Na última sessão da semana, os mercados operam com viés positivo, mas ainda sob influência da alta dos juros dos Treasuries e da volatilidade do petróleo. Os investidores monitoram os riscos de inflação, enquanto a commodity devolve parte dos ganhos acumulados nas duas sessões anteriores diante de sinais de avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã para um possível encerramento gradual do conflito no Oriente Médio.
Comece o dia por dentro de tudo que movimentará o pregão desta sexta-feira (25), no Brasil e no mundo, com o Podcast Café do Mercado, uma produção do Monitor do Mercado, e apresentado por Lucas Rocco, CEO da Wiser | BTG Pactual
Depois de acumular fortes ganhos nas duas últimas sessões, o petróleo recua nesta sexta-feira (25), em meio à melhora das perspectivas para uma solução diplomática entre Estados Unidos e Irã. Relatos de que os dois países discutem um acordo gradual para encerrar o conflito e permitir a reabertura do Estreito de Ormuz reduziram, por enquanto, parte do prêmio de risco embutido na commodity, com o Brent voltando a ser negociado próximo dos US$ 105 por barril.
Segundo a Reuters, a proposta em discussão prevê uma possível reabertura de Ormuz pelo Irã em troca do fim do bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos. A primeira etapa poderia envolver as duas medidas simultaneamente. Teerã também busca acesso a ativos congelados e sinaliza flexibilidade em relação à cobrança de taxas de trânsito pelo estreito, mas não aceita abrir mão do controle administrativo sobre a passagem estratégica.
O movimento de alívio, contudo, ainda está longe de representar uma solução definitiva. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que cabe aos Estados Unidos decidir se o conflito, que já dura sete meses, chegará ao fim. As declarações ocorreram enquanto a região continua sob tensão. Na manhã desta sexta-feira, os rebeldes houthis do Iêmen lançaram dezenas de mísseis e drones contra alvos na Arábia Saudita, segundo autoridades sauditas, que afirmaram ter interceptado seis mísseis balísticos. Ao mesmo tempo, a China iniciou uma nova tentativa de mediação para um acordo de paz.
Nesse cenário, a possibilidade de normalização dos fluxos de petróleo ainda depende de um pacto concreto. Dados da Agência Internacional de Energia (AIE) mostram que os estoques globais da commodity recuaram 507 milhões de barris desde o início da guerra, o equivalente a uma retirada média de 2,8 milhões de barris por dia. Apenas em agosto, a queda foi de outros 95 milhões de barris.
Nos Estados Unidos, por outro lado, os estoques comerciais de petróleo bruto aumentaram quase 3 milhões de barris na semana encerrada em 18 de setembro, para 426,4 milhões de barris, segundo a Administração de Informação de Energia (EIA).
Brasil: na reta final da campanha eleitoral, governo mira bets
No cenário político-econômico, o governo entra na reta final da campanha eleitoral com uma medida voltada ao mercado de apostas. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve assinar ainda hoje em São Paulo uma medida provisória que prevê a proibição das apostas esportivas online e dos cassinos digitais no país.
Ao mesmo tempo, a medida deverá ser acompanhada por uma linha de crédito com juros mais baixos destinada aos clubes de futebol, numa tentativa de reduzir o impacto financeiro relacionado à perda de patrocínios das empresas de apostas. O anúncio está previsto para as 17h.
A discussão ocorre em meio ao processo de revisão das regras do setor. O Ministério da Fazenda vinha adotando medidas para reforçar o combate ao mercado ilegal de apostas, enquanto clubes e dirigentes também passaram a discutir com o governo os possíveis impactos de mudanças no segmento sobre as receitas do futebol.
Manchetes desta manhã
- Companhia de controlador da Ambipar ajudou a escoar dinheiro do Master, diz PF (Valor)
- STJ restringe aplicação de lei do consumidor a bancos e autoriza extinção unilateral de conta-corrente (Folha)
- NYT repercute caso Moraes-Vorcaro e indica possível impacto nas eleições brasileiras (Estadão)
- Programa de compra de dívidas de inadimplentes pode custar até R$ 10 bi (O Globo)
Mercado global tem desempenho misto com petróleo e feriados na Ásia
Em Nova York, os índices futuros avançam nesta sexta-feira (25), mas o Dow Jones Futuro segue no caminho para encerrar a quarta semana seguida em baixa. A sessão é marcada pela pressão dos juros dos Treasuries e pelas oscilações do petróleo, em meio à atenção dos investidores aos riscos de inflação.
As Bolsas da Europa também operam em alta e buscam encerrar a semana no azul, após a queda da sessão anterior. O recuo do petróleo ajuda a sustentar o apetite por risco, com os contratos da commodity devolvendo parte dos ganhos acumulados nas duas últimas sessões diante de relatos de negociações entre EUA e Irã para um possível acordo gradual de encerramento do conflito no Oriente Médio.
No mercado acionário, a Konecranes se destaca, com alta de 7,89%, após anunciar um programa de recompra de ações e elevar suas metas financeiras.
Na Ásia, o desempenho foi misto, em uma sessão de liquidez reduzida pelos feriados de Chuseok e o Festival do Meio do Outono, que mantiveram fechados os mercados da China, Coreia do Sul e Taiwan. Com Xangai, Shenzhen, Kospi e Taiex fora dos negócios, as atenções ficaram concentradas principalmente em Japão e Hong Kong.
