econômica, o principal destaque é a divulgação da Pnad Contínua. O indicador acompanhado de perto pelo Banco Central aponta para uma taxa de desemprego de 5,6% em maio, ante 5,8% registrada em abril.
Ao longo do dia, investidores também acompanham a Pesquisa Firmus, divulgada pelo Banco Central às 9h30, e uma operação simultânea da autoridade monetária no mercado de câmbio.
O BC realizará venda de até US$ 1 bilhão em dólares no mercado à vista e ofertará até 20 mil contratos de swap cambial reverso. À tarde, às 14h30, o Tesouro Nacional publica o Relatório Mensal da Dívida Pública referente ao mês de maio.
Destaques do mercado corporativo
- Azzas: negou que a marca Hering esteja à venda ou que existam tratativas ou negociações em andamento. O esclarecimento foi divulgado em comunicado ao mercado após questionamentos da CVM sobre rumores de que a família Hering estaria articulando a recompra da marca.
- Riachuelo: o conselho aprovou a distribuição de R$ 50 milhões em JCP, equivalentes a R$ 0,09958908766 por ação; data de pagamento ainda será definida e papéis ficam ex a partir de 01/07/2026.
- Smartfit: Norges Bank elevou participação acionária para 5,11%, ante 4,94% anteriormente.
- BradSaúde: o Conselho aprovou a distribuição de R$ 230 milhões em JCP, equivalentes a R$ 0,078673 por ação; pagamento será em 30/11/2026, com base na posição acionária de 30/06/2026.
- Refit: em recuperação judicial, perdeu benefício fiscal de ICMS sobre importação de combustíveis e informou que adotará medidas para tentar restabelecer o enquadramento. O grupo é considerado o maior devedor de ICMS de São Paulo, segundo maior do Rio e um dos maiores da União.











