Diante da escalada das tensões no Oriente Médio, o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira (B3), encerrou o pregão desta segunda-feira (4) em baixa de 0,92%, aos 185.600,12 pontos. O movimento refletiu o embate entre Estados Unidos e Irã na região do Estreito de Ormuz, que aumentou a aversão ao risco no mercado financeiro.
Apesar da alta do petróleo em meio ao conflito, as ações da Petrobras tiveram desempenho misto (-0,80%-ON e +0,53%-PN ), enquanto a Vale exerceu maior pressão sobre o índice, com queda de 3,1%.
As perdas se estenderam ao setor financeiro, com destaque para as ações preferenciais do Bradesco (BBDC4), que cederam 2,12%. Entre as maiores altas da sessão, figuraram Prio (+5,65%) e Minerva (+4,74%) e na ponta oposta a Hapvida registrou a maior perda do dia, em queda de 7,18%.
No câmbio, o dólar fechou em leve alta de 0,3% frente ao real, cotado a R$ 5,97, em reação ao aumento da percepção de risco após relatos de ataques iranianos às instalações petrolíferas dos Emirados Árabes Unidos.
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No cenário internacional, a escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã no Golfo Pérsico voltou a abalar os mercados globais e colocou em xeque a trégua observada nas últimas semanas. A troca recente de ataques envolvendo drones, mísseis e embarcações no Estreito de Ormuz marca o episódio mais grave desde o cessar-fogo e amplia o risco de um conflito mais prolongado na região.
Nos Emirados Árabes Unidos, um ataque com drone provocou incêndio em uma zona petrolífera em Fujairah, reforçando o temor de interrupções na oferta de petróleo. O Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 1/5 do petróleo global, permanece no centro das atenções, com restrições ao tráfego marítimo e risco de bloqueios mais duradouros.
A resposta do mercado foi imediata. O petróleo disparou, com o Brent voltando a se aproximar dos US$ 115, refletindo o prêmio de risco geopolítico e a possibilidade de choques prolongados na oferta. Ao mesmo tempo, a aversão ao risco se espalhou: os rendimentos dos Treasuries subiram, o dólar se fortaleceu e aumentaram as revisões nas expectativas para a política monetária dos EUA, diante de um cenário potencialmente mais inflacionário.
Apesar de declarações pontuais indicando possíveis negociações, o ambiente segue dominado por impasse entre Washington e Teerã, com baixa visibilidade para uma solução diplomática no curto prazo. Avaliações de mercado já apontam para um conflito mais longo, com episódios intermitentes de tensão e impactos recorrentes sobre energia, inflação e juros.
No Brasil, a ata da 278ª reunião do Copom evidencia a crescente preocupação com o ambiente externo. O Banco Central reafirmou que a redução da Selic para 14,5% é compatível com a estratégia de convergência da inflação à meta, mas destacou a necessidade de serenidade e cautela diante do aumento expressivo das incertezas, especialmente ligadas ao choque de energia.
O cenário já começa a alterar as expectativas do mercado doméstico. Com a piora súbita do ambiente global, cresce a probabilidade de uma pausa no ciclo de cortes de juros na reunião de junho. As projeções de inflação seguem pressionadas: o Boletim Focus registrou a oitava alta consecutiva para o IPCA, agora em 4,89%, acima dos 4,6% estimados pelo Banco Central.
No cenário interno, a atividade econômica mantém trajetória de moderação, enquanto o mercado de trabalho ainda apresenta resiliência. Ainda assim, o balanço de riscos para a inflação segue assimétrico e mais elevado que o usual. O Copom destaca como vetores de alta a desancoragem das expectativas por período prolongado, a maior persistência da inflação de serviços (associada a um hiato do produto mais positivo) e a combinação de políticas econômicas, domésticas e externas, com impacto inflacionário superior ao esperado.
Diante desse quadro, o Banco Central sinaliza que a magnitude e a duração do ciclo de cortes de juros dependerão da evolução do cenário, especialmente da clareza sobre a profundidade e a extensão do conflito no Oriente Médio — hoje, o principal fator de risco para os mercados globais e para a trajetória da inflação.
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Manchetes desta manhã
- Novo Desenrola pode trazer impulso à atividade e desafio adicional ao BC (Valor)
- Copom vê impacto da guerra no Oriente Médio sobre inflação e piora nas expectativas (Folha)
- Irã diz que conflito com os EUA no Estreito de Ormuz ‘ainda nem começou’ (Estadão)
- Brasil está perto do limite de cota de exportação de carne para a China. E isso terá impacto global (O Globo)
- Emissões do Tesouro no exterior protegem câmbio e irrigam mercado local com dólares (Valor)
Mercado global oscila diante de novas tensões no Oriente Médio
As bolsas da Europa operam majoritariamente em alta nesta terça-feira, impulsionadas por balanços corporativos positivos, apesar da escalada das tensões entre EUA e Irã. Entre os destaques, AB InBev e UniCredit avançam com resultados acima do esperado, enquanto o HSBC recua após lucro abaixo das previsões.
