Os mercados globais operam em compasso de espera nesta terça-feira (11), enquanto investidores monitoram os desdobramentos das negociações sobre a reabertura do Estreito de Ormuz e aguardam sinais mais concretos sobre um possível acordo entre Estados Unidos e Irã para encerrar o conflito. As incertezas em torno das negociações chegaram a impulsionar o petróleo no início da sessão, reacendendo as preocupações com a inflação americana às vésperas da divulgação do índice de preços ao consumidor (CPI), indicador que pode influenciar as expectativas para os próximos passos do Federal Reserve (Fed).
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A pressão sobre o petróleo, porém, perdeu força após o Ministério das Relações Exteriores do Catar afirmar que as negociações entre Omã e Irã estão em estágio avançado. Segundo o porta-voz, o ministério recebeu retornos positivos de ambos os países, aumentando as expectativas de avanço nas tratativas.
O ambiente diplomático, contudo, continua cercado de entraves. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira que o Irã deveria pagar indenizações pelos danos que, segundo ele, provocou ao longo dos últimos 50 anos. Em declaração a jornalistas no Salão Oval da Casa Branca, Trump disse que os Estados Unidos também pretendem cobrar compensações pelos prejuízos atribuídos ao governo iraniano.
A cobrança de indenizações por parte de Trump acrescentou um novo obstáculo às negociações depois que o Irã apresentou, no sábado, suas próprias condições para a reabertura do Estreito de Ormuz. Mohammad Bagher Zolghadr, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, afirmou que a via não será reaberta até que Washington suspenda o bloqueio naval e as sanções, retire as forças americanas da região, pague indenizações de guerra e descongele ativos iranianos. O conselho também exigiu o fim dos ataques americanos contra aliados regionais de Teerã.
As dúvidas sobre a reabertura de Ormuz permanecem mesmo diante das negociações com Omã. Na manhã desta terça-feira, o Centro de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido (UKMTO) informou ter recebido um relato de incidente envolvendo um navio-tanque e forças militares no Golfo de Omã, nas proximidades do Estreito de Ormuz.
Autoridades iranianas reiteraram que a passagem permanecerá fechada até que os Estados Unidos aceitem as exigências apresentadas por Teerã, entre elas a suspensão do bloqueio naval. Segundo o governo iraniano, as conversas com Omã sobre um acordo para o transporte marítimo não significam que haverá uma reabertura integral da rota.
Copom mantém cautela e não garante novos cortes
No mercado doméstico, o principal destaque da agenda é a divulgação da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que decidiu reduzir a Selic para 14% ao ano. O documento reforçou que o Banco Central não oferece garantia de novo corte na próxima reunião e destacou a necessidade de cautela dos países emergentes diante das incertezas do cenário externo.
Na avaliação do Copom, a atividade econômica brasileira apresenta moderação gradual, enquanto o mercado de trabalho permanece aquecido. A inflação cheia desacelerou, mas continua acima do limite superior da meta, ao passo que as medidas de inflação subjacente perderam força e chegaram a um nível ligeiramente abaixo desse limite.
As expectativas de inflação captadas pelo Boletim Focus seguem desancoradas. Para 2026 e 2027, as projeções estão em 5% e 4,2%, respectivamente, ambas acima da meta. No cenário de referência do Copom, a projeção de inflação para o primeiro trimestre de 2028 está em 3,2%.
O Banco Central destacou ainda que as expectativas de inflação, medidas por diferentes instrumentos e entre diferentes agentes, permanecem acima da meta. Nesse contexto, afirmou que “em um ambiente de expectativas desancoradas, como é o caso do atual, exige-se uma restrição monetária maior e por mais tempo do que outrora seria apropriado”.
Os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, continuam mais elevados do que o habitual, com assimetria para cima. O Copom também ressaltou que a incerteza em torno do cenário externo permanece elevada, em meio às tensões geopolíticas e às incertezas relacionadas à política econômica dos Estados Unidos.
Manchetes desta manhã
- Dívida pública reduz espaço do crédito privado e pressiona investimentos (Valor)
- Inflação desacelera a 0,07% em julho e fica abaixo do teto da meta (Folha)
- Governo fica sem verba para pagar R$ 105,5 bi em despesas; Saúde e Educação são mais afetadas (Estadão)
- Despesas financeiras do governo atingem R$ 149 bi no 1º semestre e ampliam pressão na dívida pública (O Globo)
Mercado global oscila com impasse sobre Ormuz e expectativa pelo CPI dos EUA
Em Nova York, os índices futuros abriram com viés de baixa, pressionados pela alta dos preços do petróleo, que voltou a alimentar preocupações com a inflação nos Estados Unidos às vésperas da divulgação do índice de preços ao consumidor (CPI), indicador que pode influenciar as expectativas para os próximos passos do Federal Reserve (Fed).
