Após uma sessão de perda generalizada na véspera, os mercados globais ensaiam uma recuperação nesta sexta-feira (9), amparados pelo recuo do petróleo após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a suspensão dos ataques ao Irã antes das eleições de meio de mandato.
Em Nova York, os índices futuros avançam, com as ações de tecnologia apoiadas pela expectativa de aceleração da receita da OpenAI até o fim do ano, apesar de os dados mais recentes da empresa terem ficado abaixo do que vinha sendo divulgado.
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Os contratos futuros do petróleo Brent caíram para menos de US$ 103 por barril, após Trump afirmar que os Estados Unidos não atacarão o Irã antes das eleições legislativas americanas, marcadas para 3 de novembro. Na sessão anterior, a referência internacional para a commodity havia alcançado a maior cotação em duas semanas, diante dos receios de uma escalada iminente do conflito no Oriente Médio.
Em publicação na rede Truth Social, o presidente americano afirmou que Washington manterá conversas “produtivas” com Teerã e interromperá os ataques até a data das eleições. Trump, no entanto, ressaltou que o bloqueio na região continuará. Por volta das 7h29, os contratos do Brent para dezembro recuavam 1,37%, a US$ 102,85 por barril, influenciando as perspectivas para a inflação e as taxas de juros globais.
No mercado de renda fixa americano, os títulos do Tesouro dos Estados Unidos também registram perdas moderadas após uma sessão turbulenta, que terminou com os rendimentos afastados das máximas de várias décadas. O movimento concentrou-se nos vencimentos mais curtos da curva de juros. A taxa dos títulos de dois anos caiu dois pontos-base, para 4,78%.
Na agenda econômica americana, os investidores também monitoram os rendimentos dos títulos do Tesouro americano e aguardam a leitura preliminar de outubro do índice de sentimento do consumidor da Universidade de Michigan, indicador acompanhado para avaliar a percepção das famílias sobre a economia.
IPCA de setembro concentra as atenções no Brasil
No Brasil, o destaque da agenda é a divulgação do IPCA de setembro, às vésperas do feriado de Nossa Senhora Aparecida, que manterá a B3 e bancos fechados na segunda-feira (12). A expectativa média do mercado aponta para uma alta de 0,75% na comparação mensal.
O Itaú projeta avanço de 0,79% em relação a agosto, o que elevaria a inflação acumulada em 12 meses para 4,5%, ante 4,2%. Segundo os analistas do banco, a aceleração do índice geral deve ser impulsionada principalmente pelas tarifas de energia elétrica. O fator de pressão é o reembolso do bônus extraordinário de Itaipu, desconto temporário concedido nas contas de luz e financiado pelo excedente de receita da usina.
O mercado também repercute nesta manhã a pesquisa Datafolha divulgada no fim da tarde de quinta-feira (8), que apontou vantagem numérica de Flávio Bolsonaro na primeira simulação de segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, embora os dois permaneçam tecnicamente empatados.
O senador Flávio Bolsonaro (PL) aparece com 49% das intenções de voto, ante 45% de Lula (PT). Outros 5% afirmam que pretendem votar em branco ou anular o voto, enquanto 1% dos entrevistados estão indecisos.
Na apuração dos votos válidos, que exclui brancos e nulos, Flávio alcança 52%, contra 48% do presidente, candidato à reeleição. Já na pesquisa espontânea, em que os entrevistados não recebem uma lista de nomes, o senador registra 46% das citações, enquanto Lula soma 44%.
A comparação com a véspera do primeiro turno mostra avanço dos dois candidatos nesse levantamento espontâneo: naquela ocasião, Lula tinha 40% das menções, ante 33% de Flávio Bolsonaro.
Ao longo desta sexta-feira, novas pesquisas eleitorais devem movimentar o cenário político, com levantamentos da AtlasIntel, Vox e Ipespe.
Manchetes desta manhã
- Moraes determina início da pena de Eduardo Bolsonaro, condenado a 4 anos de prisão (Valor)
- PIB do Brasil deve desacelerar para 1,8% em 2026 e 1,5% em 2027, diz órgão da ONU (Folha)
- Reforma tributária: incerteza jurídica e eleição atrasam empresas e ameaçam travar negócios (Estadão)
- Ministro da Fazenda diz que compromisso do governo é editar MP do Imposto Seletivo após as eleições (O Globo)
Mercado global avança com alívio do petróleo
Em Nova York, os índices futuros operam em alta nesta sexta-feira (9), diante da queda dos preços do petróleo e com o setor de tecnologia apoiado pela projeção da OpenAI de acelerar a receita até o fim do ano.
