Os mercados globais operam majoritariamente em alta nesta quarta-feira (12), com expectativa pela divulgação do Índice de Preços ao Consumidor (CPI) de julho nos Estados Unidos. O indicador, previsto para esta manhã, será acompanhado de perto pelos investidores por seus potenciais efeitos sobre as apostas para os juros do Federal Reserve (Fed) em setembro.
A mediana das estimativas apuradas pelo Broadcast aponta alta de 0,1% do CPI em julho, após queda de 0,4% em junho, com a inflação acumulada em 12 meses desacelerando de 3,5% para 3,4%. Para o núcleo, que exclui alimentos e energia, a expectativa é de avanço mensal de 0,2%, enquanto a taxa anual deve recuar de 2,6% para 2,5%.
O CPI ganha peso após o payroll de julho mostrar uma criação de apenas 23 mil vagas, bem abaixo das projeções. O dado reduziu de mais de 60% para menos de 45% a probabilidade de uma alta de 0,25 ponto percentual dos juros em setembro. Agora, o CPI será importante para avaliar se essa mudança nas expectativas se consolida ou perde força. Uma inflação acima do esperado pode recolocar uma alta de juros no radar, enquanto uma leitura mais benigna tende a sustentar a perspectiva de manutenção das taxas. Ainda assim, o Fed terá pela frente novos dados de emprego e inflação de agosto antes da reunião.
O cenário permanece ainda mais incerto diante da alta do petróleo e da situação no Oriente Médio. Com o barril do Brent novamente próximo de US$ 90 e o Estreito de Ormuz fechado, aumenta o risco de uma nova pressão dos custos de energia sobre a inflação.
Nos desdobramentos do conflito, o presidente Donald Trump afirmou que os Estados Unidos têm controle total sobre a rota marítima e disse não confiar no Irã. Nesta manhã, o Financial Juice informou que o Irã declarou não haver negociações para estender o cessar-fogo com os Estados Unidos. Segundo a posição iraniana, não existe uma data de início para o acordo e, portanto, não haveria o que prorrogar.
O cenário também é visto com cautela pelo Jefferies. Analistas da instituição avaliam que um acordo entre os dois países “continua sendo difícil de alcançar” e que “não há saída fácil para a situação atual”. Para o banco, “qualquer acordo de curto prazo seria mais uma solução paliativa e uma tentativa de ignorar a situação do que uma solução pacífica duradoura”.
Nesse contexto, o CPI de julho dificilmente definirá sozinho o rumo da política monetária em setembro, mas deve influenciar o tom das apostas para os juros, o dólar e os mercados globais. Nesta quinta-feira (13), os investidores terão outro dado relevante de inflação nos EUA, com a divulgação do índice de preços ao produtor (PPI).
Brasil: Serviços e mudanças no Simples entram no radar do mercado
No Brasil, o mercado acompanha a Pesquisa Mensal de Serviços de junho, que fornece novos sinais sobre o ritmo da atividade econômica e ajuda a calibrar as projeções para o PIB do segundo trimestre e para a trajetória da Selic. O indicador aponta que volume de serviços no Brasil ficou estável (0%), na margem, na série com ajuste sazonal, após ter registrado variação negativa (-0,2%) em maio. O setor se encontra 19,9% acima do nível pré-pandemia (fevereiro de 2020) e fica, em junho, 0,3% abaixo do topo da série histórica.
O indicador também ganha relevância após a ata do Copom, divulgada ontem, destacar sinais de desaceleração da atividade.
No campo fiscal, a Câmara discute mudanças nas regras do Simples Nacional que podem representar impacto próximo de R$ 50 bilhões sobre a arrecadação previdenciária em dois anos. Segundo estimativa da Receita Federal citada pelo Valor, as alterações poderiam reduzir as receitas da Previdência em R$ 23,8 bilhões em 2027 e R$ 25,9 bilhões em 2028. Caso as regras já estivessem em vigor neste ano, a perda seria de R$ 21,7 bilhões. Os cálculos não incluem o aumento do limite de faturamento do Microempreendedor Individual (MEI).
O impacto não se restringiria às contribuições previdenciárias. A ampliação das faixas do Simples também reduziria a arrecadação de outros tributos. Considerando o conjunto de tributos federais, a renúncia fiscal estimada seria de R$ 41,1 bilhões em 2026, R$ 45 bilhões em 2027 e R$ 48,9 bilhões em 2028.
Manchetes desta manhã
- Conversão de dívida em participação acionária ganha terreno (Valor)
- Ativos do BNDES ultrapassam R$ 1 trilhão pela primeira vez (Folha)
- Conselho da Caixa Seguridade (CXSE3) aprova R$ 1 bilhão para distribuição em dividendos (Estadão)
- Frigoríficos preveem queda de 35% nas vendas de carne à China, e dão férias coletivas (O Globo)
Mercado global segue em alta com expectativa pelo CPI dos EUA
Em Nova York, os índices futuros abriram em alta nesta quarta-feira (12), enquanto investidores aguardam a divulgação do índice de preços ao consumidor (CPI) dos Estados Unidos. O indicador é visto como peça-chave para as próximas decisões do Federal Reserve (Fed) e pode definir a trajetória dos juros americanos no curto prazo.
Já as bolsas europeias operam mistas, em compasso de espera pela divulgação do CPI dos EUA, que pode recalibrar as apostas para a trajetória dos juros do Fed e influenciar a política monetária na Europa.
No radar, investidores acompanham o impasse sobre a reabertura do Estreito de Ormuz, enquanto a forte temporada de balanços ajuda a limitar os impactos das tensões no Oriente Médio sobre os mercados da região.
