A ata do Banco Central Europeu (BCE) trouxe novos indicativos de que ainda há uma resistência sobre um novo corte nos juros. A ata do BCE divulgada nesta quinta-feira (4) detalhou a última reunião de política monetária ocorrida nos dias 5 e 6 de junho, quando houve um corte de 0,25 ponto percentual nas principais taxas de juros dos países da Europa.
O documento revela uma mudança estratégica na política monetária das principais economias avançadas, refletindo um movimento em direção a uma flexibilização gradual e uma manutenção prolongada das altas taxas de juros. A decisão foi motivada pela persistência de uma “última milha” prolongada de desinflação.
Desempenho econômico divergente entre EUA e Zona do Euro
Segundo a ata, os mercados financeiros mostraram uma convergência em suas narrativas, impulsionadas por uma economia mais robusta na zona do euro e sinais de arrefecimento econômico nos Estados Unidos. “Os dados macroeconômicos da zona do euro continuaram a se mostrar melhores do que o esperado nos últimos quatro meses, fortalecendo a visão dos investidores de que a recuperação econômica estava no caminho certo.”
Em contraste, “as surpresas dos dados macroeconômicos nos Estados Unidos se tornaram menos favoráveis”, com sinais de desaceleração no mercado de trabalho e uma inflação alinhada com as expectativas, aliviando temores de novos aumentos nas taxas de juros pelo Federal Reserve (Fed).
Nunca foi tão fácil ficar atualizado sobre finanças, economia e investimentos. Assine gratuitamente
Nos EUA, a inflação surpreendeu positivamente desde dezembro de 2023, levando a um ajuste gradual nas expectativas do mercado para cortes de juros menores e mais tardios em 2024. No entanto, “dados econômicos dos EUA mais moderados e uma divulgação da inflação amplamente alinhada com
as expectativas fizeram com que os participantes do mercado novamente precificassem um ciclo de flexibilização um pouco mais acentuado.”
Ata do BCE trouxe novas projeções
As projeções macroeconômicas de junho de 2024 indicam um crescimento global estável, com o PIB mundial, excluindo a zona do euro, projetado para crescer 3,3% em 2024 e 2025. A demanda externa deve se recuperar, crescendo para 2,1% este ano. “O euro permaneceu amplamente estável tanto em relação ao dólar americano quanto em termos efetivos nominais desde a última reunião de política monetária do Conselho do BCE”.
A inflação na zona do euro subiu para 2,6% em maio, com a inflação de energia e alimentos mostrando variações significativas. A inflação subjacente, que exclui energia e alimentos, aumentou para 2,9%, refletindo pressões de preços contínuas, apesar da queda na inflação de bens.
Os membros do BCE enfatizaram a determinação de garantir que a inflação retorne de forma sustentável à meta de médio prazo de 2%. A abordagem será dependente de dados e avaliada reunião por reunião, “sem pré-compromissos com um caminho específico para as taxas de juros,” mantendo a flexibilidade para responder às mudanças econômicas.
De acordo com o documento do BCE, a determinação de retornar a inflação à meta de 2% permanece firme, com um compromisso claro de monitorar de perto os dados econômicos e ajustar a política conforme necessário.
Visões divergentes
Quase todos os membros do BCE concordaram em reduzir as três principais taxas de juros em 25 pontos-base, “com base na avaliação atualizada das perspectivas de inflação, na dinâmica da inflação subjacente e na força da transmissão da política monetária.” A redução é vista como um movimento apropriado após nove meses de taxas estáveis, considerando a significativa queda da inflação e a melhoria das perspectivas econômicas.
No entanto, houve uma visão divergente, com alguns membros argumentando que “os dados recebidos desde a última reunião e os riscos de alta para a inflação não apoiavam o caso de um corte de taxa.” Eles destacaram a rigidez inflacionária e os potenciais riscos geopolíticos que poderiam exacerbar a situação.
Larissa Bernardes / Safras News
Copyright 2024 – Grupo CMA











