Os mercados globais operam mistos nesta segunda-feira (6), enquanto investidores acompanham a retomada das negociações em Wall Street após o feriado da Independência dos Estados Unidos e digerem uma combinação de fatores que deve ditar o comportamento dos ativos nos próximos dias: novos indicadores da economia americana, a decisão da Opep+ de ampliar novamente a produção de petróleo, a evolução das negociações entre EUA e Irã e o início de uma etapa decisiva da disputa comercial entre Brasil e Estados Unidos.
Nos Estados Unidos, os índices futuros avançam depois de uma semana que levou o Dow Jones a encerrar em máxima histórica. O foco desta segunda-feira recai sobre a divulgação do ISM de serviços, um dos principais termômetros da atividade econômica americana. Segundo o Bradesco, o mercado espera desaceleração tanto do índice cheio quanto dos componentes de preços pagos e de novos pedidos, enquanto o subíndice de emprego deve apresentar melhora, em mais um indicador capaz de recalibrar as expectativas para a política monetária do Federal Reserve (Fed).
No mercado de commodities, o petróleo opera em queda após a Opep+ confirmar, neste domingo (5), o quarto aumento consecutivo da produção. O cartel elevará a oferta em 188 mil barris por dia a partir de agosto, exatamente como o mercado vinha antecipando, reforçando a percepção de maior equilíbrio entre oferta e demanda após a normalização do fluxo de navios pelo Estreito de Ormuz.
O grupo reiterou que continuará monitorando as condições do mercado e poderá acelerar, interromper ou até reverter os ajustes na produção, caso o cenário mude. Também reafirmou que os países compensarão integralmente qualquer produção acima das cotas acordadas desde janeiro de 2024, mantendo reuniões mensais para revisar a estratégia. Com isso, o Brent recuava para US$ 71,70 o barril e o WTI era negociado a US$ 68,34 na abertura dos mercados asiáticos, refletindo tanto o aumento da oferta quanto a redução dos prêmios de risco geopolítico incorporados durante o conflito entre Estados Unidos e Irã.
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Na frente geopolítica, o funeral do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, dominou o noticiário do fim de semana e interrompeu temporariamente as negociações entre Washington e Teerã para um acordo permanente de paz. Apesar do tom mais duro adotado durante as cerimônias em Teerã, marcadas por pedidos de vingança contra Estados Unidos e Israel, o presidente Donald Trump voltou a afirmar que considera o conflito encerrado e disse acreditar que o Irã continua interessado em um acordo definitivo após o período de luto.
Enquanto isso, os sinais seguem apontando para a implementação do memorando firmado no mês passado, com a retomada, neste domingo, do comércio marítimo entre Irã e Catar e a manutenção do fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz próximo da normalidade.
No Brasil, as atenções se voltam para Washington, onde começa nesta segunda-feira a audiência pública do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), etapa relevante da investigação aberta com base na Seção 301 da Lei de Comércio. Durante dois dias, representantes da indústria brasileira, empresas americanas e integrantes da oposição discutirão a proposta de sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros e outras medidas comerciais avaliadas pelo governo Trump.
A estratégia da indústria brasileira será defender que o tarifaço tende a causar impactos mais severos para a própria economia americana do que para o Brasil. CNI, Fiesp e Amcham sustentam que grande parte das exportações brasileiras é composta por insumos industriais, matérias-primas e bens de capital utilizados pela indústria dos Estados Unidos. Na avaliação dessas entidades, as tarifas elevariam custos de produção, reduziriam a competitividade das empresas americanas e ampliariam a dependência do país de fornecedores asiáticos, especialmente da China.
O governo brasileiro também contesta os fundamentos da investigação. Na sexta-feira (3), o ministro da Fazenda, Dario Durigan, voltou a defender o Pix — um dos principais alvos do relatório preliminar do USTR — afirmando que o sistema é uma infraestrutura pública de acesso universal e que não discrimina empresas estrangeiras. Em manifestação enviada ao governo americano, o Itamaraty reforçou que o Pix ampliou a concorrência no mercado brasileiro de pagamentos e abriu oportunidades para companhias dos Estados Unidos.
A audiência ainda ganha contornos políticos com a participação do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, que desembarcou nos Estados Unidos neste domingo e participará da sessão. Em documento encaminhado ao USTR, o parlamentar pediu a suspensão da tarifa de 25%, argumentando que a medida acabaria fortalecendo politicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, produzindo efeito contrário ao pretendido pelo governo Trump.
Manchetes desta manhã
- Justiça Federal afasta aumento de 10% sobre o lucro presumido (Valor)
- Credores da Americanas vão à Justiça e apontam falhas em pagamentos (Folha)
- Sky compra divisão de mídia da ITV em acordo de US$ 2,1 bilhões para competir com streaming (Estadão)
- BC pode limitar acesso ao Pix de fintechs e bancos que tenham segurança cibernética fraca (O Globo)
Mercado global tem movimentos distintos sob influência do setor de tecnologia
As bolsas da Europa operam em baixa, com os investidores acompanhando os resultados corporativos e indicadores econômicos da região. Em Londres, a EasyJet dispara após aceitar, em princípio, uma oferta de aquisição da Castlelake, enquanto a ITV avança com o acordo para vender sua divisão de mídia e entretenimento à Sky por até 1,6 bilhão de libras.
Na Ásia, os mercados fecharam majoritariamente em queda, com o setor de tecnologia pressionando os índices, especialmente na Coreia do Sul e no Japão. Na contramão, Hong Kong avançou, impulsionada pela expectativa de novos estímulos à economia chinesa.
