O Coradia iLint, da Alstom, tornou-se referência mundial em trem regional movido por célula de combustível de hidrogênio. A tecnologia substitui motores diesel em linhas não eletrificadas, entrega tração elétrica silenciosa e elimina emissões diretas de carbono durante a operação.
Como o Coradia iLint gera tração elétrica sem motor diesel?
O trem armazena hidrogênio em tanques e envia o gás para células de combustível, onde ocorre a conversão eletroquímica em eletricidade. Essa energia alimenta motores elétricos de tração, enquanto baterias auxiliam aceleração, frenagem regenerativa e equilíbrio do consumo.
Segundo a Alstom, o iLint não usa hidrogênio diretamente como combustível de combustão; ele o converte em eletricidade. Em operação, o trem é livre de emissões diretas de CO₂, liberando apenas água como exaustão.

Por que ele foi criado para rotas regionais não eletrificadas?
Muitas linhas regionais europeias não têm catenária, e a eletrificação convencional pode ser cara quando a demanda é moderada. O Coradia iLint oferece alternativa limpa para esses trechos, preservando a lógica operacional de trem elétrico sem exigir eletrificação completa da via.
A fabricante afirma que o modelo foi desenhado especificamente para linhas não eletrificadas, combinando conversão limpa de energia, armazenamento eficiente e gestão inteligente de bordo. Essa arquitetura permite substituir composições diesel com menor ruído, menos vibração e emissão local praticamente nula.
Quais dados técnicos explicam sua eficiência operacional?
A eficiência do trem depende da integração entre célula de combustível, baterias, tanques, motores elétricos e software de gestão energética. Não basta abastecer com hidrogênio: o desempenho vem do controle entre geração instantânea, armazenamento, recuperação de energia e demanda de tração ao longo da rota regional.
Os principais dados técnicos divulgados são:
- Autonomia comercial indicada de até cerca de 1.000 km.
- Velocidade máxima de até 140 km/h.
- Tração elétrica com menor ruído que o diesel.
- Emissão direta de água e vapor, sem CO₂ no escapamento.
- Baterias para apoio energético e frenagem regenerativa.
- Uso em serviço de passageiros desde 2018.
- Aplicação prioritária em linhas regionais sem eletrificação.
- Necessidade de estação própria de abastecimento de hidrogênio.
Esses dados mostram que o iLint é mais que um trem experimental. Em setembro de 2022, uma unidade percorreu 1.175 km sem reabastecer, demonstrando capacidade de longa distância em condições controladas, acima da autonomia operacional normalmente divulgada.
O hidrogênio verde realmente zera a emissão de carbono?
No uso ferroviário direto, o trem não emite CO₂, material particulado ou gases de combustão como um diesel. A Alstom informa que a exaustão operacional é água, e que o calor gerado pode ser reaproveitado em sistemas internos, como climatização.
A expressão “zero carbono”, porém, só é tecnicamente correta quando o hidrogênio verde é produzido por eletrólise com energia renovável. Se o hidrogênio vier de gás natural ou eletricidade fóssil, as emissões saem do escapamento e aparecem na cadeia de produção.

O que a operação comercial na Europa demonstrou?
O iLint entrou em serviço regular de passageiros na Alemanha a partir de 2018, tornando-se referência prática para operadores regionais. Em documentos de eventos da Agência Ferroviária da União Europeia (ERA), o Coradia iLint aparece como trem de hidrogênio comprovado em serviço comercial.
A experiência também expôs que a tecnologia exige ecossistema completo: manutenção, abastecimento seguro, contratos de fornecimento e avaliação econômica. Por isso, sua adoção depende de cada linha, comparando hidrogênio com eletrificação, baterias e permanência temporária do diesel.
Quais limites ainda desafiam a expansão dos trens a hidrogênio?
O primeiro limite é o custo do hidrogênio verde, ainda sensível à escala de produção e ao preço da eletricidade renovável. Também pesam estações de abastecimento, logística, manutenção especializada, disponibilidade da frota e compatibilidade com regras nacionais de segurança ferroviária.
A própria adoção europeia mostra que a solução é seletiva. O Europe’s Rail Joint Undertaking aponta potencial para células de combustível no ambiente ferroviário, mas também destaca barreiras tecnológicas, regulatórias e econômicas que impedem tratar o hidrogênio como solução universal.











