Os mercados globais operam em compasso de espera nesta quarta-feira (29), com os investidores dividindo as atenções entre a decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed) e a nova escalada das tensões no Oriente Médio, que impulsiona os preços do petróleo e reacende preocupações com a inflação global e os rumos das taxas de juros.
As cotações da commodity avançam mais de 5%, interrompendo uma sequência de três sessões consecutivas de queda, após a retomada dos confrontos. Após a trégua registrada no fim de semana, os Estados Unidos realizaram, durante a madrugada, os primeiros ataques aéreos no Oriente Médio, atingindo grupos apoiados pelo Irã no Iraque em uma operação conjunta com a Arábia Saudita. Em resposta, o Irã lançou novos ataques com mísseis contra forças americanas na região. Horas antes da ofensiva conjunta, as Forças Armadas dos EUA informaram que seus sistemas de defesa aérea interceptaram um ataque surpresa iraniano contra tropas americanas.
Ao mesmo tempo, permanecem elevados os riscos para o transporte marítimo na região. A navegação pelo Estreito de Ormuz continua fortemente restrita, enquanto o Estreito de Bab el-Mandeb segue operando sob intensa pressão, com o tráfego reduzido desde os ataques dos houthis contra embarcações sauditas.
Em meio ao agravamento da crise, Omã apresentou nesta semana uma proposta para estabelecer um sistema de controle regional conjunto do Estreito de Ormuz, com apoio dos países do Golfo. O plano prevê a cobrança voluntária de taxas pelos serviços prestados aos navios que cruzam a passagem. No entanto, uma alta autoridade iraniana afirmou à Reuters nesta quarta-feira que Teerã rejeitou a proposta por considerá-la “irracional”.
Segundo a autoridade, um modelo de administração compartilhada em partes iguais com Omã não atende aos interesses estratégicos do Irã, apesar de o país considerar Omã um importante vizinho. A posição iraniana é de manter controle exclusivo sobre a rota de entrada do estreito e controle parcial sobre a rota de saída.
Enquanto isso, os EUA continuam orientando embarcações a utilizarem uma rota mais próxima do litoral de Omã, evitando a navegação junto à costa iraniana. Já a Marinha da Guarda Revolucionária declarou, em comunicado, que mantém controle total sobre o Estreito de Ormuz e advertiu que responderá a qualquer “interferência militar ilegal dos EUA”.
Fed domina as atenções do mercado
Além da tensão geopolítica, o principal evento do dia é a conclusão da reunião de política monetária do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), do Federal Reserve. A decisão será anunciada nesta tarde, seguida da coletiva de imprensa do presidente da instituição, Kevin Warsh.
A expectativa predominante entre economistas é de manutenção da taxa básica de juros na faixa entre 3,5% e 3,75% ao ano. Ontem, a ferramenta FedWatch, do CME Group, apontava cerca de 70% de probabilidade de estabilidade, enquanto os contratos futuros ainda precificavam aproximadamente 30% de chance de uma elevação de 0,25 ponto percentual.
O mercado também acompanha a possibilidade de a reunião registrar ao menos dois votos dissidentes favoráveis a uma alta dos juros. Bank of America (BofA) e Citi projetam que Beth Hammack, presidente do Fed de Cleveland, e Lorie Logan, presidente do Fed de Dallas, defendam um aumento da taxa, refletindo a preocupação de parte dos integrantes do FOMC com a persistência das pressões inflacionárias, intensificadas nas últimas semanas pela valorização do petróleo.
Governo prorroga Desenrola até o fim de agosto
No Brasil, o governo federal prorrogou o programa Desenrola até 31 de agosto, sem necessidade de novos aportes fiscais, com a expectativa de ampliar o alcance da iniciativa para 10 milhões de famílias. Lançada em maio deste ano, a atual edição do programa havia sido planejada para durar 90 dias e terminaria na próxima segunda-feira, 3 de agosto.
Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, a decisão de estender o prazo também atende a um pedido do setor bancário, que identificou demanda adicional por renegociação de dívidas. Ele afirmou que a prorrogação não exigirá novos recursos para o Fundo Garantidor de Operações (FGO), utilizado para cobrir eventuais inadimplências, e destacou que as regras atuais permanecerão inalteradas, sem novas restrições ou mudanças.
A expectativa do governo é que o mês adicional de funcionamento permita que mais consumidores regularizem suas pendências financeiras antes de buscar novas linhas de crédito. Até 23 de julho, o Desenrola havia renegociado R$ 22 bilhões em dívidas, distribuídas em 3,6 milhões de operações. Após os descontos concedidos nas renegociações, o valor dessas dívidas foi reduzido para cerca de R$ 4 bilhões.
A modalidade atualmente em vigor contempla dívidas de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal contratadas até 31 de janeiro de 2026. Para serem elegíveis, os débitos devem estar em atraso entre 91 dias e dois anos.
Manchetes desta manhã
- Santander abre temporada de balanços com lucro de R$ 3,014 bi no 2º tri, abaixo do esperado (Valor)
- Ministério Público investiga contrato sem licitação do governo do Paraná com o Google (Folha)
- Aprovação de Lula é de 47,6% e desaprovação, 51,2%, diz pesquisa Atlas (Estadão)
- Agro bate recorde de produção, mas falta espaço para armazenar grãos ( O Globo)
Mercado global em modo cautela com decisão sobre juros e alta do petróleo
As bolsas europeias operam sem direção definida, com os investidores cautelosos diante da retomada da alta do petróleo, impulsionada pela nova escalada das tensões no Oriente Médio.