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Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: +0,24%
- FTSE 100: +0,30%
- CAC 40: +0,25%
- Nikkei 225: +1,30%
- Shanghai SE Comp: fechado devido a feriados
- Hang Seng: -1,01%
- Ouro (jun): +1,06%, a US$ por 4.343,35 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): -0,29%, aos 100,95 pontos
- Bitcoin: +0,83% a US$ 84.310,5
Commodities
- Petróleo: os contratos futuros recuam nesta sexta-feira, após as fortes altas recentes, com o mercado reagindo a sinais de avanço nas negociações entre EUA e Irã para encerrar o conflito no Oriente Médio.
Há pouco, o Brent/novembro baixava 1,03%, cotado a US$ 105,50 e o WTI/novembro caía 1,81%, a US$ 92,90.
No cenário internacional, agenda dos EUA e crédito europeu movimentam os mercados
Nos Estados Unidos, a agenda econômica volta a colocar no radar a combinação entre atividade e inflação que vem mantendo os Treasuries sob pressão. Às 9h30, o mercado acompanha as encomendas de bens duráveis de setembro, com expectativa de queda de 0,3%, após avanço de 1,1% em agosto.
Mais tarde, às 11h, sai a leitura final de setembro do índice de confiança do consumidor da Universidade de Michigan, projetada em 47,8 pontos, ante 51,7 em agosto. O mercado também estará atento às expectativas de inflação apuradas pela pesquisa, que estavam em 4% para os próximos 12 meses e em 3,3% para um horizonte de cinco anos.
A agenda dos bancos centrais começou cedo com a participação de John Williams, do Federal Reserve de Nova York, e Andrew Bailey, do Banco da Inglaterra, em uma conferência em Oxford. Às 15h, será a vez de Beth Hammack, do Fed de Cleveland, e Boris Vujcic, do Banco Central Europeu, participarem de um evento dedicado à inflação. As falas ocorrem em um momento de atenção renovada aos próximos passos da política monetária nas principais economias.
No cenário geopolítico, a França anunciou o envio de tropas, radares e sistemas de defesa para a Arábia Saudita com o objetivo de proteger Yanbu, cidade portuária estratégica no Mar Vermelho para o transporte de energia. O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou que os recursos militares serão destinados à proteção da infraestrutura e não à participação em um conflito.
Na Europa, os efeitos do aperto monetário começam a aparecer com mais clareza no mercado de crédito. Os empréstimos bancários para empresas na zona do euro caíram pela metade em agosto, para 11 bilhões de euros, ante 22 bilhões de euros em julho, segundo o Banco Central Europeu. O movimento reforça a percepção de que o custo mais elevado do financiamento, após o ciclo de alta dos juros do BCE, vem reduzindo o espaço para investimentos.
IPCA-15 e novas medidas do governo no radar
No Brasil, a inflação ganha protagonismo nesta sexta-feira com a divulgação do IPCA-15 de setembro, indicador que funciona como uma prévia da inflação oficial e é acompanhado de perto pelo mercado para calibrar as expectativas para a Selic. A mediana das projeções apontava alta de 0,55%, mas o índice efetivamente avançou 0,70% no mês.
A aceleração ocorre após o efeito extraordinário do bônus de Itaipu ter contribuído para a forte deflação registrada em agosto. Com a retirada desse impacto, a energia elétrica volta a exercer pressão sobre o índice. A alimentação também aparece entre os focos de atenção, com altas esperadas em produtos como arroz, feijão, leite e carnes, enquanto as passagens aéreas pressionam o grupo de transportes.
Os combustíveis, por sua vez, ainda apresentavam perspectiva de leve queda nesta leitura. O problema está adiante: a nova escalada do petróleo pode aumentar a pressão sobre os índices de inflação dos próximos meses, caso os preços internacionais permaneçam elevados.
O mercado acompanha, além do IPCA-15, uma agenda carregada de anúncios do governo. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve apresentar nesta sexta-feira, juntamente com as medidas relacionadas às apostas online, um novo programa voltado à renegociação de dívidas de famílias inadimplentes. A proposta, segundo as informações disponíveis, prevê que o governo compre, com recursos do Tesouro Nacional, dívidas antigas consideradas irrecuperáveis pelas instituições financeiras.
O mecanismo funcionaria por meio de um leilão, no qual seriam adquiridos débitos com até cinco anos de atraso, desde que classificados como de difícil recuperação. A operação poderia envolver descontos de 95% ou mais sobre o valor dessas dívidas, permitindo que o governo assuma os créditos por um valor significativamente inferior ao saldo original.
Completando a agenda doméstica, além do IPCA-15 de setembro, hoje são divulgados o terceiro levantamento do IPC-Fipe de setembro e dois indicadores da Fundação Getulio Vargas (FGV): o Índice Nacional de Custo da Construção – Mercado (INCC-M) e o Índice de Confiança da Construção, ambos às 8h.
Destaques do mercado corporativo
- Braskem: a Justiça congelou recursos destinados à subsidiária mexicana Idesa, medida que pode afetar a proteção contra credores das subsidiárias.
- Axia: captou R$ 1,4 bilhão em debêntures incentivadas, com prazo de 20 anos e taxa de 7,8934% ao ano, para financiar parques eólicos do Complexo Coxilha Negra.
- Light: fará emissão de R$ 1 bilhão em notas comerciais, com vencimento em setembro de 2029 e remuneração de DI + 4,75%, para a concessão de distribuição.
- Renova Energia: Alexandre Marcelo Marques Cruz foi eleito presidente do conselho e conselheiro independente.
- BTG Pactual: lançou carteira de reserva de valor com bitcoin e ouro tokenizado, com rebalanceamento trimestral conforme a volatilidade.
Acompanhe as principais notícias do mercado financeiro nesta sexta-feira também no Podcast Café do Mercado, uma produção do Monitor do Mercado, e apresentado por Lucas Rocco, CEO da Wiser | BTG Pactual.
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