A procura dos brasileiros por crédito cresceu 17,1% no acumulado de 12 meses até julho de 2026, com o maior aumento (+38,8%) concentrado entre os consumidores que recebem entre 1 e 2 salários mínimos, segundo o Indicador de Demanda dos Consumidores por Crédito da Serasa Experian.
Os dados divulgados nesta sexta-feira (18) pela Serasa mostram que o avanço não avançou de forma uniforme entre as faixas de renda. A segunda maior alta ficou com os consumidores com renda de até 1 salário mínimo, com crescimento de 16,7%. Na faixa de 5 a 10 salários mínimos, a procura aumentou 14,8%.
O único recuo no período ficou entre aqueles que recebem de 2 a 5 salários mínimos, uma queda de 0,6%.
Para Camila Abdelmalack, economista-chefe da Serasa Experian, o comportamento está ligado à necessidade de acesso a recursos mesmo em um ambiente de crédito mais caro e seletivo. Segundo a executiva, os dados apontam para uma procura associada menos à ampliação do consumo e mais à administração das despesas do dia a dia.
Crédito vira ferramenta de ajuste do orçamento
A composição da demanda ganha relevância quando comparada ao espaço disponível no orçamento das famílias. De acordo com a Serasa Experian, os brasileiros têm, em média, 74,6% da renda comprometida com contas básicas, fatura do cartão de crédito e pagamento de dívidas.
Entre consumidores que recebem de 1 a 2 salários mínimos, o percentual chega a 87,8%. Na faixa seguinte, de 2 a 5 salários mínimos, fica em 87%. Isso significa que sobra uma parcela menor da renda para absorver despesas inesperadas ou novos compromissos financeiros.
A métrica da Serasa considera despesas básicas, cartão de crédito e dívidas. Ela não é diretamente comparável aos indicadores tradicionais do Banco Central, que medem separadamente o comprometimento da renda com o serviço da dívida e o endividamento das famílias.
O Banco Central, conforme citado pela Serasa, mostra comprometimento da renda com dívidas próximo de 29%, enquanto o endividamento fica ao redor de 50% da renda acumulada em 12 meses.
Faixa de 1 a 2 salários mínimos dispara
Na comparação de julho de 2026 com julho de 2025, a demanda por crédito cresceu 16,9%. Mais uma vez, a faixa de 1 a 2 salários mínimos liderou, mas com uma diferença ainda maior: a expansão chegou a 57,3% em um ano.
Os consumidores que recebem de 2 a 5 salários mínimos registraram alta de 10,8%. Nas demais faixas de renda, a demanda recuou na comparação anual.
O resultado reforça a concentração do crescimento entre consumidores de renda mais baixa e intermediária. Para Camila Abdelmalack, o movimento está relacionado à menor capacidade de poupança e à menor margem financeira dessas famílias para lidar com despesas não previstas.
“A alta anual da demanda por crédito em julho reflete um movimento cada vez mais concentrado entre os consumidores de renda intermediária, especialmente na faixa de um a dois salários mínimos, que registrou crescimento de 57,3%”, disse.
Segundo a economista, o cenário indica que o crédito tem sido utilizado também para administrar o fluxo de caixa das famílias, isto é, equilibrar entradas e saídas de dinheiro ao longo do mês.
A Serasa também aponta uma mudança na composição das operações. Segundo a empresa, as modalidades de crédito com taxas menores vêm apresentando desaceleração mais acentuada na concessão, enquanto linhas de crédito rotativo continuam sendo utilizadas por uma parcela relevante da população.
Mato Grosso lidera demanda entre os estados
O crescimento da procura por crédito também foi registrado em todas as Unidades Federativas no acumulado de 12 meses até julho. Mato Grosso apresentou a maior alta, de 36,7%. Na sequência aparecem:
- Acre: 26,5%
- Amapá: 25,6%
- Rio Grande do Sul: 25,4%
- Roraima: 24,5%
Na outra ponta, os menores avanços ocorreram no Distrito Federal, com 11,3%, São Paulo, com 12,8%, e Rio de Janeiro, com 13,3%.