O mercado também aguarda a decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed), com expectativa de manutenção dos juros e atenção redobrada aos sinais sobre os próximos passos do banco central americano.
Na Ásia, os mercados tiveram desempenho misto, com destaque para o tombo de 5,98% da Coreia do Sul, pressionada pela segunda sessão consecutiva de forte venda de ações de tecnologia, enquanto investidores reavaliam as elevadas avaliações das empresas ligadas à IA.
Em Seul, a SK Hynix liderou as perdas após reportar lucro operacional trimestral abaixo das estimativas, apesar de o resultado ter avançado quase seis vezes na comparação anual.
Em Nova York, os índices futuros buscam a estabilidade, enquanto o mercado adota postura cautelosa antes da decisão de juros do Federal Reserve (Fed) e da coletiva de seu presidente, Kevin Warsh. No radar também estão os balanços de Microsoft e Meta Platforms, previstos para após o fechamento dos mercados.
Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: +0,20%
- FTSE 100: +0,27%
- CAC 40: -0,48%
- Nikkei 225: -1,49%
- Shanghai SE Comp: +0,40%
- Hang Seng: +1,96%
- Ouro (jun): -0,54%, a US$ por 4.016,70 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): +0,04%, aos 101,46pontos
- Bitcoin: +1,28% a US$ 64.352,1
Commodities
- Petróleo: os contratos futuros avançam mais de 4%, interrompendo uma sequência de três sessões consecutivas de queda, em meio à nova escalada do conflito no Oriente Médio. Após a pausa registrada no fim de semana, EUA e Irã retomaram os ataques na região, enquanto a navegação pelo Estreito de Ormuz segue fortemente restrita.
Em paralelo, o Irã rejeitou a proposta de Omã para a gestão conjunta regional da estratégica rota marítima, segundo informações da Reuters.
O Brent/setembro sobe de 5,16%, cotado a US$ 88,43 e o WTI/setembro avança 4,87%, a US$ 83,12. - Minério de ferro: fechou em queda de 0,27% em Dalian, na China, cotado a US$ 109,20 a tonelada.
Cenário internacional
No front comercial, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prorrogou por mais um ano a declaração de emergência nacional sobre o Brasil, editada em 2025 e fundamentada em alegações de “perseguição” ao ex-presidente Jair Bolsonaro. O ato serviu de base para a imposição de sanções comerciais ao país, mas a renovação não cria novas medidas nem restabelece as tarifas que haviam sido posteriormente derrubadas pela Suprema Corte americana.
Sobre o impasse comercial, o Durigan afirmou em entrevista à RedeTV!, na noite desta terça-feira (28), que está “cada vez mais difícil” chegar a um acordo para reverter o tarifaço imposto pelos Estados Unidos antes das eleições brasileiras. Segundo ele, a medida representa uma tentativa de interferência no processo eleitoral do país.
Na avaliação da consultoria Capital Economics, as tarifas americanas devem produzir impacto econômico limitado sobre o Brasil, mas podem gerar efeitos políticos ao fortalecer o discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em defesa da soberania nacional.
No noticiário corporativo, a temporada de balanços ganha força com duas integrantes do grupo das Sete Magníficas após o fechamento dos mercados, que devem testar o otimismo em torno dos investimentos em inteligência artificial.
Antes da abertura dos negócios, também apresentam resultados empresas como Procter & Gamble, Airbus, Deutsche Bank, Telefónica e Intesa Sanpaolo.
TSE amplia parceria com plataformas digitais contra desinformação
No Brasil, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) formalizou parcerias com Facebook, Google, Kwai, TikTok, LinkedIn, X e Telegram para reforçar o combate à desinformação nas eleições de 2026.
Os acordos, anunciados na terça-feira, preveem a criação de canais de denúncia, capacitação de servidores da Justiça Eleitoral e o desenvolvimento de ferramentas para ampliar a comunicação com o eleitorado. As iniciativas fazem parte do Programa Permanente de Enfrentamento à Desinformação e são resultado da reunião realizada em 16 de julho entre o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, e representantes das plataformas digitais.
No cenário fiscal, as contas externas apresentaram melhora em junho. Segundo o Banco Central, as transações correntes registraram déficit de US$ 2,33 bilhões, o menor resultado negativo para o mês desde 2023. O saldo foi amplamente financiado pelo ingresso líquido de US$ 9,075 bilhões em Investimento Direto no País (IDP), em um cenário também favorecido pelo superávit comercial de US$ 8,83 bilhões — o maior registrado para meses de junho desde 2023.
Na agenda política, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa nesta quarta-feira da convenção nacional do PSB, que oficializará Geraldo Alckmin como candidato a vice-presidente na chapa governista para as eleições de 2026.
Destaques do mercado corporativo
- Braskem: negocia com credores alternativas para uma possível reestruturação de capital, incluindo capitalização e utilização de ativos como garantia.
- Motiva: o Grupo Mover vendeu sua participação de 14,86% na companhia ao Bradesco BBI, operação ainda sujeita ao cumprimento de condições precedentes.
- Santos Brasil: informou que a entrada da Stonepeak na United Ports não altera o controle da companhia nem produz impactos imediatos sobre suas operações.
- Raízen: aderiu ao Refis de Goiás para liquidar débitos e litígios tributários relacionados ao ICMS.
- MRV: concluiu a venda de dois empreendimentos no Texas por US$ 139 milhões, reduzindo seu endividamento líquido consolidado em US$ 87 milhões.
- Allos: a Moody’s prevê manutenção da alavancagem próxima de 2,5 vezes em 2026 e 2027, sustentada pela geração de caixa e venda de ativos não estratégicos.











