Os dirigentes do Banco Central reforçaram na ata do Comitê de Política Monetária (Copom) divulgada nesta terça-feira (5) que seguirão cautelosos nas próximas decisões sobre a taxa Selic, diante do aumento da incerteza global.
O colegiado indicou que os próximos passos dependerão dos efeitos dos conflitos no Oriente Médio sobre a inflação. Na última reunião, o Banco Central reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, de 14,75% para 14,50% ao ano. Foi o segundo corte consecutivo após o início do ciclo de flexibilização em março.
Segundo o Copom, o cenário atual exige serenidade na condução da política monetária. O comitê afirmou que novas informações sobre o impacto do conflito no Oriente Médio podem alterar a trajetória dos juros.
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A preocupação central é o efeito sobre preços como petróleo e câmbio, que influenciam diretamente a inflação no Brasil. Esses choques são chamados de “choques de oferta”, pois afetam custos de produção e transporte.
Inflação segue acima da meta
As projeções do Banco Central indicam inflação de 4,6% em 2026, acima do teto da meta, que é de 4,5%. Para 2027, a estimativa é de 3,5%, também acima do centro da meta de 3%.
O Copom afirmou que a decisão de reduzir a Selic é compatível com a estratégia de convergência da inflação. Ao mesmo tempo, destacou que o processo exige manutenção de juros em nível restritivo — ou seja, suficientemente alto para conter a demanda e reduzir a pressão sobre os preços.
A ata também aponta que as expectativas de inflação voltaram a subir, especialmente para prazos mais longos, como 2028. Esse movimento é chamado de “desancoragem”, quando o mercado passa a projetar inflação acima da meta por um período prolongado.
Segundo o comitê, esse cenário exige uma política monetária mais restritiva por mais tempo. Isso ocorre porque expectativas elevadas tendem a se refletir em preços, salários e contratos.
Em comentário enviado ao Monitor do Mercado, Gustavo Assis, CEO da Asset Bank, avalia que “o Copom não declarou vitória sobre a inflação e a ata, portanto, não deve ser interpretada como sinal de alívio imediato, mas sim como uma tentativa de conduzir o mercado para uma queda gradual dos juros, sem perder credibilidade no combate à inflação”.
Política fiscal entra no debate
O Copom voltou a defender a importância de uma política fiscal previsível e equilibrada. A coordenação entre política fiscal (gastos e arrecadação do governo) e monetária (juros) é vista como essencial para reduzir os prêmios de risco — ou seja, o retorno adicional exigido pelos investidores diante de incertezas.
O colegiado alertou que dúvidas sobre a trajetória da dívida pública e aumento do crédito direcionado podem elevar o chamado “juro neutro”, que é a taxa que não estimula nem freia a economia.
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Mercado avalia ata do Copom e prevê ciclo de cortes gradual
Na avaliação de analistas, a ata indica que o Banco Central iniciou a queda de juros, mas sem sinalizar aceleração do ritmo.
Para Edgar Araújo, CEO da Azumi Investimentos, o documento mostra que o alívio será gradual e condicionado ao cenário externo. Já Peterson Rizzo, gerente de RI da Multiplike, afirma que a combinação de inflação pressionada e incerteza global deve manter os juros elevados por mais tempo.
“No panorama geral, a economia combina atividade em moderação, mercado de trabalho resiliente e necessidade de harmonia entre política fiscal e monetária. O cenário aponta para juros restritivos por período prolongado, com impactos crescentes sobre crédito, investimento e setores cíclicos”, disse Rizzo.











