O Porto Itapoá, principal investimento do fundo BRZ Infra Portos (BRZP11), entrou em uma nova etapa de crescimento. Depois de movimentar cerca de 1,5 milhão de TEUs (medida para contêineres) em 2025, o terminal catarinense bateu um novo recorde mensal em junho de 2026, com 138 mil TEUs..
Atualmente, o porto se encontra em sua 4ª fase de expansão, que incluem obras de expansão de pátio, com 120 mil m² adicionais, além de melhoria na infraestrutura de acesso ao porto, como novos gates e nova ligação com a via privada B1. Além disso, está avançado o processo de dragagem da Baía da Babitonga, o que aumentará a profundidade do canal de acesso ao Porto Itapoá. O objetivo é elevar a capacidade atual, hoje estimada em aproximadamente 1,8 milhão de TEUs, e permitir a chegada de navios maiores.
Essa expansão está no centro da tese do BRZP11. Negociado na B3, o BRZ Infra Portos é um fundo de infraestrutura que detém participação indireta no Porto Itapoá. O desempenho das cotas, a distribuição de rendimentos e o potencial de valorização dependem diretamente da capacidade do terminal de movimentar mais cargas, gerar caixa e executar seus projetos.
Entenda tudo sobre o Porto Itapoá e o BRZP11 no vídeo abaixo:
O que é o BRZP11?
O BRZP11 é o código de negociação do BRZ Infra Portos, estruturado como um Fundo de Investimento em Participações em Infraestrutura, o chamado FIP-IE.
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Diferentemente de um fundo imobiliário, o BRZP11 investe no setor de infraestrutura, com participação indireta e ativa, de 22,9% do capital social da Itapoá Terminais Portuários, o Porto Itapoá, um dos maiores terminais portuários de contêineres do Brasil.
O fundo é fechado, com cotas negociadas na B3 e possui prazo de 30 anos, prorrogável por mais 30. O compra e venda de cotas do Fundo é feita através da Bolsa, ficando sujeitas à: (i) liquidez de mercado, que apresentou volumes médios diários de negociação maiores que R$ 1 milhão ao longo dos últimos meses; e (ii) e ao preço negociado em tela; que se apresenta descontado frente ao valor patrimonial da cota.
Onde fica o Porto Itapoá?
Localizado na Baía da Babitonga, em Santa Catarina, o Porto Itapoá é especializado na movimentação de contêineres e atende operações de importação, exportação, cabotagem e transbordo.
O terminal iniciou suas atividades em 2011 com capacidade para aproximadamente 500 mil TEUs por ano. Depois de sucessivas ampliações, chegou a uma capacidade estimada em 1,8 milhão de TEUs.
TEU é a unidade utilizada pelo setor portuário para representar um contêiner padrão de 20 pés.
Em 2025, o porto movimentou cerca de 1,5 milhão de TEUs e terminou o ano entre os maiores terminais de contêineres do Brasil. Em junho de 2026, atingiu um novo recorde mensal, com 138 mil TEUs movimentados.
Com a proximidade da entrega da Fase IV de expansão, o Porto Itapoá já estuda novos investimentos, que aumentarão ainda mais sua capacidade – a Fase V de expansão.
Como o Porto Itapoá gera resultados?
A receita do terminal vem dos serviços prestados a armadores (empresas de navegação), importadores, exportadores e operadores logísticos.
Entre as atividades estão a movimentação de contêineres entre navios, cais e pátio, armazenagem, inspeções, operação de cargas refrigeradas e outros serviços relacionados ao comércio exterior.
Em 2025, o Porto Itapoá registrou receita próxima de R$ 1,4 bilhão, EBITDA de aproximadamente R$ 980 milhões e lucro líquido em torno de R$ 584 milhões, conforme dados que podem ser observados nas suas demonstrações financeiras auditadas e disponíveis no site do Fundo (https://www.brzinfraportos.com.br) e do Porto (https://www.portoitapoa.com).
Esses resultados afetam diretamente o BRZP11. Quando o terminal gera lucro e distribui recursos aos acionistas, o fundo recebe a parcela correspondente à sua participação.
Além dos pagamentos, o crescimento dos resultados pode elevar o valor econômico do Porto Itapoá e, consequentemente, o valor da cota do BRZP11.
Quais são os próximos passos do Porto Itapoá?
O principal projeto em andamento é a quarta fase de expansão, que prevê aproximadamente R$ 500 milhões em investimentos.
O plano, que está em suas etapas finais, inclui a adição de cerca de 120 mil metros quadrados ao pátio (em desenvolvimento), a chegada de um novo portêiner (já entregue) e a instalação de 12 equipamentos de grande porte para a movimentação de contêineres (já entregues).
Também estão previstos novos veículos de transporte interno, novas tomadas para contêineres refrigerados, scanner e melhorias nos acessos de caminhões.