E na Ásia, os mercados encerraram a sessão desta quarta-feira majoritariamente em alta, puxados pela forte valorização das empresas de semicondutores. Samsung Electronics (+6,7%) e SK Hynix (+5,5%), que juntas representam mais de 50% da capitalização do Kospi, impulsionaram o índice sul-coreano, que avançou 3,68%.
Resultados da CoreWeave e da Super Micro reforçarem a força dos investimentos em infraestrutura de inteligência artificial. No radar, investidores aguardaram o CPI dos EUA e acompanharam as incertezas sobre o Estreito de Ormuz.
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Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: +0,28%
- FTSE 100: +0,07%
- CAC 40: -0,10%
- Nikkei 225: 0,83%
- Shanghai SE Comp: +0,32%
- Hang Seng: -0,83%
- Ouro (jun): +0,52%, a US$ por 4.464,25 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): -0,02%, aos 99,80 pontos
- Bitcoin: -0,10% a US$ 64.259,6
Commodities
- Petróleo: os futuros operam em leve alta, diante da falta de avanços para a reabertura do Estreito de Ormuz. Analistas do Jefferies avaliam que um acordo permanece difícil e, no curto prazo, seria apenas uma solução paliativa.
Já a AIE elevou a projeção de déficit no mercado para 1,8 milhão de bpd no 3º trimestre, ante 800 mil bpd anteriormente, e passou a estimar queda de 4,3 milhões de bpd na oferta global em 2026, contra 3,7 milhões de bpd na previsão anterior.
O Brent/outubro avança 0,09%, cotado a US$ 88,99 e o WTI/setembro sobe 0,29%, a US$ 83,44. - Minério de ferro: fechou em alta de 0,14% em Dalian, China, cotado a US$ 106,8/ton.
Cenário internacional – Geopolítica eleva tensão nas rotas marítimas e pressiona petróleo
No front geopolítico, o Mar Vermelho voltou a registrar um episódio de tensão nesta terça-feira (11). Rebeldes houthis apoiados pelo Irã atacaram um navio cargueiro no Estreito de Bab-el-Mandeb. Horas depois, forças dos Estados Unidos informaram ter lançado mísseis contra um porta-contêineres que teria tentado romper o bloqueio imposto por Washington a portos iranianos no Golfo de Omã.
Os episódios evidenciam o impacto crescente do conflito, que já se estende pelo sexto mês, sobre duas das principais rotas marítimas do comércio global. O cenário ocorre justamente enquanto diplomatas apontam avanços nas negociações para a reabertura do Estreito de Ormuz, por onde passa uma parcela relevante do transporte mundial de petróleo.
No mercado de commodities, a Agência Internacional de Energia (AIE) revisou para baixo sua projeção para a demanda global por petróleo em 2026. A entidade agora estima uma redução de 1,6 milhão de barris por dia, 510 mil barris por dia acima da previsão divulgada no mês passado. Segundo a AIE, os preços elevados dos combustíveis devem continuar limitando o consumo, embora a demanda possa se recuperar ao longo do ano e retomar o crescimento no quarto trimestre.
Na Europa, a inflação anual da Itália desacelerou de 3% em junho para 2,9% em julho, atingindo o menor nível desde abril, segundo o dado final do Índice de Preços ao Consumidor (CPI) divulgado pelo instituto Istat nesta quarta-feira. Na comparação mensal, porém, os preços avançaram 0,3%, após permanecerem estáveis no mês anterior.
Brasil: serviços, fluxo cambial e balanços concentram agenda
No Brasil, além da Pesquisa Mensal de Serviços de junho, o mercado acompanha o fluxo cambial semanal, que será divulgado pelo Banco Central às 14h30. Os dados ajudam a monitorar a movimentação de recursos entre o país e o exterior e podem influenciar as expectativas para o mercado de câmbio.
No ambiente corporativo, a agenda de resultados do segundo trimestre ganha força e concentra, nesta quarta-feira, uma das maiores rodadas de balanços da temporada. Entre as companhias que divulgam seus números estão Banco do Brasil (BBAS3), Casas Bahia (BHIA3), Americanas (AMER3), MRV (MRVE3), Suzano (SUZB3), Sabesp (SBSP3) e Rumo (RAIL3).
Em recuperação judicial, a Oi voltou a adiar a publicação de seus resultados e não divulgará nesta quarta-feira o balanço que estava previsto. A companhia informou que ainda não concluiu a elaboração e a revisão das demonstrações financeiras, em razão dos impactos do processo de recuperação judicial e dos processos de venda de ativos.
Com o novo adiamento, seguem pendentes os resultados financeiros da companhia desde o terceiro trimestre de 2025.
Destaques do mercado corporativo
- B3: o ADR caiu 0,55% em Nova York apesar do lucro líquido do segundo trimestre ter crescido 28,2%, para R$ 1,698 bilhão, com receita líquida de R$ 2,765 bilhões e Ebitda de R$ 1,938 bilhão.
- Enel SP: A diretoria da Aneel rejeitou recurso da companhia e manteve o processo que pode levar à caducidade da concessão, cuja decisão final caberá ao Ministério de Minas e Energia.
- Assaí: Negou estar negociando fusão, incorporação ou mudança de controle com o Grupo Muffato.
- Americanas: o TRF-2 decidiu que as movimentações financeiras de acionistas de referência e do ex-CEO Sergio Rial podem continuar sendo monitoradas, mesmo após a suspensão do bloqueio de bens