Em Nova York, os índices futuros ampliam ganhos após o Dow Jones renovar máximas históricas na semana passada. O avanço é liderado pelas ações de tecnologia, enquanto o mercado monitora os resultados de Samsung e SK Hynix em busca de sinais sobre a demanda por chips de inteligência artificial.
Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: +0,45%
- FTSE 100: -0,27%
- CAC 40: -0,01%
- Nikkei 225: -0,01%
- Shanghai SE Comp: -0,06%
- Hang Seng: +1,14%
- Ouro (jun): +1,02%, a US$ por 4.167,76 onça troy
- Índice do dólar (DXY): +0,23%, aos 101,09 pontos
- Bitcoin: -1,08% a US$ 62.088,2
Commodities
- Petróleo: os contratos futuros recuam, pressionados pela decisão da Opep+ de elevar a produção em 188 mil barris por dia a partir de agosto e pela redução dos riscos de oferta, com a normalização do tráfego no Estreito de Ormuz. O mercado também segue atento ao avanço das negociações entre Estados Unidos e Irã.
O Brent/setembro recua 0,17%, cotado a US$ 72,02 e o WTI/agosto cai 0,12%, a US$ 68,61. - Minério de ferro: fechou em alta de 0,14% em Dalian, na China, cotado a US$ 108,61 a tonelada
Cenário internacional
Além da repercussão da decisão da Opep+ e da disputa comercial entre Brasil e Estados Unidos, a agenda econômica ganha força ao longo da semana com uma série de indicadores e eventos capazes de influenciar os mercados globais. Investidores acompanham a divulgação das atas das últimas reuniões do Federal Reserve (Fed) e do Banco Central Europeu (BCE), os dados de inflação da China, novos indicadores de atividade econômica e o início da temporada de balanços nos Estados Unidos, com os resultados da PepsiCo previstos para quinta-feira (9), antes da abertura de Wall Street.
O principal destaque será a ata da reunião do Fed, marcada para quarta-feira (8), primeiro documento oficial sob a presidência de Kevin Warsh. O mercado busca sinais sobre a condução da política monetária após o novo presidente adotar um discurso mais cauteloso e evitar fornecer orientações antecipadas sobre os próximos passos dos juros. No dia seguinte, será a vez da divulgação da ata do BCE, que poderá trazer novas indicações sobre o ritmo da política monetária na zona do euro.
No cenário geopolítico, a guerra entre Rússia e Ucrânia voltou a elevar a cautela dos investidores às vésperas de uma cúpula considerada decisiva da Otan. Nos últimos dias, Donald Trump teria mantido conversas separadas com os presidentes da Rússia e da Ucrânia, enquanto o conflito se intensificou em campo. Drones ucranianos atingiram um terminal petrolífero e um porto em São Petersburgo, e Moscou respondeu com seu segundo ataque de grande escala contra Kiev em menos de uma semana. O mercado monitora a possibilidade de uma retomada das negociações diplomáticas, mas também o risco de nova escalada militar, com potenciais impactos sobre a segurança energética e os compromissos europeus de ampliação dos gastos com defesa.
Na Ásia, o iene voltou a se aproximar da mínima em quase quatro décadas frente ao dólar nesta segunda-feira, renovando as preocupações com uma eventual intervenção das autoridades japonesas para conter a desvalorização da moeda.
Cenário nacional
No Brasil, o foco da semana será a divulgação do IPCA de junho, na sexta-feira (10), principal indicador de inflação do país. Antes disso, os investidores acompanham o IGP-DI de junho, na terça-feira (7), com expectativa de queda de 0,6% após alta de 0,87% em maio, além das vendas no varejo de maio, na quarta-feira, que podem reforçar os sinais de desaceleração da atividade econômica observados recentemente na produção industrial. Já nesta segunda-feira, o mercado monitora o Boletim Focus em busca de sinais de estabilização das expectativas para a inflação.
No campo político e fiscal, segue indefinida a tramitação da medida provisória que extingue o imposto federal sobre compras internacionais (taxa das blusinhas) de até US$ 50. Com o avanço do calendário eleitoral e a proximidade do recesso parlamentar, cresce o risco de a proposta perder a validade sem votação, cenário que preocupa o setor varejista.
Também permanece no radar a situação financeira dos Correios. Após questionamentos do Tribunal de Contas da União (TCU), o Tesouro Nacional deverá revisar os critérios utilizados para conceder garantia da União a empréstimos da estatal. A mudança busca viabilizar uma nova operação de financiamento, estimada em cerca de R$ 7 bilhões, depois das críticas ao aval concedido para um empréstimo de R$ 12 bilhões aprovado no fim do ano passado.
Destaques do mercado corporativo
- Raízen: credores indicaram Camille Faria, ex-CFO da Americanas, para acompanhar a execução do plano de recuperação extrajudicial; o conselho também aprovou emissão de apólices de seguro de R$ 249,6 milhões para garantir obrigações judiciais e administrativas.
- Rumo: a Cofco aparece como favorita para adquirir a operadora logística da Cosan, segundo Lauro Jardim (O Globo)
- Cemig: fornecerá energia solar por assinatura para cerca de 6,7 mil prédios públicos de Minas Gerais, com economia estimada em R$ 34 milhões por ano.
- Isa Energia: aprovou a 23ª emissão de debêntures, no valor de R$ 1,5 bilhão, destinada à recomposição de caixa.
- Eneva: negocia a compra de campos de gás natural na Venezuela, segundo informações de Lauro Jardim.
- Helbor: a HBR Realty protocolou pedido de OPA por permuta para aquisição do controle e fechamento de capital da companhia.











