O Viaduto de Millau, no sul da França, cruza o vale do rio Tarn por 2.460 metros e leva a autoestrada A75 sobre uma paisagem onde montar todo o tabuleiro diretamente no alto seria extremamente complexo. A solução foi fabricar e unir grandes seções metálicas em terra e depois empurrar progressivamente as duas metades sobre o vazio.
Por que o Viaduto de Millau precisava de um método de construção diferente?
O problema não era apenas atravessar um rio. O tabuleiro precisava cruzar um vale muito profundo, apoiado sobre pilares extremamente altos. O site oficial do Viaduto de Millau informa comprimento total de 2.460 metros, sete pilares e altura máxima da estrutura de 343 metros.
O pilar P2 alcança 245 metros até o tabuleiro. Executar grande parte das soldas e montagens metálicas nessa altura aumentaria muito a dificuldade de logística, acesso e segurança. Por isso, o tabuleiro foi produzido em condições mais controladas nas extremidades do viaduto e levado depois até sua posição definitiva.

Como o tabuleiro do Viaduto de Millau foi lançado?
Grande parte do tabuleiro foi montada em canteiros atrás dos encontros norte e sul, onde as seções eram soldadas antes de avançarem sobre os pilares. O deslocamento ocorria em pequenos ciclos: 64 equipamentos hidráulicos moviam a estrutura cerca de 60 centímetros por vez, a uma velocidade média de aproximadamente 9 metros por hora.
Como os vãos chegam a 342 metros, apoios provisórios foram instalados entre alguns pilares definitivos para reduzir os trechos em balanço durante o lançamento. Mastros parcialmente estaiados também ajudavam a controlar a deformação da extremidade do tabuleiro até que ela alcançasse o apoio seguinte.
Como o tabuleiro do Viaduto de Millau avançou até o centro do vale?
Foram necessárias 18 operações de lançamento ao longo de cerca de 15 meses, com novas seções sendo acrescentadas e preparadas entre cada avanço. As duas metades finalmente se encontraram em 28 de maio de 2004, às 14h12, cerca de 270 metros acima do rio Tarn.
O deslocamento era lento e controlado, com auxílio de sistemas hidráulicos, GPS e laser. O vento também era monitorado: durante os lançamentos, a velocidade máxima permitida era de 85 km/h, já que rajadas poderiam dificultar o controle de uma estrutura tão grande.

Como o método de lançamento fica mais fácil de entender em movimento?
O tamanho do viaduto dificulta perceber em fotografias que praticamente todo o tabuleiro foi avançando horizontalmente sobre o vale. Quando a construção é observada em sequência, aparecem os apoios provisórios, a ponta em balanço e o movimento lento de cada trecho.
O vídeo abaixo complementa essa parte ao mostrar como uma estrutura gigantesca podia avançar poucos metros por hora até alcançar o próximo apoio.
Por que o Viaduto de Millau usa aço no tabuleiro?
O aço permitiu criar um tabuleiro relativamente leve para a escala da obra, com cerca de 36 mil toneladas, 32 metros de largura e vãos principais de 342 metros. A estrutura trabalha em conjunto com pilares de concreto, mastros metálicos e 154 estais.
Durante a construção, o sistema definitivo ainda não existia. Mastros parcialmente estaiados e apoios provisórios ajudavam a sustentar o tabuleiro enquanto ele avançava, e cada etapa exigia uma análise estrutural própria.











