O que acontece quando não há mais terra disponível para expandir um aeroporto? A China respondeu essa pergunta da única forma que lhe é característica: criou a própria terra. O Aeroporto Internacional Dalian Jinzhouwan, um aeroporto sobre o mar erguido sobre uma ilha artificial de 20 quilômetros quadrados, é hoje uma das obras de engenharia mais ambiciosas do planeta.
Por que a China decidiu construir um aeroporto sobre o mar em Dalian?
O atual Aeroporto Internacional Dalian Zhoushuizi, inaugurado em 1927, chegou ao seu limite operacional em 2016. Ele opera com uma única pista, está cercado por montanhas e desenvolvimento urbano e não tem espaço físico para crescer. Cinco ampliações ao longo de décadas não foram suficientes.
Em 2023, o aeroporto movimentou cerca de 20 milhões de passageiros. A solução foi construir do zero, em mar aberto, uma infraestrutura capaz de absorver o crescimento projetado de Dalian como hub estratégico para o nordeste asiático.

Quanto custa e qual o tamanho real do projeto?
O investimento total supera US$ 4,3 bilhões. A ilha artificial, construída por aterramento marítimo desde 2011, ocupa entre 20 e 21 quilômetros quadrados ganados ao mar da Baía de Jinzhou, no Mar de Bohai.
Quando concluído, o aeroporto vai superar em área o Aeroporto Internacional de Hong Kong e o Aeroporto Kansai, do Japão, tornando-se o maior aeroporto em ilha artificial do mundo. A previsão é que a operação plena comece em 2035.
Quais desafios técnicos uma obra no oceano impõe aos engenheiros?
O engenheiro-chefe do projeto, Li Xiang, descreveu as condições geológicas como extraordinariamente complexas: fundações em solo marinho exigem precisão que não tem paralelo em obras terrestres convencionais. A solução técnica adotada revela a escala do problema.
Veja os principais números da fundação do aeroporto:
- Mais de 3.000 pilotes incrustados em rocha sólida sob o mar
- Diâmetro de até 1,6 metro por pilote
- Comprimento superior a 80 metros, três vezes mais profundo que aeroportos em terra firme
- Cementação profunda nas áreas aterradas para estabilização do solo
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Qual será a capacidade do aeroporto quando estiver pronto?
A primeira fase prevê uma terminal de 400 mil metros quadrados com mais de 60 posições de contato e duas pistas de 3.600 metros de extensão. Nessa etapa, o aeroporto terá capacidade para 43 milhões de passageiros anuais e 650 mil toneladas de carga.
Na fase final, a terminal crescerá para 900 mil metros quadrados e quatro pistas. A capacidade total projetada chega a 80 milhões de passageiros e 1 milhão de toneladas de carga por ano, com cerca de 540 mil operações aéreas anuais.

O aeroporto de Dalian é o único desse tipo no mundo?
Não, mas é o mais ambicioso. O Aeroporto Internacional de Hong Kong e o Aeroporto Kansai também foram construídos sobre aterros no mar, mas em áreas menores. O projeto de Dalian supera ambos em extensão e complexidade de fundação.
A China tem hoje mais de 260 aeroportos em operação e 22 em construção, com investimentos que ultrapassam US$ 20 bilhões. As autoridades estimam que o país precisará de cerca de 450 aeroportos até 2035.
Quem busca entender mais sobre o projeto de infraestrutura do King Salman International Airport, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Public Investment Fund, que conta com mais de 3.6 milhões de visualizações, onde é mostrada a evolução criativa e inovadora de Riyadh na Saudi Arabia:
O que esse projeto revela sobre o futuro da infraestrutura global?
O aeroporto de Dalian não é apenas uma obra de engenharia. É uma resposta concreta a um problema que dezenas de grandes cidades enfrentarão nas próximas décadas: a impossibilidade de expandir infraestrutura crítica em territórios urbanos saturados. Quando o solo acaba, a China cria novo solo.
O prazo de conclusão em 2035 e o investimento de US$ 4,3 bilhões colocam o projeto entre as maiores apostas individuais de infraestrutura aérea do século. Para aerolíneas, operadores logísticos e qualquer país que observe o modelo de aviação asiático, a questão já não é se o aeroporto ficará pronto, mas o que ele vai mudar nas rotas e no comércio internacional quando abrir.