As bolsas europeias As bolsas europeias também operam mistas, com o avanço do petróleo e o impasse sobre a reabertura do Estreito de Ormuz mantendo os investidores cautelosos e renovando as preocupações com a inflação.
Na reta final da temporada de balanços, as ações da Alcon sobem 6% após a companhia elevar suas projeções de lucro para o ano.
Na Ásia, os mercados tiveram desempenho misto, em meio à alta do petróleo e à retomada das incertezas sobre o Estreito de Ormuz, renovando as preocupações com a inflação.
O mercado também se prepara para o CPI dos EUA, amanhã, dado que pode recalibrar as apostas para os juros. No Japão, o Nikkei não operou devido a feriado.
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Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: +0,10%
- FTSE 100: +0,04%
- CAC 40: +0,09%
- Nikkei 225: fechado por feriado
- Shanghai SE Comp: -0,82%
- Hang Seng: -1,10%
- Ouro (jun): +0,64%, a US$ por 4.448,17 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): +0,03%, aos 99,84 pontos
- Bitcoin: -0,77% a US$ 64.344,9
Commodities
- Petróleo: os contratos futuros recuam, após registrar alta mais cedo, em meio às incertezas sobre a reabertura do Estreito de Ormuz. O mercado reage ao avanço das negociações entre Omã e Irã, classificadas como “avançadas” pelo Catar, enquanto Trump e Teerã divergem sobre pedidos de compensação financeira pelas perdas do conflito na região.
O Brent/outubro cede 0,48%, cotado a US$ 87,30 e o WTI/setembro recua 0,30%, a US$ 81,88
Cenário internacional
No cenário geopolítico, em meio ao impasse com o Irã, Trump também prorrogou por 90 dias uma isenção que permite a navios de bandeira estrangeira transportar petróleo e outras commodities entre portos americanos. A medida, anunciada pela Casa Branca, veio acompanhada de novas restrições após construtores navais e aliados no Congresso argumentarem que a política prejudicava a indústria marítima nacional.
A extensão da isenção ocorre em um momento de forte pressão sobre o transporte marítimo, com a guerra envolvendo o Irã interrompendo fluxos globais de petróleo bruto e elevando os custos dos combustíveis. O movimento aumenta a pressão sobre o governo americano para encontrar alternativas capazes de reduzir gargalos logísticos e evitar novas altas nos preços da gasolina e de outras fontes de energia.
Brasil: IPCA supera consenso
A agenda desta terça-feira também destaca dados de inflação o Brasil. O IPCA de julho subiu 0,07%, acima da expectativa de alta de 0,03% do mercado, mas desacelerou em relação ao avanço de 0,16% registrado em junho. Em 12 meses, a inflação acumulada ficou em 3,44%, ante 4,64% no período anterior e abaixo do consenso, que projetava alta de 4,40%.
No campo comercial, os Estados Unidos aceitaram o pedido do Brasil para iniciar consultas na Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre as duas sobretaxas impostas aos produtos brasileiros importados pelo país. Em documento encaminhado à entidade, Washington afirmou estar à disposição para definir, junto à missão brasileira, uma data conveniente para as discussões.
No setor elétrico, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou que o governo deve assinar nos próximos dias o decreto que regulamentará a abertura do mercado livre de energia para consumidores de baixa tensão, incluindo residências e pequenas indústrias. Segundo ele, a norma poderá ser publicada ainda nesta semana ou na próxima.
Em entrevista à CNN Money, Silveira voltou a estimar uma redução de 20% a 22% nas contas de luz a partir de novembro de 2028, com a possibilidade de consumidores comprarem energia diretamente de comercializadores. O ministro ressaltou, porém, que essa estimativa não inclui as parcelas fixas consideradas na composição final da tarifa de energia.
Destaques do mercado corporativo
- Magazine Luiza: esclareceu que a amortização de cerca de R$ 900 milhões prevista para outubro corresponde à gestão ordinária do passivo, e não a uma projeção financeira.
- Americanas: a Justiça autorizou a venda da rede Hortifruti Natural da Terra, inclusive após eventual encerramento da recuperação judicial.
- PicPay: André Cazotto foi nomeado novo CFO, substituindo Rodrigo Couto, que seguirá como conselheiro especial até o fim de 2026.
- Brava: Bradesco elevou sua participação no capital da companhia de 3,99% para 5,99%.
- Cosan: Moody’s rebaixou o rating de emissor de AA.br para A+.br, com perspectiva negativa.
- Braskem: trocará a KPMG pela Deloitte como auditora independente a partir do terceiro trimestre.
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