Na Ásia, os mercados encerraram o pregão em queda, refletindo a cautela dos investidores após relatos de novos ataques nas proximidades do Estreito de Ormuz e danos a instalações em áreas do Golfo, no que já é visto como a escalada mais significativa desde o início do cessar-fogo. Os mercados no Japão e na China continental permanecem fechados por feriado.
Em Nova York, os índices futuros abriram em alta, em movimento de recuperação após as perdas da véspera, enquanto o mercado acompanha com cautela a sustentação de um cessar-fogo ainda frágil no Oriente Médio.
Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: +0,34%
- FTSE 100: -1,13%
- CAC 40: +0,55%
- Nikkei 225: fechado por feriado
- Hang Seng: -0,76%
- Shanghai SE Comp: fechado por feriado
- Ouro (jun): +0,99%, a US$ 4.578,25 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): -0,01%, aos 98,46 pontos
- Bitcoin: +2,81% a US$ 81.153,3
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Commodities
- Petróleo: os preços dos contratos futuros recuam nesta terça-feira, após forte alta registrada na véspera em meio à escalada das tensões no Oriente Médio. O movimento reflete uma trégua momentânea no noticiário, embora o cenário siga volátil.
Nesta segunda-feira, forças militares dos Estados Unidos afirmaram ter destruído embarcações iranianas durante uma operação de escolta a petroleiros retidos no Estreito de Ormuz, episódio que elevou o nível de alerta nos mercados globais.
O Brent/julho recua 0,91%%, a US$ 113,40 e o WTI/junho caía 1,65%, a US$ 104,66.
Cenário internacional
Nos EUA, os investidores acompanham de perto o relatório Jolts de vagas em aberto e os PMIs de serviços de abril — indicadores-chave para calibrar o pulso do mercado de trabalho e da atividade .
Ao longo do dia, falas de autoridades monetárias ganham protagonismo: a presidente do BCE, Christine Lagarde, discursa pela manhã, enquanto Michelle Bowman e Michael Barr, do Federal Reserve (Fed), também entram no radar.
O pano de fundo, no entanto, segue sendo a guerra. Com o choque de energia se mostrando mais persistente do que o inicialmente previsto, o mercado já revisa de forma relevante o cenário de política monetária. A ferramenta de probabilidades do CME voltou a indicar mais de 50% de chance de aperto adicional nos juros, refletindo o temor de uma inflação mais resistente.
Dirigentes do Fed reforçam esse tom: Neel Kashkari não descarta novas altas caso a diplomacia fracasse, enquanto John Williams projeta inflação ainda em torno de 3% neste ano, com retorno à meta de 2% apenas em 2027.
Cenário nacional
No Brasil, o conflito também domina o debate econômico. Em entrevista ao Roda Viva, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a principal pressão sobre a política monetária hoje vem do cenário externo, especialmente da guerra no Oriente Médio, minimizando o impacto das medidas fiscais domésticas.
Segundo ele, a expansão fiscal ficou concentrada em 2023, com a PEC da Transição voltada a recompor programas sociais e corrigir distorções herdadas.
A agenda política também ganha tração com a viagem de Durigan, que acompanhará o presidente Lula em encontro com Donald Trump nos Estados Unidos. A reunião, marcada para esta quinta-feira, é vista como passo relevante para normalizar as relações comerciais e deve incluir temas sensíveis como o conflito no Oriente Médio, a crise na Venezuela e parcerias estratégicas em minerais críticos, terras raras e tecnologia — incluindo investimentos em data centers e big techs.
No front corporativo, o destaque fica para o balanço do Itaú Unibanco, que será divulgado após o fechamento do mercado. A expectativa é de lucro líquido de R$ 12,32 bilhões, estável na margem trimestral, mas com avanço de 10,5% na comparação anual, mantendo a rentabilidade em patamar elevado.
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Destaques do mercado corporativo
- Petrobras: informou que se qualificou para integrar o Dow Jones Best-in-Class World Index (DJ BIC),da S&P Global Corporate Sustainability Assessment (CSA), pelo segundo ano consecutivo.
- Hapvida: família controladora reduziu participação de 52,5% para 47,87% do capital social.
- RD Saúde: concluiu a venda da 4Bio para a Health Ventures, com recebimento de R$ 100 milhões e direito a parcelas remanescentes corrigidas pelo CDI e crédito futuro estimado em R$ 120 milhões.
- Kora Saúde: teve homologado pela Justiça o plano de recuperação extrajudicial, com alongamento de passivos de R$ 1,3 bilhão.
- PicPay: firmou parceria com a TIM Brasil para integração de produtos e serviços.











