Os mercados globais iniciam a semana sob forte aversão ao risco, após a guerra entre Estados Unidos e Irã ganhar uma nova dimensão no fim de semana e recolocar no radar o risco de interrupções no abastecimento mundial de petróleo. O principal foco está no Estreito de Ormuz — a mídia estatal iraniana informou que a Guarda Revolucionária determinou o fechamento da passagem “até nova ordem”, enquanto o presidente Donald Trump disse neste domingo (12) que a rota permanece aberta ao tráfego comercial. O próprio Comando Central dos EUA (Centcom) reforçou que todas as embarcações em trânsito legal continuam autorizadas a navegar pela região.
A deterioração do cenário geopolítico ganhou força depois que a Guarda Revolucionária do Irã atacou um navio porta-contêineres, levando Washington a responder com bombardeios contra 140 alvos no sábado e uma nova ofensiva no domingo, segundo o Centcom. Em retaliação, o Irã atingiu instalações militares americanas na Jordânia, Kuwait, Bahrein e Omã.
Segundo os EUA, a nova ofensiva teve como objetivo reduzir a capacidade iraniana de atacar navios civis e comerciais na região. Ainda assim, dados da Kpler, citados pela Reuters, mostram que apenas seis embarcações cruzaram o Estreito de Ormuz no domingo, atingindo o menor fluxo em cinco semanas, refletindo a piora das condições de segurança. O movimento impulsiona uma nova disparada dos preços do petróleo, enquanto o mercado volta a incorporar um prêmio de risco geopolítico aos ativos.
Apesar da deterioração do cenário militar, a via diplomática permanece aberta. O Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou nesta segunda-feira (13) que mediadores internacionais continuam trabalhando para evitar uma escalada ainda maior do conflito, embora reconheça que ainda não há qualquer perspectiva concreta de normalização do tráfego marítimo.
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“O papel dos mediadores é continuar seus esforços para evitar uma escalada das tensões”, afirmou o porta-voz da chancelaria iraniana, Esmaeil Baqaei. Ao mesmo tempo, Teerã elevou o tom ao advertir que poderá abandonar o memorando de entendimento firmado com Washington caso os Estados Unidos deixem de cumprir o compromisso assumido de encerrar a guerra.
A ofensiva coloca sob forte pressão o acordo de paz provisório firmado entre Washington e Teerã no mês passado. O entendimento previa o encerramento das hostilidades após 60 dias de negociações e a normalização da navegação pelo Estreito de Ormuz, objetivo que agora volta a ser colocado em dúvida diante da retomada dos ataques.
No Brasil, o mercado acompanha a reta final das negociações entre Brasília e Washington para evitar a imposição de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. O prazo estabelecido pelo governo Trump termina nesta quarta-feira (15), quando o USTR deverá concluir a investigação conduzida com base na Seção 301 e indicar se aplicará as novas sobretaxas.
O governo brasileiro intensificou as tratativas diplomáticas e busca uma reunião com o chefe do USTR, Jamieson Greer, por meio do grupo de trabalho criado entre os dois países. Na última sexta-feira (10), Lula reuniu ministros e decidiu manter as negociações técnicas, sem oferecer concessões consideradas injustificáveis.
De acordo com levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), cerca de 4,1 mil produtos, equivalentes a US$ 14,9 bilhões em exportações, serão afetados caso entrem em vigor tanto a tarifa adicional de 25% quanto a sobretaxa de 12,5% relacionada à investigação sobre trabalho forçado. Na prática, a carga tarifária poderá alcançar até 37,5% para parte dos produtos brasileiros.
O agronegócio também permanece no centro das preocupações. Segundo estudo da Farsul, aproximadamente US$ 4,2 bilhões em exportações do setor seriam diretamente impactados pelas novas tarifas. Mesmo com algumas exceções previstas, cerca de 36,8% das vendas do agro brasileiro aos Estados Unidos permaneceriam sujeitas às sobretaxas, com destaque para produtos florestais, sebo bovino e o complexo sucroalcooleiro, entre os segmentos mais expostos ao aumento das barreiras comerciais.
Manchetes desta manhã
- Juros japoneses de curto prazo sobem em meio à incerteza sobre plano de fundo de pensões (Valor)
- Receita paga R$ 500 milhões em cashback do Imposto de Renda nesta quarta (Folha)
- Câmara indica R$ 1,3 bilhão em emendas similares ao orçamento secreto sem informar autor, diz estudo (estadão)
- Após IPO nos EUA, coreana SK tomba 15%, com receio de boom de IA (O Globo)
Mercado global recua com notícia sobre fechamento do Estreito de Ormuz
As bolsas da Europa buscam a estabilidade, com investidores monitorando a escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã e seus impactos sobre o mercado de energia. A alta do petróleo impulsiona o setor de óleo e gás, que avançava cerca de 1%.