Com a proximidade do término da Fase IV de expansão, o Porto Itapoá já estuda a Fase V, que poderá abordar novas áreas de pátio, novo berço de atracação de navios e novos equipamentos.
Dragagem permitirá receber navios maiores
Outro projeto estratégico é o aprofundamento do canal de acesso à Baía da Babitonga, compartilhado com o Porto de São Francisco do Sul.
A profundidade deverá passar de 14 para 16 metros. Com isso, o complexo poderá receber navios de até 366 metros de comprimento e capacidade aproximada de 16 mil TEUs com carga máxima.
O investimento é estimado em cerca de R$ 330 milhões, dos quais R$ 300 milhões serão aportados pelo Porto Itapoá através de um contrato de empréstimo do Porto à autoridade portuária de São Francisco do Sul.
A dragagem elevará a competitividade do terminal, já que as companhias marítimas vêm utilizando embarcações cada vez maiores. Portos sem restrições de profundidade poderão receber novas rotas e navios cada vez maiores.
Como funcionam os rendimentos do BRZP11?
Os rendimentos do BRZP11 dependem principalmente dos recursos recebidos do Porto Itapoá e da administração do caixa do fundo.
A partir de julho de 2026, a distribuição mensal passou de R$ 0,92 para R$ 1,20 por cota, aumento de aproximadamente 30%. Em 12 meses, entre julho de 2026 e junho de 2027, esse patamar contratado corresponde a R$ 14,40 por cota.
O fundo receberá, ao longo de 2026, cerca de R$ 130 milhões relacionados ao resultado de 2025 do porto, mas decidiu não distribuir imediatamente todo o montante.
Parte do dinheiro , montante além dos R$14,40 por cota já definidos e contratados, permanecerá em caixa.
Os rendimentos futuros aos cotistas não são fixos ou garantidos, mas a manutenção de caixa no fundo, conforme indicado acima, busca pagamentos mais previsíveis e com menores oscilações entre os períodos, mesmo em cenários de investimentos.
O valor pode mudar de acordo com os resultados do terminal, os investimentos a serem feitos, os recursos a serem recebidos e as decisões da gestora.
BRZP11 é um fundo imobiliário?
Apesar do código terminado em “11”, o BRZP11 não é um fundo imobiliário.
Sua estrutura é a de um FIP-IE, que investe em participações empresariais de infraestrutura. Por isso, o comportamento econômico se aproxima mais de uma participação em uma companhia do que de um fundo voltado apenas à geração de renda.
O retorno do cotista pode vir dos rendimentos distribuídos e de uma eventual valorização das cotas, caso o mercado reconheça o crescimento do Porto Itapoá.
Para pessoas físicas que atendam às condições previstas em lei, os rendimentos são isentos e os ganhos auferidos na alienação de cotas são tributados à alíquota de 0% no Imposto de Renda.
Quais são os principais riscos do BRZP11?
O principal risco é a concentração. Como o Porto Itapoá é o ativo central e o investimento é em ações do Porto, o Fundo tem exposição direta ao desempenho do Porto, seja ao seu crescimento ou aos seus desafios. Logo, problemas operacionais, financeiros, ambientais ou regulatórios no terminal podem afetar diretamente o BRZP11. O desempenho também depende do comércio exterior. Uma desaceleração econômica, redução das importações ou exportações e mudanças nas rotas marítimas podem diminuir a movimentação de cargas.
Há ainda riscos relacionados à execução das obras. A expansão exige capital elevado e pode enfrentar atrasos, custos adicionais ou dificuldades técnicas.
O aumento da capacidade, apesar de trazer maior competitividade ao Porto, também não garante crescimento automático. O Porto precisará atrair novas cargas, manter contratos com armadores e operar a estrutura adicional com eficiência.
Outro ponto de atenção é a liquidez. Apesar do crescimento recente nos vlumes diários negociados, o investidor pode encontrar dificuldade para vender uma quantidade relevante de cotas pelo preço desejado.
O que acompanhar no BRZP11?
Para avaliar a evolução do fundo, o investidor deve observar mais do que o valor distribuído por cota.
No Porto Itapoá, os principais indicadores são a movimentação de TEUs, a concentração de cargas de longo curso versus outras cargas, a receita, o EBITDA, o lucro, a dívida e a taxa de utilização da capacidade.
Também devem ser acompanhados o andamento da expansão, a ampliação do cais, a chegada dos equipamentos e a conclusão da dragagem.
No fundo, os pontos centrais são o caixa disponível, a política de distribuição, o valor patrimonial, o preço das cotas e a liquidez na Bolsa.
O aumento dos rendimentos pode chamar a atenção no curto prazo, mas a tese do BRZP11 depende principalmente da capacidade do Porto Itapoá de crescer, preservar margens e transformar seus investimentos em geração de valor.
Este conteúdo possui caráter exclusivamente informativo e não representa recomendação de compra ou venda de ativos.
Texto produzido por Monitor Valores, em parceria com a BRZ.











