O mundo está em alerta para as mudanças climáticas e seus impactos, e no centro desse cenário incerto estão os fenômenos climáticos como o La Niña. Em 2024, a expectativa em torno da chegada desse fenômeno é de grande importância, especialmente para regiões que dependem diretamente das condições climáticas para agricultura e economia. No entanto, conforme o Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites (Lapis), a chegada do La Niña é cada vez menos provável.
O La Niña é conhecido por resfriar as águas do oceano Pacífico, impactando o clima global ao induzir padrões frios e secos em algumas regiões e úmidos e chuvosos em outras. Este fenômeno é o oposto do El Niño, que aquece anormalmente as águas do Pacífico. Com a neutralidade climática predominando até agora em 2024, as previsões indicam que esses padrões extremos podem não se materializar.
Por que o La Niña de 2024 está em dúvida?
Segundo Humberto Barbosa, fundador do Lapis, para que o La Niña se forme, é necessário que o Pacífico tropical apresente temperaturas mais frias que a média por, pelo menos, três meses consecutivos. Até agora, isso não aconteceu. Em agosto, já se observava um atraso na chegada do fenômeno, e desde então, as águas do Pacífico surfaram um leve aquecimento. Este cenário dificilmente acena para a formação de um La Niña nos próximos meses.
Além disso, as condições oceanográficas atuais, sobretudo no Atlântico Norte e Pacífico Norte, onde se nota um aquecimento significativo das águas superficiais, influenciam diretamente as possibilidades de desenvolvimento do La Niña. Essas anomalias na temperatura da superfície do mar (TSM) ajudam a pintar um quadro climático mais completo e reforçam as expectativas de um verão com temperaturas acima da média. Isso é particularmente relevante para o Brasil, que já enfrenta condições adversas.

Quais são as implicações climáticas para o Brasil?
Sem a presença do La Niña, o Brasil precisa se preparar para enfrentar um verão potencialmente mais quente. A condição de neutralidade e o aquecimento no Atlântico acarretam riscos hidrológicos significativos para a região amazônica, onde os rios já registram níveis mínimos históricos para a época. Esse cenário agrava a seca, que também é sentida em outras regiões como o Centro-Oeste e o Sul do país.
Em tempos de neutralidade climática e aquecimento, é imprescindível fortalecer medidas de prevenção a incêndios, uma vez que as queimadas podem se intensificar em biomas como a Amazônia e o Cerrado devido à vegetação seca. Ações coordenadas e o planejamento estratégico são fundamentais para mitigar os efeitos das condições climáticas adversas sobre o meio ambiente e a sociedade.
Como são feitas as previsões climáticas e quais são os desafios?
Prever o fenômeno La Niña não é tarefa simples. Fenômenos de baixa intensidade desafiam a capacidade preditiva dos modelos climáticos, como destaca Humberto Barbosa. Além disso, a presença de outros fatores atmosféricos de curto prazo, como a Oscilação Madden-Julian (MJO), complica ainda mais as previsões sazonais. Essas variabilidades aumentam a incerteza sobre como o ENOS (El Niño-Oscilação Sul) se comportará ao longo do ano.
- Fenômenos de baixa intensidade: são menos previsíveis e trazem mais incertezas.
- Condições atmosféricas variáveis: como a MJO, influenciam a formação de padrões climáticos.
- Anomalias oceânicas: as condições atuais dos oceanos são únicas e impactam diretamente as previsões.
Em resumo, a chegada do La Niña em 2024 parece improvável, mas o monitoramento contínuo e o desenvolvimento de modelos climáticos mais robustos são essenciais para antecipar e mitigar possíveis impactos climáticos no futuro. A adaptação às mudanças e a conscientização sobre os fatores que as influenciam são passos críticos para a resiliência climática global.