Entre os destaques corporativos, a AkzoNobel subia 2,5% em Amsterdã após receber uma oferta de 7,5 bilhões de euros da japonesa Nippon Paint Holdings por sua divisão de tintas decorativas.
Na Ásia, os mercados maioria das praças encerrou o pregão em forte queda, com a escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã e pelas incertezas sobre o fluxo de petróleo no Estreito de Ormuz.
Em Seul, o Kospi despencou 8,95%, aos 6.806,93 pontos, liderado pelas fortes perdas de SK Hynix (-15,37%) e Samsung Electronics (-10,70%), à medida que investidores reduziram exposição às fabricantes de chips ligadas ao ciclo de investimentos em inteligência artificial.
Em Nova York, os índices futuros abriram a semana em queda, pressionados pelo aumento das tensões no Oriente Médio, que voltou a impulsionar os preços do petróleo e reforçar a aversão ao risco nos mercados.
Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: -0,29%
- FTSE 100: -0,11%
- CAC 40: +0,10%
- Nikkei 225: -1,92%
- Shanghai SE Comp: -2,06%
- Hang Seng: +0,16%
- Ouro (jun): -1,14%, a US$ por 4.066,65 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): +0,01%, aos 100,96 pontos
- Bitcoin: -2% a US$ 62.749,6
Commodities
- Petróleo: os preços disparam, em meio ao agravamento do conflito entre Estados Unidos e Irã e ao aumento dos riscos para o abastecimento global de energia. O movimento ganhou força após a quinta rodada de bombardeios dos EUA contra o Irã e o anúncio de um novo fechamento do Estreito de Ormuz.
A Guarda Revolucionária iraniana afirmou que a retomada da navegação depende do fim das ações militares americanas e alertou para possíveis impactos mais amplos sobre o mercado global de petróleo e gás. Nesse cenário, o Brent sobe 3,35%, para US$ 78,56, enquanto o WTI avança 3,40%, a US$ 73,87. - Minério de ferro: fechou em queda de 0,47% em Dalian, na China, cotado a US$ 109,85 a tonelada.
Cenário internacional
Nos EUA, os investidores monitoram uma sequência de indicadores capazes de oferecer novos sinais sobre a trajetória da inflação, do consumo e da atividade econômica. Estão previstas as divulgações dos índices de preços ao consumidor (CPI) e ao produtor (PPI), das vendas no varejo, da produção industrial e do Livro Bege do Federal Reserve (Fed), conjunto de dados que deve ajudar o mercado a reavaliar as expectativas para os próximos passos da política monetária americana.
No noticiário corporativo, a Meta anunciou uma nova expansão de seu projeto de infraestrutura voltado à inteligência artificial. A companhia ampliou para 5 gigawatts a capacidade computacional do data center em construção no condado de Richland, no nordeste do estado da Louisiana, transformando o empreendimento no maior centro de processamento de dados da empresa.
Com a revisão do projeto, o investimento estimado saltou de US$ 27 bilhões para mais de US$ 50 bilhões, consolidando a iniciativa como um dos maiores investimentos em infraestrutura de inteligência artificial já realizados no mundo. Segundo o The Wall Street Journal, a gestora Blue Owl Capital detém uma participação relevante no projeto, que também reúne investidores como a BlackRock.
Cenário nacional
No Brasil, os investidores acompanharão os resultados das vendas no varejo e do volume de serviços de maio, dados que podem trazer novos sinais sobre a composição do crescimento econômico, além da divulgação do IBC-Br, indicador mensal calculado pelo Banco Central e considerado uma prévia da atividade econômica do país.
Também estará no radar o IGP-10 de julho, para o qual a expectativa é de deflação, movimento atribuído principalmente ao recuo recente das cotações internacionais do petróleo.
Na frente de comércio exterior, o Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou, em sessão extraordinária realizada na última sexta-feira (10), mudanças nas regras do Programa de Financiamento às Exportações (Proex). A medida amplia o prazo de financiamento pré-embarque, permitindo que o desembolso dos recursos ao exportador seja feito em até 360 dias antes do embarque da mercadoria, ante o limite anterior de 180 dias.
O novo prazo poderá ser prorrogado por até 750 dias, ampliando a flexibilidade das linhas de crédito destinadas às empresas exportadoras.
Destaques do mercado corporativo
- Oi: assinou contrato de venda da unidade produtiva isolada (UPI) de serviços telefônicos fixos à Método Telecomunicações e Comércio, vencedora do procedimento competitivo aprovado pela 7ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro no processo de recuperação judicial da empresa.
- Nippon Paint: apresentou uma proposta de US$ 8,6 bilhões para comprar o negócio de tintas decorativas da holandesa AkzoNobel.
- Volkswagen: pode precisar cortar mais 50 mil empregos para se igualar à competitividade de suas rivais, teria comunicado o diretor-presidente em um memorando interno.
- SK Hynix: açõesdespencaram mais de 15%, com investidores realizando lucros após a estreia de seus ADRs na Nasdaq, na sexta-feira.