A OpenAi espera atingir ou ultrapassar US$ 70 bilhões em receita anualizada até o final do ano, perspectiva que ameniza as preocupações com vendas abaixo das estimativas.
- O EWZ (iShares MSCI Brazil ETF)* operava em alta de 0,92%, a US$ 42,98 no pré-mercado em Nova York.
As bolsas da Europa sobem em recuperação após as perdas da véspera, com o recuo do petróleo após Donald Trump afirmar que os EUA não atacarão o Irã antes das eleições de meio de mandato
Na contramão, as ações de telecomunicações recuam após a SpaceX fechar acordo de cerca de US$ 8 bilhões para comprar licenças de espectro celular da Grain Management. A Telefónica cai 3,93%, a Deutsche Telekom recua 6,56%, a Vodafone perde 4,02% e a Orange cede 2,43%.
Na Ásia, os mercados encerraram a semana sem direção única, com a queda do petróleo trazendo alívio às preocupações com inflação e juros elevados, enquanto as declarações de Trump sobre a suspensão de ataques ao Irã antes das eleições de novembro favoreceram o humor dos investidores.
A cautela com os custos e a rentabilidade dos investimentos em inteligência artificial, porém, limitou os ganhos. As bolsas da Coreia do Sul e de Taiwan ficaram fechadas devido a feriados.
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Confira os principais índices do mercado:*
- S&P 500 Futuro: +0,34%
- FTSE 100: +0,94%
- CAC 40: +0,69%
- Nikkei 225: -0,02%
- Shanghai SE Comp: +0,05%
- Hang Seng: +1,79%
- Ouro (jun): +1,26%, a US$ por 4.209,45 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): -0,-1%, aos 101,925 pontos
- Bitcoin: +0,37% a US$ 82.797
Commodities
- Petróleo: os contatos futuros recuam, após a disparada da véspera, depois que Donald Trump descartou um ataque dos EUA ao Irã antes das eleições de meio de mandato, em novembro. A declaração reduziu as preocupações imediatas com interrupções no fornecimento no Oriente Médio.
Analistas, porém, alertam que uma retomada das hostilidades pode comprometer a recuperação do fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz, observada nas últimas semanas.
Há pouco, o Brent para dezembro perdia 1,30%, cotado a US$ 102,92 e o WTI para novembro caía 0,89%, a US$ 90,68. - Minério de ferro: fechou em queda de 1,16% na Bolsa de Dalian, na China, cotado a US$ 101,8, em meio ao enfraquecimento da demanda na siderurgia.
Analistas da Baocheng Futures afirmam que, apesar da queda nas chegadas de minério aos portos chineses durante o feriado recente, os embarques do exterior voltaram a crescer e devem seguir elevados ao longo do ano.
Cenário internacional
No setor de tecnologia, a OpenAI informou a investidores que sua receita anualizada chegou a cerca de US$ 50 bilhões no fim de setembro, segundo a CNBC. O indicador, que projeta para 12 meses o ritmo atual de vendas, ficou abaixo dos US$ 68 bilhões divulgados no fim do mês passado.
Apesar disso, a empresa registrou crescimento de 77% nesse ritmo no terceiro trimestre e avanço de 107% no segmento corporativo. Para o fim do ano, a projeção é alcançar ou superar US$ 70 bilhões, impulsionada principalmente pelas vendas a empresas, segundo a Bloomberg.
Na Ásia, a China anunciou a destinação de 550 bilhões de yuans (US$ 82 bilhões) em cotas de dívida pública não utilizadas para reforçar as finanças dos governos locais e ampliar os investimentos em infraestrutura. Desse total, 300 bilhões de yuans serão direcionados ao custeio das operações diárias de governos de condados e distritos, enquanto o restante financiará obras, sobretudo projetos já em andamento, informou o Ministério das Finanças.
A iniciativa supera as medidas adotadas em 2024 e 2025 e ocorre após uma sequência de indicadores econômicos fracos, que ampliou a pressão sobre a meta de crescimento chinesa para este ano, fixada entre 4,5% e 5%.
*Os valores e percentuais de variação referentes aos índices globais correspondem à cotação em tempo real consultada no site Investing.com ente as 8h e 8h16 (horário de Brasília).
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